Saúde

Gravidez de Maju Coutinho: riscos e possibilidades de gestação tardia

Caso da apresentadora reflete adiamento da gestação no Brasil; médica especialista em alto risco detalha limites

3 min

03/09/2026 12:08 • Atualizado há 6 horas

Gravidez de Maju Coutinho: riscos e possibilidades de gestação tardia

A jornalista e apresentadora Maju Coutinho, de 48 anos, anunciou que está grávida do primeiro filho, fruto do casamento com o artista visual Agostinho Paulo Moura. O comunicado colocou em evidência as possibilidades e os desafios da gravidez tardia, um fenômeno que deixou de ser pontual e passou a integrar a rotina médica no país.

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Dados do Registro Civil do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram uma transformação expressiva no perfil reprodutivo nacional. Em 2004, as mulheres com 25 anos ou mais representavam 48,3% dos nascimentos no Brasil. Duas décadas depois, em 2024, o índice subiu para 65,4%, com salto ainda mais significativo na faixa a partir dos 40 anos.

Carreira e avanço médico explicam espera

Conforme aponta a ginecologista e obstetra Fernanda Lehrer, especialista em gestação de alto risco, a busca por consolidação profissional é um dos motores dessa mudança. Muitas pacientes relatam receio de engravidar antes de atingir estabilidade, temendo perder espaço ou ritmo de crescimento corporativo. A maternidade, em determinados setores, ainda é percebida como desvantagem de mercado.

Ao mesmo tempo, as inovações na medicina reprodutiva trouxeram maior segurança para postergar a maternidade. Segundo a médica, figuras públicas que geram filhos mais velhas funcionam como referências, reforçando a percepção de viabilidade. Contudo, essa visibilidade pode criar a ilusão de que o relógio biológico foi superado, quando as chances de concepção espontânea permanecem muito mais elevadas antes dos 40 anos, sobretudo até os 35.

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Os limites da ciência e a preservação

A médica ressalta que técnicas médicas auxiliam no processo, mas não rejuvenescem o organismo da paciente. "A medicina evoluiu muito e hoje temos técnicas capazes de aumentar as chances de uma gestação em idades mais avançadas, mas isso é diferente de dizer que conseguimos preservar ou recuperar a fertilidade", avalia Fernanda. Ela destaca que inexistem remédios ou suplementos com poder de frear o envelhecimento dos óvulos.

A preservação genética ocorre via congelamento de óvulos ou embriões, idealmente feito antes dos 35 anos. Quando essa reserva não existe, alternativas como ovodoação ou doação de embriões garantem melhores taxas de sucesso, já que óvulos de doadoras mais jovens apresentam maior probabilidade de gerar embriões saudáveis. "Essas técnicas aumentam as chances, mas infelizmente não garantem uma gestação", pontua a especialista.

Complicações exigem pré-natal rigoroso

Gestações acima dos 40 anos requerem vigilância clínica redobrada em virtude do aumento de desfechos adversos. Uma revisão sistemática baseada em mais de 31 milhões de casos demonstrou que o risco de óbito fetal sobe 2,2 vezes nessa faixa etária. O perigo de pré-eclâmpsia eleva-se 1,7 vez, enquanto a restrição de crescimento fetal é 1,6 vez maior. O parto prematuro apresenta índice 40% superior, e a mortalidade materna chega a triplicar.

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Na visão da médica, o risco estatístico não determina que os problemas ocorrerão de forma inevitável. Ela explica que o papel central do pré-natal é rastrear fatores modificáveis, monitorar vulnerabilidades crônicas e agir no tempo clínico correto, revertendo cenários críticos e garantindo a segurança de mãe e bebê ao longo de todo o desenvolvimento gestacional.

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