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Hérnia de disco exige cirurgia? Carlos Cartobei explica quando operar

Neurocirurgião detalha sinais de alerta, tratamento conservador e critérios que podem levar à indicação cirúrgica.

8 min

22/09/2026 19:08 • Atualizado há 4 horas

Hérnia de disco exige cirurgia? Carlos Cartobei explica quando operar

O diagnóstico de hérnia de disco costuma provocar apreensão. Para muitas pessoas, a descoberta é rapidamente associada à possibilidade de cirurgia, afastamento das atividades diárias ou até perda de movimentos. A presença da alteração em um exame, no entanto, não determina sozinha qual será o tratamento.

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O neurocirurgião Carlos Leandro Cartobei de Oliveira Pereira, cuja prática atual é voltada principalmente às doenças da coluna, explica que a avaliação precisa considerar o conjunto formado pelos sintomas, exame físico, histórico clínico e achados de imagem.

“A maioria das hérnias de disco não é cirúrgica. Muitas vezes, conseguimos conduzir o paciente de maneira conservadora. O exame de imagem tem importância, mas ele precisa corresponder ao que encontramos na avaliação clínica. Não tratamos apenas aquilo que aparece na ressonância; precisamos entender se aquela alteração realmente explica o que o paciente está sentindo.”

Os discos intervertebrais ficam entre as vértebras e participam da mobilidade e da absorção de impacto da coluna. Quando essa estrutura sofre alterações, parte do disco pode se deslocar e, em determinados casos, atingir ou comprimir estruturas nervosas.

Segundo Carlos Cartobei, não é comum existir uma única explicação para o surgimento da hérnia. Traumas podem estar envolvidos em alguns casos, mas o especialista também chama atenção para fatores associados à rotina contemporânea, como sedentarismo, fraqueza muscular e longos períodos na mesma posição.

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“Hoje vemos muitas pessoas que passam horas trabalhando sentadas. Aos poucos, elas podem desenvolver musculatura mais fraca e hábitos posturais que aumentam a sobrecarga sobre determinadas regiões da coluna. Isso não significa que exista uma causa única, mas mostra por que precisamos olhar para o estilo de vida do paciente e não apenas para o exame.”

Quando a dor na coluna merece investigação

Dores lombares e cervicais são frequentes e, isoladamente, não significam que exista uma hérnia de disco. O comportamento da dor e os sintomas associados ajudam a indicar quando é necessário aprofundar a investigação.

Entre os sinais mencionados pelo neurocirurgião estão a dor persistente, o desconforto que não melhora com as medidas iniciais, sintomas que interferem no sono e a dor que se estende para braços ou pernas.

Quando existe compressão de uma raiz nervosa, pode ocorrer a chamada radiculopatia. Nesses casos, o caminho percorrido pela dor fornece informações importantes para a avaliação médica.

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“Na neurologia e na neurocirurgia, o trajeto do sintoma pode nos orientar bastante. Uma dor que começa na região lombar e percorre determinada parte da perna pode indicar qual raiz nervosa está envolvida. Na cervical, o mesmo raciocínio se aplica quando o desconforto segue para o braço. A localização ajuda a construir o diagnóstico.”

Essa análise também explica por que uma ressonância magnética não deve ser interpretada de forma isolada. Algumas alterações podem aparecer no exame sem provocar sintomas relevantes, enquanto a intensidade da dor nem sempre acompanha o tamanho ou o aspecto da imagem.

Para Cartobei, esse é um dos pontos mais importantes na relação entre médico e paciente: explicar o significado real do achado e evitar que o diagnóstico seja recebido como uma sentença.

“O paciente chega, muitas vezes, muito assustado porque leu um laudo e encontrou termos que parecem graves. Cabe ao médico mostrar o que aquilo representa no contexto daquela pessoa. É preciso explicar por que ela sente dor, quais são as possibilidades de tratamento e quais caminhos fazem sentido para o quadro apresentado.”

Tratamento conservador e o momento de considerar a cirurgia

Quando não existe indicação de intervenção imediata, a abordagem pode envolver medicamentos, fisioterapia, fortalecimento muscular e atividade física, conforme as características do paciente.

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A cirurgia passa a ser considerada principalmente quando essas medidas não apresentam resposta satisfatória ou quando a intensidade dos sintomas e a repercussão sobre a rotina justificam uma abordagem mais direta.

“Uma das situações em que começamos a discutir cirurgia é quando houve uma tentativa adequada de tratamento conservador e o paciente continua muito limitado. Também existem quadros em que a dor é tão importante que prolongar aquele sofrimento pode não ser a melhor escolha. É uma decisão que depende da condição clínica e precisa ser individualizada.”

O especialista reforça que não existe uma única estratégia aplicável a todas as pessoas com hérnia de disco. A localização da alteração, a intensidade da dor, a resposta aos tratamentos anteriores e o impacto dos sintomas na vida cotidiana precisam ser analisados em conjunto.

Fortalecimento, prevenção e cuidados com a rotina

A manutenção da atividade física tem papel importante nos cuidados com a coluna. Na região lombar, o fortalecimento abdominal e da musculatura paravertebral pode contribuir para a sustentação do tronco. Na região cervical, exercícios voltados à musculatura dos ombros, trapézio e costas podem integrar o cuidado.

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Carlos Cartobei prefere não transformar essa orientação em uma prescrição rígida de modalidade. Para ele, a atividade precisa ser compatível com a rotina e, principalmente, ter chance de se tornar um hábito.

“Quando falamos em atividade física, muita gente pensa imediatamente em academia, mas não precisa ser assim. A pessoa pode fazer fisioterapia, pilates, hidroginástica ou outra atividade com a qual se identifique. O importante é manter a musculatura ativa e dar atenção especial à região que necessita de fortalecimento.”

Para quem já apresenta dor ou alteração conhecida na coluna, a escolha dos exercícios deve respeitar as condições clínicas e, quando necessário, contar com orientação profissional.

Tecnologia ampliou as possibilidades da cirurgia de coluna

Nos pacientes que realmente precisam de cirurgia, recursos tecnológicos passaram a auxiliar tanto no planejamento quanto na execução de determinados procedimentos.

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Entre eles está a neuromonitorização, utilizada em algumas cirurgias para acompanhar a resposta de estruturas do sistema nervoso durante a operação. Outro recurso é a endoscopia, que pode permitir acessos menores em situações específicas.

Segundo Cartobei, algumas hérnias e determinados estreitamentos podem ser tratados por técnicas endoscópicas, mas a indicação depende da anatomia, da localização da alteração e do objetivo do procedimento.

“A tecnologia nos permite trabalhar de forma cada vez mais precisa, mas ela não substitui a boa indicação. Há casos em que a endoscopia oferece uma alternativa menos invasiva e outros em que não é a técnica mais adequada. O recurso deve ser escolhido para o paciente, e não o paciente para o recurso.”

Além das questões técnicas, um dos principais desafios continua sendo lidar com o medo que acompanha a indicação de uma cirurgia de coluna. A possibilidade de perda de movimentos ainda aparece com frequência entre as preocupações dos pacientes.

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Carlos Cartobei afirma que esses receios não devem ser ignorados nem minimizados. O caminho, segundo ele, passa por uma conversa clara sobre benefícios, limitações e riscos.

“Toda cirurgia tem possíveis complicações, inclusive complicações importantes, e o paciente precisa saber disso. O que não podemos fazer é transformar uma possibilidade em uma certeza e aumentar ainda mais a angústia de quem já chega com medo. Informação clara também faz parte do cuidado.”

Essa relação ganha ainda mais importância quando o paciente procura uma segunda ou terceira opinião depois de sair inseguro de uma consulta anterior. Para o neurocirurgião, compreender o próprio diagnóstico é parte da tomada de decisão.

“A pessoa tem o direito de saber o que está acontecendo com ela, por que determinado tratamento está sendo proposto e quais alternativas existem. Em alguns momentos, o médico precisa ser mais objetivo na recomendação, mas a decisão continua envolvendo alguém que precisa entender o que será feito no próprio corpo.”

Dor persistente não deve ser normalizada

Nem toda dor exige investigação complexa, mas sintomas que permanecem, pioram ou passam a limitar as atividades merecem atenção. A automedicação repetida, especialmente quando não há melhora, também pode adiar uma avaliação necessária.

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No entendimento de Carlos Cartobei, o principal recado é não permitir que o medo de um diagnóstico ou de uma possível cirurgia faça com que o paciente ignore sinais persistentes.

“Não é necessário se alarmar com qualquer dor, mas também não é adequado conviver indefinidamente com um sintoma sem procurar entender a causa. Quando uma medida inicial não resolve e o desconforto continua, é importante buscar avaliação. Quanto mais cedo entendemos o que está acontecendo, mais condições temos de organizar o tratamento de forma adequada.”

Quem é Carlos Cartobei

Carlos Leandro Cartobei de Oliveira Pereira construiu sua formação médica passando por diferentes regiões, sistemas de saúde e realidades de atendimento. Nascido em Niterói, no Rio de Janeiro, cresceu em Porto Velho, Rondônia, onde viveu até o início da vida adulta.

A formação em Medicina aconteceu em Cuba, experiência que, segundo ele, marcou especialmente sua visão sobre atenção primária e cuidado centrado no paciente. De volta ao Brasil, revalidou o diploma pela Universidade Federal da Paraíba e posteriormente realizou pós-graduação em Saúde da Família.

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A formação em Neurocirurgia também percorreu diferentes serviços do país. Iniciou a residência no Rio Grande do Sul, passou posteriormente pelo Nordeste e concluiu a especialização na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, a Unirio.

Hoje, atua principalmente no tratamento de doenças da coluna, com destaque para quadros como hérnia de disco, além de outras condições neurocirúrgicas. A passagem por contextos distintos de atendimento acabou incorporada à maneira como conduz as consultas.

Para Cartobei, explicar o diagnóstico em linguagem compreensível, ouvir as dúvidas e compartilhar com o paciente as razões por trás de cada conduta são partes do próprio tratamento.

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CRM 256.772 | RQE 129.303

Instagram: @dr.carloscartobei

Site: https://neurostars.com.br

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Crédito: Tv Notícias Assessoria de Imprensa / Brasil News