Frederico Bastos explica os desafios do tratamento do câncer de próstata
Urologista e cirurgião em Itaperuna (RJ), Frederico Bastos aborda o diagnóstico, as opções de tratamento

TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS
Receber um diagnóstico de câncer de próstata costuma despertar preocupações sobre a necessidade de cirurgia e as possíveis consequências do tratamento. Entretanto, nem todos os tumores apresentam o mesmo comportamento. Enquanto alguns podem ser acompanhados por meio de avaliações periódicas, outros exigem intervenções específicas, conforme o grau de agressividade, a extensão da doença e as condições de saúde do paciente.
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Para Frederico Reis Bastos, médico com atuação em urologia e uro-oncologia em Itaperuna, no interior do Rio de Janeiro, compreender essas diferenças é fundamental para evitar decisões influenciadas pelo medo ou por experiências de outras pessoas.
"O câncer de próstata é uma doença extremamente individual. Cada câncer tem o seu grau de agressividade, tem a sua repercussão clínica, tem o seu risco. Nenhum paciente tem um câncer idêntico ao outro, assim como nenhuma cirurgia de próstata que fiz até hoje foi idêntica à outra", explica.
Essa particularidade também influencia a maneira como o diagnóstico deve ser comunicado. Além de compreender as características da doença, o paciente precisa receber informações claras sobre as possibilidades terapêuticas, seus benefícios e suas limitações.
Câncer de próstata pode ser silencioso: quando investigar?
Nas fases iniciais, o câncer de próstata frequentemente não apresenta sintomas. Isso significa que a ausência de dor ou de alterações urinárias não descarta a presença da doença. Quando surgem dificuldades para urinar, diminuição da força do jato urinário ou aumento da frequência das idas ao banheiro, essas manifestações também podem estar associadas à hiperplasia prostática benigna, condição caracterizada pelo crescimento não canceroso da próstata.
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Embora possam coexistir, a hiperplasia e o câncer são doenças distintas. Por isso, sintomas urinários persistentes devem ser investigados, sem que sejam automaticamente associados a um tumor maligno.
A avaliação pode envolver a dosagem do antígeno prostático específico (PSA), realizada por exame de sangue, e o toque retal. O PSA é uma proteína produzida pela próstata que pode apresentar níveis elevados por diferentes causas, incluindo alterações benignas. Portanto, um resultado aumentado não confirma, isoladamente, a presença de câncer.
Quando há suspeita clínica, a ressonância magnética pode contribuir para identificar áreas que necessitam de investigação. A confirmação do diagnóstico depende da análise de amostras do tecido prostático obtidas por biópsia.
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É importante distinguir a investigação de sintomas do rastreamento, realizado em pessoas sem manifestações da doença. O Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Câncer (INCA) não recomendam o rastreamento indiscriminado da população masculina, considerando os riscos de resultados falso-positivos, diagnósticos excessivos e tratamentos desnecessários. A decisão individual deve envolver uma conversa sobre benefícios e possíveis prejuízos.
Entre os fatores considerados nessa avaliação estão a idade, o histórico familiar e determinadas predisposições genéticas. Alterações hereditárias em genes como BRCA1, BRCA2 e ATM podem ter relevância em situações específicas, inclusive na avaliação de risco e das características da doença.
Quando acompanhar o câncer de próstata é uma opção?
A descoberta de um tumor não determina, por si só, a necessidade de cirurgia imediata. Em casos selecionados, especialmente quando o câncer apresenta baixo risco de progressão, uma das alternativas é a vigilância ativa.
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Essa estratégia consiste em acompanhar a evolução da doença por meio de consultas e exames programados, com o objetivo de identificar alterações que possam justificar o início de um tratamento. Não se trata de abandonar o cuidado, mas de evitar intervenções que, naquele momento, poderiam oferecer mais riscos do que benefícios.
A escolha depende também do comportamento biológico do tumor. Enquanto alguns cânceres permanecem localizados e apresentam menor potencial de progressão, outros podem atingir estruturas próximas ou se espalhar para diferentes regiões do organismo, condição conhecida como metástase. Nesses casos, podem ser necessários tratamentos que atuem sobre a doença de maneira mais ampla.
Bastos destaca que essa diversidade exige decisões específicas para cada situação clínica.
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"Existem cânceres de muito baixo risco. Esses cânceres podem ser acompanhados através de um protocolo de vigilância ativa. Existem os cânceres que são operados na tentativa de uma cura cirúrgica da doença oncológica e existem cânceres que são tratados de maneira sistêmica, com remédios quimioterápicos e bloqueio hormonal", afirma.
Além da cirurgia e dos tratamentos medicamentosos, a radioterapia também pode ser indicada, isoladamente ou em associação com outras abordagens. A escolha considera o estágio do câncer, as condições clínicas e os possíveis impactos de cada alternativa.
O médico observa ainda que relatos de amigos, familiares ou informações encontradas na internet podem criar expectativas que não correspondem ao diagnóstico individual.
"O paciente, quando chega com o diagnóstico de câncer de próstata, tem uma expectativa boa ou ruim, dependendo das histórias que escutou antes de chegar ao atendimento. Ele precisa ser inserido no contexto da doença dele", esclarece.
Compreender essas particularidades ajuda o paciente a participar das decisões de maneira mais consciente, sem presumir que o tratamento indicado para outra pessoa será necessariamente adequado ao seu caso.
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Cirurgia de próstata: recuperação e qualidade de vida
Quando a cirurgia é necessária, o planejamento envolve não apenas o controle do câncer, mas também possíveis repercussões sobre a continência urinária e a função sexual. Essas preocupações fazem parte da avaliação médica, especialmente porque podem influenciar o bem-estar e a rotina após o procedimento.
Entre as abordagens disponíveis está a cirurgia assistida por robô, na qual o cirurgião controla instrumentos articulados por meio de uma plataforma tecnológica que oferece visão ampliada e recursos de precisão. A técnica permite realizar determinados procedimentos de forma minimamente invasiva, embora não elimine os riscos associados à operação.
A possibilidade de preservar as funções urinária e sexual está relacionada, entre outros fatores, à extensão do tumor e às estruturas anatômicas que precisam ser tratadas. Em determinadas situações, é possível empregar técnicas que procuram preservar os nervos e tecidos envolvidos nessas funções. Em outras, a necessidade de uma retirada mais ampla pode aumentar o risco de alterações funcionais.
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Essa avaliação exige equilibrar a segurança oncológica com a preservação da qualidade de vida, sem comprometer o tratamento da doença.
Na prática clínica, Bastos procura organizar as expectativas dos pacientes a partir de quatro prioridades, que abrangem o procedimento, o controle do câncer e a recuperação funcional.
"O primeiro passo é vencer a etapa cirúrgica. A segunda etapa é vencer o câncer. O terceiro passo é recuperar o controle urinário após a cirurgia e, no último passo, que normalmente se recupera de forma mais tardia, está a disfunção sexual. Quando o paciente encara essa cronologia de uma maneira muito honesta, ele fica mais tranquilo por entender o tamanho do problema que está enfrentando", relata.
O acompanhamento após a cirurgia também é parte importante do tratamento. Além de monitorar a evolução oncológica, por meio de avaliações clínicas e exames como o PSA, a equipe médica observa a recuperação urinária e sexual, que pode ocorrer em ritmos diferentes.
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Dependendo das necessidades individuais, a reabilitação pode envolver fisioterapia especializada, exercícios orientados e tratamentos medicamentosos. Entretanto, nem todas as funções são necessariamente recuperadas de forma integral, o que reforça a importância do esclarecimento antes do procedimento.
Apesar dos avanços tecnológicos, Bastos ressalta que a utilização de uma plataforma robótica não representa garantia de preservação funcional. O resultado depende de fatores relacionados à doença, ao paciente e à abordagem cirúrgica.
"A principal frase que me incomoda é quando o paciente chega ao consultório dizendo que veio operar por robô porque vai manter a função sexual. Ele procura o robô com essa garantia. É a primeira questão que procuro desmistificar. A robótica pode oferecer maiores chances de manutenção da função sexual, porém não existe garantia", destaca.
A definição do tratamento deve considerar seus possíveis benefícios, limitações e consequências, respeitando as particularidades clínicas e as preferências do paciente.
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Mais do que determinar se uma cirurgia será necessária, o cuidado com o câncer de próstata envolve compreender o comportamento da doença e acompanhar suas diferentes etapas. A informação qualificada e o diálogo com a equipe médica permitem que as decisões sejam tomadas com expectativas realistas, considerando tanto o controle do tumor quanto a qualidade de vida.
Quem é Frederico Bastos
Natural de Itaperuna, no interior do Rio de Janeiro, Frederico Reis Bastos cresceu em uma família formada por um médico-veterinário e uma professora. O interesse pela medicina surgiu ainda na adolescência, motivado pelo desejo de ajudar as pessoas. Sua formação universitária aconteceu no Rio de Janeiro, onde encontrou na urologia uma especialidade que reunia duas áreas pelas quais se interessava: o acompanhamento clínico e a atuação cirúrgica.
Mestre em Medicina e Biomedicina, com pós-graduação em cirurgia robótica, é apresentado em programações científicas como membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia (TISBU) e membro da American Urological Association (AUA). Sua trajetória também está ligada ao ensino, como professor do curso de Medicina da Universidade Iguaçu (UNIG) e preceptor da residência médica em Urologia do Hospital São José do Avaí, contribuindo para a formação de novos profissionais.
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Atualmente, atua em Itaperuna, com atenção às doenças urológicas, especialmente às condições relacionadas à próstata, à uro-oncologia e aos tratamentos cirúrgicos minimamente invasivos. Apesar da proximidade com tecnologias avançadas, preserva uma abordagem centrada na relação entre médico e paciente. Valoriza a escuta ativa, o esclarecimento das dúvidas e a participação da família nas decisões, quando necessário, considerando não apenas o diagnóstico, mas também os receios, as expectativas e a qualidade de vida de quem procura atendimento.
FREDERICO REIS BASTOS | CRM-RJ 780189 | CIRURGIA GERAL - RQE N.: 59188 | UROLOGIA - RQE N.: 59189
Instagram: @drfredericobastos.urologia
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Crédito: Tv Notícias Assessoria de Imprensa / Brasil News

