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Doação de leite humano ajuda bebês prematuros e salva vidas

Leite doado passa por etapas rigorosas e garante alimento essencial para recém-nascidos; entrevistas com duas profissionais ajudam a entender a importância da doação

6 min

29/08/2026 15:33 • Atualizado há 2 dias

Doação de leite humano ajuda bebês prematuros e salva vidas

Para um bebê recém-nascido, o leite humano vai muito além da alimentação. Ele oferece nutrientes, fatores de proteção imunológica e componentes que contribuem para o crescimento e o desenvolvimento. Quando a mãe não consegue amamentar ou quando o bebê está internado e não pode receber o leite materno diretamente, a doação pode se tornar fundamental. Por isso, os Bancos de Leite Humano têm papel importante na recuperação, especialmente de recém-nascidos prematuros e de baixo peso.

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O aleitamento materno é considerado uma das principais estratégias de promoção da saúde na primeira infância. Segundo , a nutricionista e professora do curso de Nutrição do Centro Universitário UniMetrocamp Wyden, Joseane Almeida Santos Nobre, o leite humano é um alimento dinâmico, cuja composição se adapta às necessidades do bebê ao longo do tempo. Além de fornecer proteínas, gorduras e outros nutrientes, ele contém substâncias bioativas que auxiliam na formação do sistema imunológico e no desenvolvimento do organismo.

Entre esses componentes estão os oligossacarídeos do leite humano (HMOs), que contribuem para a formação de uma microbiota intestinal saudável, além de imunoglobulinas, enzimas, hormônios e ácidos graxos importantes para o desenvolvimento neurológico e da visão.

A pediatra Elyane Daltri Lazzarini Cury Paganoti, médica formada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com residência em pediatria e terapia intensiva pediátrica pela Universidade de São Paulo (USP), também destaca o aleitamento como um dos pilares da promoção da saúde.

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“Como mãe e pediatra sou defensora do aleitamento materno, que representa um dos pilares na promoção de saúde”, afirma.

Para ela, o leite materno contribui para o crescimento e o desenvolvimento dos lactentes, além de estar associado à prevenção de doenças e à redução da mortalidade infantil. Por isso, o incentivo ao aleitamento e à doação também representa uma medida de saúde pública.

A importância do leite humano se torna ainda maior quando o bebê nasce prematuramente. Recém-nascidos prematuros, principalmente aqueles internados em Unidades de Terapia Intensiva Neonatal (UTIs), possuem sistemas imunológico e gastrointestinal ainda imaturos e ficam mais vulneráveis a infecções e outras complicações.

De acordo com a nutricionista, nesses casos, o leite humano pode atuar como uma importante proteção para o organismo. Seus componentes ajudam na maturação do intestino e na defesa contra microrganismos, contribuindo para reduzir o risco de complicações graves, como a enterocolite necrosante, uma inflamação intestinal que pode atingir principalmente bebês prematuros.

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O leite também fornece nutrientes importantes para o desenvolvimento cerebral. Entre eles estão ácidos graxos como DHA e ARA, fundamentais para a formação e a maturação do sistema nervoso e da retina.

“Para o bebê prematuro, a oferta de leite humano na UTI não é uma simples escolha alimentar. É uma intervenção médica de resgate fisiológico, imunológico e cognitivo”, explica Joseane.

Quando o leite da própria mãe não está disponível em quantidade suficiente ou não pode ser oferecido naquele momento, o leite humano doado passa a ser uma alternativa fundamental.

Doação que chega a quem mais precisa

A pediatra explica que existem diversas situações que podem impossibilitar o aleitamento materno. Entre elas estão os casos de prematuros extremos que precisam permanecer internados em UTIs neonatais.

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“Nessas crianças, a utilização do leite materno doado possibilita uma melhor recuperação, com redução da morbimortalidade e menor tempo de internação”, destaca Elyane.

O leite doado chega aos bebês por meio dos Bancos de Leite Humano, estruturas responsáveis por receber, analisar, processar, armazenar e distribuir o alimento de acordo com critérios de segurança.

Para a médica, a inauguração de um Banco de Leite representa um marco para a cidade justamente por incentivar e viabilizar esse processo.

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“Doar leite materno salva vidas e é um ato de amor”, afirma.

Segurança em todas as etapas

Antes de chegar a um bebê internado, o leite doado passa por uma série de procedimentos. A mãe interessada em doar recebe orientações e é submetida a uma avaliação para garantir a segurança do alimento.

Segundo a pediatra, o processo começa com uma entrevista, que inclui o histórico médico da doadora, e exames de triagem, como sorologias. A mãe também recebe orientações sobre a forma correta de realizar a extração, incluindo cuidados de higiene, congelamento e transporte do leite até o Banco de Leite.

Depois que o leite é recebido, novas etapas são realizadas. O material é classificado, passa pelo processo de pasteurização e é submetido a novos testes laboratoriais antes de ser liberado para distribuição aos hospitais.

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Todo o procedimento busca garantir que o leite chegue aos recém-nascidos com segurança e qualidade.

A nutricionista ressalta que, mesmo após a pasteurização, o leite humano doado mantém diversos componentes importantes. Embora algumas células vivas sejam inativadas pelo processo térmico, permanecem substâncias como oligossacarídeos, proteínas com ação antimicrobiana e outros fatores que contribuem para a proteção do bebê.

Leite doado é diferente da fórmula infantil

Em situações nas quais o leite da própria mãe não está disponível, o leite humano doado e as fórmulas infantis podem ter funções diferentes dentro do atendimento neonatal.

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A fórmula infantil é uma alternativa nutricional importante e pode ser utilizada quando há indicação médica ou quando não existe disponibilidade de leite humano. Entretanto, ela não possui a mesma composição biológica do leite materno.

O leite humano — seja da própria mãe ou doado — nutre, protege e programa a saúde do bebê de forma individualizada”, explica a nutricionista.

Por isso, para recém-nascidos vulneráveis, especialmente prematuros, a disponibilidade de leite humano doado pode representar uma importante ferramenta de cuidado durante a internação.

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Uma rede formada por mães

A doação também tem um significado que ultrapassa os aspectos nutricionais e médicos. Para a pediatra e mãe Eliane, famílias que enfrentam a impossibilidade de amamentar podem passar por um momento de fragilidade, principalmente quando o filho precisa de cuidados intensivos.

“Imagino que toda mãe que vivencia uma situação que impossibilita os cuidados essenciais ao seu filho deva se sentir fragilizada; mas saber que tal cuidado pode ser realizado de outra forma e que isso vai proporcionar bem-estar ao seu filho conforta o coração”, relata.

Elyane é mãe de dois meninos. O primeiro foi amamentado até 1 ano e 2 meses, enquanto o segundo, atualmente com três meses, recebe aleitamento materno exclusivo. Apesar de nunca ter sido doadora e de seus filhos não terem precisado receber leite doado, ela defende a importância de fortalecer essa rede.

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Elyane com seu marido e filhos

Elyane com seu marido e filhos

Créditos: Arquivo pessoal

Para ela, o sentimento predominante entre as famílias que recebem leite humano doado é a gratidão. A doação, portanto, cria uma corrente de cuidado entre mães que muitas vezes nem chegam a se conhecer, mas que contribuem para oferecer a outros bebês uma oportunidade de recuperação e desenvolvimento.

Doar leite humano é um gesto voluntário que pode fazer diferença principalmente para recém-nascidos prematuros, de baixo peso ou internados em unidades neonatais. Com uma rede estruturada de coleta, processamento e distribuição, o leite de uma mãe pode chegar até outra criança em um momento em que esse alimento é essencial para a sobrevivência e a recuperação.