Fibrilação atrial eleva em até cinco vezes o risco de AVC isquêmico
Uma alteração nos batimentos cardíacos pode aumentar significativamente o risco de Acidente Vascular Cerebral (AVC). É o caso da fibrilação atrial, a arritmia

Fibrilação atrial eleva em até cinco vezes o risco de AVC isquêmico
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Uma alteração nos batimentos cardíacos pode aumentar significativamente o risco de Acidente Vascular Cerebral (AVC). É o caso da fibrilação atrial, a arritmia sustentada mais comum na prática clínica, que pode elevar em até cinco vezes o risco de AVC isquêmico, causado pela obstrução de uma artéria que leva sangue ao cérebro.
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Segundo a Diretriz Brasileira de Fibrilação Atrial publicada no ano passado, a arritmia aumenta, em média, quatro vezes a chance de AVC e está associada a maior risco de morte e de insuficiência cardíaca.
O alerta ganha destaque em 29 de outubro, Dia Mundial de Combate ao AVC, data dedicada à conscientização sobre prevenção, diagnóstico e tratamento da doença.
Mecanismos e diretrizes de prevenção
A relação entre as duas condições está na formação de coágulos sanguíneos. Na fibrilação atrial, os átrios deixam de se contrair de forma eficaz, o que favorece a estagnação do sangue, principalmente no apêndice atrial esquerdo, onde podem se formar coágulos que bloqueiam a circulação no cérebro.
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De acordo com a diretriz brasileira, cerca de 15% a 30% de todos os AVCs isquêmicos têm como causa a fibrilação atrial, condição que pode não apresentar sintomas evidentes.
“A fibrilação atrial merece atenção porque nem sempre provoca sintomas. Mesmo quando a pessoa não percebe nenhuma alteração, a arritmia pode aumentar significativamente o risco de AVC. Por isso, identificar o problema é fundamental para avaliar os riscos de cada paciente e definir medidas de prevenção”, explica Cristiano Faria Pisani, cardiologista, especialista em eletrofisiologia e presidente da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC).
A nova Diretriz Brasileira de Fibrilação Atrial propõe um cuidado integrado conduzido por equipe multidisciplinar, organizado em cinco pilares que incluem terapia antitrombótica, controle do ritmo cardíaco e monitoramento de fatores de risco.
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“A nova diretriz brasileira reforça que a prevenção do AVC é prioridade no cuidado do paciente com fibrilação atrial. Ela traz ferramentas mais simples para estimar o risco e enfatiza que o tratamento deve ir além do remédio, incluindo o controle da pressão, do peso, do diabetes e do consumo de álcool e a investigação da apneia do sono”, afirma Pisani.
Impacto em jovens e estratégias de tratamento
Embora o risco aumente com a idade, um estudo publicado em setembro de 2026 na revista científica Neurology identifica um aumento de aproximadamente 83% na incidência de AVC entre pessoas de 20 a 54 anos.
“Não devemos esperar o aparecimento de um problema grave para cuidar da saúde cardiovascular. Acompanhar a pressão arterial, controlar o diabetes, manter hábitos saudáveis e investigar alterações nos batimentos cardíacos são medidas importantes para identificar riscos e prevenir complicações”, afirma Pisani.
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Para pacientes diagnosticados, a avaliação para uso de anticoagulantes é central. Conforme a diretriz, os anticoagulantes orais diretos configuram a opção preferencial, enquanto o fechamento percutâneo do apêndice atrial esquerdo é considerado em casos específicos de alto risco.
“A anticoagulação é uma das principais ferramentas para prevenir o AVC em pacientes com fibrilação atrial que precisam desse tratamento. No entanto, a indicação deve ser individualizada, considerando os riscos e benefícios para cada pessoa. O paciente nunca deve interromper o anticoagulante por conta própria”, orienta o cardiologista.
