Hérnia nem sempre dói: Gustavo Ferreira fala quais sinais exigem atenção
Cirurgião com atuação em hérnias da parede abdominal explica sintomas e riscos de complicações

Uma pequena saliência no umbigo ou na virilha, sensação de ardência após o exercício e desconforto durante determinados esforços podem ser sinais de uma hérnia da parede abdominal. Embora a dor seja frequentemente associada à gravidade do problema, ela não deve ser considerada o único parâmetro para definir a necessidade de avaliação.
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O cirurgião Gustavo Ferreira, que concentra parte de sua atuação no tratamento de hérnias da parede abdominal, explica que muitos pacientes convivem com alterações discretas por algum tempo antes de perceber que existe uma fragilidade na região.
“Muitas hérnias provocam poucos sintomas no início. Por isso, o fato de não haver uma dor intensa não significa que a alteração deva ser ignorada. O mais importante é observar o comportamento daquele abaulamento, os desconfortos associados e qualquer mudança no padrão habitual.”
A hérnia ocorre quando existe uma área de fragilidade na parede abdominal. Por essa abertura, estruturas que normalmente permanecem dentro da cavidade podem se projetar para fora, formando o abaulamento percebido pelo paciente.
Para facilitar a compreensão, Gustavo Ferreira costuma recorrer a uma comparação simples.
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“Eu explico como se fosse uma área fragilizada de um pneu. Na parede abdominal, existe uma falha estrutural, e é por essa região que o conteúdo pode se projetar. Quando operamos, não estamos simplesmente retirando a saliência: estamos corrigindo a fragilidade que permitiu que ela surgisse.”
Ardência, abaulamento e esforço físico: o que observar
Nem toda hérnia causa sintomas importantes desde o início. Em alguns casos, a primeira manifestação é apenas uma saliência que aparece ao ficar em pé, durante o esforço ou após atividade física e diminui quando a pessoa deita ou relaxa o abdômen.
Sensações recorrentes de ardência ou queimação também merecem atenção, principalmente quando surgem sempre na mesma região.
“Se a pessoa percebe que determinados exercícios provocam repetidamente uma sensação de ardência na virilha, no umbigo ou em outro ponto da parede abdominal, isso merece investigação. O mesmo vale para um abaulamento que aparece com o esforço e desaparece quando o abdômen relaxa.”
Pessoas que passaram por cirurgias abdominais anteriores também podem desenvolver hérnias em áreas próximas às cicatrizes, já que esses locais podem apresentar maior fragilidade.
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Uma dúvida comum é se levantar peso, por si só, seria capaz de causar uma hérnia. Segundo Gustavo Ferreira, o esforço muitas vezes funciona mais como um fator que torna uma alteração já existente perceptível.
“É comum o paciente associar o surgimento da hérnia a um período em que começou a carregar mais peso ou intensificou os treinos. Muitas vezes, porém, já existia uma fragilidade que ainda não provocava sintomas. Com o aumento da pressão dentro do abdômen, a alteração passa a se manifestar.”
Na musculação, portanto, o sinal de alerta não é simplesmente a prática do exercício, mas a repetição de sintomas localizados, especialmente durante atividades que exigem maior contração da musculatura abdominal.
Toda hérnia precisa ser operada?
O diagnóstico de uma hérnia não significa, automaticamente, que uma cirurgia precise ser realizada de imediato.
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Em pacientes assintomáticos ou com poucos sintomas, o acompanhamento pode ser considerado após avaliação individual. A decisão depende do tipo de hérnia, das condições clínicas da pessoa, da evolução do quadro e da relação entre riscos e benefícios.
“A indicação cirúrgica precisa ter um benefício claro para aquele paciente. Existem situações em que é possível acompanhar e reavaliar ao longo do tempo. Em outras, os sintomas, a evolução da hérnia ou o risco de complicações mudam completamente a decisão.”
Não existe medicamento capaz de fechar a falha da parede abdominal. Quando a cirurgia é indicada, a escolha da técnica também depende das características de cada caso.
A preparação do paciente pode ser uma etapa importante nesse processo. Excesso de peso, tabagismo e diabetes mal controlado, por exemplo, são fatores considerados antes de uma operação, especialmente em quadros mais complexos.
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Para Gustavo, a decisão nem sempre é simples porque existe um equilíbrio entre melhorar as condições clínicas e evitar que o problema evolua enquanto a cirurgia é adiada.
“O cenário ideal é chegar ao procedimento com os fatores de risco o mais controlados possível. Mas nem sempre existe um paciente ideal. Em alguns casos, precisamos preparar essa pessoa por mais tempo; em outros, é necessário avaliar até que ponto continuar esperando também pode trazer riscos.”
Ele destaca ainda que indicar uma cirurgia envolve reconhecer os limites de segurança.
“Há situações em que a melhor decisão do cirurgião é não operar naquele momento. Também há casos em que médico e paciente precisam compreender juntos os riscos e decidir de maneira muito transparente qual conduta é mais adequada.”
Quando a hérnia pode se tornar uma urgência
Entre as possíveis complicações estão o encarceramento e o estrangulamento.
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O encarceramento ocorre quando o conteúdo que atravessou a abertura da hérnia fica preso e deixa de retornar espontaneamente para dentro do abdômen. Um dos sinais possíveis é a mudança no comportamento de uma saliência que antes diminuía e passa a permanecer evidente, dolorosa ou endurecida.
“Quando uma hérnia que normalmente reduzia deixa de voltar para dentro e passa a provocar uma dor mais importante, existe a possibilidade de encarceramento. Esse paciente precisa ser avaliado rapidamente para definir a conduta.”
O estrangulamento representa uma situação mais grave. Nesse quadro, a compressão pode comprometer a circulação do tecido que ficou preso.
“Se o conteúdo permanece comprimido, pode ocorrer redução do fluxo de sangue. Quando há uma alça intestinal envolvida, existe risco de sofrimento do tecido, necrose e perfuração. É uma situação que exige abordagem de emergência.”
Por isso, dor forte e persistente, associada principalmente a um abaulamento que mudou de comportamento e não desaparece como antes, não deve ser banalizada.
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Tela cirúrgica e recuperação após o procedimento
Quando a operação é indicada, uma das dúvidas frequentes dos pacientes envolve o uso da tela cirúrgica.
O material pode ser utilizado para reforçar a área fragilizada da parede abdominal. Em vez de funcionar apenas como uma barreira física, ele serve de suporte para a formação de tecido naquela região.
“A tela é posicionada em uma área que já apresentava fragilidade. O organismo forma tecido ao redor desse material e cria uma nova camada de sustentação, o que ajuda no reforço da parede abdominal.”
A necessidade da tela, sua posição e a técnica escolhida dependem do tipo de hérnia e da avaliação do cirurgião.
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Outro receio recorrente está relacionado ao período posterior à cirurgia. Muitos pacientes chegam ao consultório acreditando que, depois do procedimento, não poderão mais praticar esportes ou realizar atividades físicas.
Gustavo Ferreira considera essa percepção um dos principais mitos relacionados ao tratamento.
“A proposta é justamente permitir que a pessoa volte à sua rotina depois da recuperação. Se ela praticava futebol, musculação ou outro esporte, o objetivo é que possa retomar essas atividades após a liberação adequada. A cirurgia não deve ser encarada como uma condenação à limitação.”
Os prazos variam de acordo com o tamanho da cirurgia, a técnica empregada e a resposta de cada paciente. A retomada costuma ser progressiva, evitando tanto o esforço precoce quanto períodos desnecessariamente longos de inatividade.
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Informação também faz parte do tratamento
Além das decisões técnicas, o medo da cirurgia é um componente frequente no atendimento.
Para Gustavo, parte dessa insegurança está relacionada ao desconhecimento sobre o diagnóstico, o procedimento e as possibilidades de recuperação. Por isso, ele considera fundamental que o paciente compreenda cada etapa e tenha espaço para tirar dúvidas.
“Eu não posso prometer que tudo acontecerá exatamente como previsto, porque qualquer procedimento envolve riscos. O que posso oferecer é clareza sobre o tratamento, acompanhamento e uma relação em que o paciente saiba que suas dúvidas e eventuais intercorrências serão conduzidas com responsabilidade.”
Esse vínculo também influencia a maneira como ele organiza o acompanhamento. Gustavo Ferreira relata que procura explicar as alternativas de tratamento, os motivos de cada indicação e os limites de cada técnica, para que a decisão não seja percebida como automática.
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Em casos de suspeita de hérnia, especialmente quando há abaulamento persistente, desconforto recorrente ao esforço ou mudança no padrão da dor, a avaliação individual é necessária para definir se o quadro pode ser acompanhado ou se demanda intervenção.
Quem é Gustavo Ferreira
Gustavo Alves Araújo Ferreira nasceu em Araguaína, no Tocantins, onde também iniciou sua formação médica. Durante a graduação no UNITPAC, teve contato próximo com atividades acadêmicas para além da sala de aula e participou de ligas voltadas à prática médica, entre elas a Liga Tocantinense de Cirurgia e a Liga Araguainense do Tórax, experiências que ajudaram a aproximá-lo progressivamente da área cirúrgica.
No início da faculdade, a cirurgia ainda não era uma escolha definida. Gustavo chegou a considerar a pneumologia, mas o contato com a rotina cirúrgica e, principalmente, com a possibilidade de oferecer soluções mais imediatas para determinadas condições clínicas mudou seu percurso profissional.
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Depois da graduação, passou por São Paulo, onde trabalhou como médico, e posteriormente seguiu para Brasília para realizar a residência médica. Foi nesse período que consolidou sua formação cirúrgica e ampliou a experiência em diferentes tipos de procedimentos.
Com o avanço da prática profissional, passou a direcionar cada vez mais os estudos para hérnias da parede abdominal, técnicas minimamente invasivas e cirurgia robótica. Hoje, essa atuação é acompanhada por uma forma de atendimento que valoriza a explicação detalhada das alternativas, a preparação do paciente antes da cirurgia e o acompanhamento próximo no pós-operatório.
Para Gustavo Ferreira, a técnica e a relação com o paciente não são dimensões separadas do trabalho. A escolha de um procedimento, segundo ele, precisa considerar tanto as características clínicas quanto a compreensão do paciente sobre riscos, possibilidades e limites do tratamento.
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CRM: 22896/DF | RQE N.: 16638
Instagram: @drgustavoalves_ferreira

Crédito: TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS
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