Saúde

Embrapa desenvolve método mais simples e barato para detectar tuberculose

Tecnologia dispensa equipamentos caros e amplia o rastreamento da doença em bovinos, humanos e alimentos

3 min

15/09/2026 15:43 • Atualizado há 2 dias

Embrapa desenvolve método mais simples e barato para detectar tuberculose

Uma tecnologia desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em parceria com a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), simplifica o cultivo de amostras para diagnóstico da tuberculose. O método recebeu carta-patente do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e promete baratear a identificação da enfermidade em pessoas, animais de criação e derivados alimentícios.

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A inovação surgiu durante o doutorado do pesquisador da Fhemig Ronaldo Rodrigues da Costa, na Faculdade de Medicina da UFJF. O estudo teve a orientação da professora Isabel Cristina Gonçalves Leite e a coordenação do pesquisador Márcio Roberto Silva, da Embrapa Gado de Leite.

Com a validação laboratorial concluída e a patente concedida, o Centro Regional de Inovação e Transferência de Tecnologia da UFJF (Critt/UFJF) busca agora parceiros privados. O objetivo é viabilizar o licenciamento e a fabricação comercial do produto, que ainda passará pelo crivo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A cultura de bactérias pelo método tradicional, chamado de Petroff, é considerada o padrão-ouro da medicina para confirmar a cura e identificar resistência a remédios. No entanto, o procedimento exige centrífugas refrigeradas e cabines de biossegurança de alto custo, o que restringe as análises aos grandes centros urbanos.

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O novo sistema, denominado RRTB, supera essa barreira física ao utilizar um swab (haste flexível com ponta de algodão) para descontaminar a amostra. O procedimento elimina a necessidade de centrifugação e emprega uma solução neutralizadora própria composta por ácido cítrico, citrato de amônio e citrato de sódio.

Essa mistura química viabiliza a semeadura no meio Löwenstein-Jensen, a alternativa de menor custo e mais comum na rede nacional. Diferente de outros métodos simplificados que analisam apenas escarro, a nova técnica permite avaliar fluidos corporais estéreis, como o líquor e líquidos da pleura.

A professora Isabel Cristina Leite explica que a solução adapta metodologias existentes para ampliar o acesso ao exame em países em desenvolvimento. Na visão de Márcio Roberto Silva, o método permite que laboratórios de menor porte, inclusive instalados em áreas rurais, realizem a testagem sem depender de estruturas complexas.

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A eficiência do sistema foi comprovada inicialmente em um estudo-piloto com 77 amostras. O teste registrou sensibilidade superior a 90% e derrubou a taxa de contaminação para 1,30%, índice muito abaixo dos 2,60% e 6,50% verificados nos métodos convencionais.

Em seguida, a validação passou por sete laboratórios de referência em Minas Gerais, com a análise de 593 pares de amostras. A etapa contou com a avaliação da Fundação Ezequiel Dias (Funed) e financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).

Os resultados conferiram ao teste a classificação TRL 8, patamar que indica maturidade tecnológica pronta para a rotina prática. O avanço também alcançou projeção internacional ao ser selecionado pela Sociedade Real de Medicina Tropical e Higiene, do Reino Unido, como um dos quatro destaques globais no combate à enfermidade.

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Além do uso clínico humano, os cientistas comprovaram a eficiência do sistema no diagnóstico da tuberculose zoonótica. A doença é causada pelo micro-organismo Mycobacterium bovis, bactéria que provoca perdas expressivas na pecuária e pode infectar seres humanos, principalmente pelo consumo de leite cru.

Ao ajustar o meio de cultivo com piruvato, nutriente que estimula o crescimento dessa bactéria, o teste viabilizou a análise direta em amostras animais e em derivados do leite. O mecanismo fortalece o controle sanitário nos rebanhos e evita que lotes contaminados cheguem ao consumidor.

Silva ressalta que o avanço consolida o princípio de Saúde Única, conceito internacional que reconhece a ligação direta entre o bem-estar dos animais, do ambiente e da população humana.

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