Saúde

Doação de pele é vital contra queimaduras, mas ainda esbarra em tabus

O transplante não se restringe a órgãos vitais como coração, rins e fígado: a doação de tecidos, especialmente a pele, é uma aliada decisiva para salvar a

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27/09/2026 10:00 • Atualizado há 2 horas

Doação de pele é vital contra queimaduras, mas ainda esbarra em tabus

O transplante não se restringe a órgãos vitais como coração, rins e fígado: a doação de tecidos, especialmente a pele, é uma aliada decisiva para salvar a vida de pacientes com queimaduras graves. Em São Paulo, o Hospital Geral de Vila Penteado, unidade da Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP) utiliza o tecido doado para estabilizar quadros críticos e reduzir complicações severas.

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A relevância do procedimento ganha destaque com a proximidade do Dia Nacional do Doador de Órgãos, celebrado neste domingo (27). A data serve de alerta para desmistificar o processo de doação de tecidos e incentivar o diálogo em casa, já que a falta de informação continua sendo o principal entrave para a autorização das famílias.

O papel da pele como barreira protetora

No Brasil, cerca de 70 mil internações por queimaduras são registradas todos os anos na rede pública de saúde, de acordo com dados da Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ). Em episódios de queimaduras extensas, a destruição da pele elimina a principal barreira de defesa do organismo contra agentes externos.

Sem essa camada, o paciente fica vulnerável a infecções bacterianas graves, perda massiva de líquidos corporais e desregulação da temperatura corporal (hipotermia). Nesses cenários, a pele doada atua como um curativo biológico temporário, cobrindo as áreas cruentas enquanto o paciente é estabilizado e passa pelas etapas cirúrgicas e reconstrutivas do tratamento.

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David Ribeiro, coordenador da Unidade de Queimados do Hospital Geral de Vila Penteado, destaca a importância vital desse recurso:

"Ainda existe muito desconhecimento sobre a doação de pele. Muitas pessoas não sabem que esse tecido pode ser utilizado no tratamento de pacientes com queimaduras e que existem protocolos rigorosos para todo o processo. A pele exerce funções essenciais para o organismo, entre elas a proteção contra agentes externos e a manutenção da hidratação e da temperatura corporal. Quando grandes áreas são atingidas por queimaduras, a perda dessa barreira exige cuidados especializados e uma estratégia adequada de cobertura das lesões."

Desmistificação e protocolos rigorosos

Apesar do impacto terapêutico positivo, a captação de tecidos ainda esbarra em tabus. Familiares frequentemente recusam a doação por desconhecerem as etapas do procedimento ou por receio quanto à preservação do corpo do doador. Especialistas reforçam que a retirada da pele segue normas sanitárias e cirúrgicas rigorosas, retirando apenas finas lâminas de áreas que não ficam expostas, sem alterar a aparência externa para velório ou sepultamento.

Falar abertamente sobre o tema reduz o medo e garante que decisões conscientes sejam tomadas nos momentos de perda, viabilizando o socorro a vítimas que dependem desse tecido em UTIs de queimados.

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Cenário de transplantes e autorização familiar

A mobilização em torno da conscientização reflete-se nos índices de transplantes paulistas. Até agosto, o Estado de São Paulo registrou 700 doadores e 6.099 captações de órgãos e córneas por meio da Central de Transplantes do Estado. Em 2025, o território paulista contabilizou 8.875 procedimentos do tipo — uma alta de 6,8% na comparação com as 8.311 intervenções realizadas em 2024.

Pela legislação brasileira, a doação de órgãos e tecidos após a morte encefálica ou parada cardiorrespiratória só pode ocorrer mediante autorização formal de cônjuge ou parentes de até segundo grau. Não há valor legal em registros por escrito ou em documentos pessoais; por isso, a Secretaria de Estado da Saúde orienta que quem tem a intenção de ser doador comunique expressamente essa vontade aos familiares em vida.