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Saúde

IA mapeia média de 15 internações diárias por violência doméstica no SUS

No entanto, muitas vítimas chegam aos atendimentos com lesões e fraturas graves, mas ocultam a real causa

2 min

24/10/2026 21:18 • Atualizado há 12 horas

Uma nova pesquisa desenvolvida pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) utilizou ferramentas de inteligência artificial para analisar cerca de 190 milhões de prontuários e evoluções clínicas do Sistema Único de Saúde entre os anos de 2008 e 2023. O levantamento revelou uma média de 15 internações diárias de mulheres vítimas de violência doméstica no país, dimensionando um volume de dados invisibilizado que não poderia ser processado de forma manual.

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Conforme aponta a pesquisadora da Unifesp Maria Elisabete Graziosi, o uso da tecnologia é essencial porque são "informações em evoluções clínicas que a gente não consegue analisar de forma manual; suspeitas que só ao final foram validadas pelo CID-10, que é violência doméstica".

O estudo destaca que as unidades de saúde frequentemente representam o primeiro ponto de contato e a principal oportunidade de comunicação fora do ambiente familiar para mulheres em situação de vulnerabilidade. No entanto, muitas vítimas chegam aos atendimentos com lesões e fraturas graves, mas ocultam a real causa, relatando falsos acidentes domésticos ou quedas por receio ou coerção.

Especialistas ressaltam que a ausência de denúncia torna a vítima invisível para a assistência e o monitoramento do Estado, impedindo o suporte adequado à família. Diante disso, profissionais de saúde possuem o dever de acolher e notificar os órgãos competentes sempre que houver indícios ou relatos de agressão, conforme ressalta a advogada criminalista Ana Paula Caliman: "quando uma mulher chega a uma unidade de saúde e ali ela relata que ela é vítima de violência doméstica, o médico, a enfermeira, ele não pode, só por si só, por a mulher não querer denunciar se permanecer inerte; ele deve sim comunicar as autoridades oficiais e também deve acolher essa mulher".