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Insônia e névoa mental podem ser sinais de perimenopausa, diz Denise Paulo

Ginecologista detalha sintomas que muitas mulheres confundem com estresse, cansaço ou sobrecarga da rotina.

6 min

21/09/2026 11:31 • Atualizado há 29 dias

Insônia e névoa mental podem ser sinais de perimenopausa, diz Denise Paulo

A menopausa costuma ser lembrada principalmente pelas ondas de calor e pela interrupção da menstruação. As mudanças no organismo feminino, porém, podem começar antes. Na perimenopausa, período que antecede a menopausa, alterações hormonais podem ser acompanhadas por sintomas físicos, emocionais e cognitivos, mesmo quando a mulher ainda mantém ciclos menstruais.

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Oscilações de humor, dificuldade de concentração, alterações no sono, redução da libido e mudanças no padrão menstrual estão entre as manifestações que podem surgir nessa fase. Como muitos desses sinais também estão relacionados a outras condições ou à própria sobrecarga da rotina, a avaliação não deve partir de um sintoma isolado.

Para a ginecologista Denise Paulo, uma das queixas que merece atenção é a sensação de que a própria mulher deixou de se reconhecer.

“É muito frequente receber uma paciente que diz: ‘Eu não me reconheço mais’. Durante muito tempo, associamos menopausa quase exclusivamente às ondas de calor, quando essa transição pode envolver alterações de humor, insônia, maior instabilidade emocional e a chamada névoa mental. E tudo isso pode começar enquanto a mulher ainda menstrua regularmente”, explica.

Perimenopausa pode aparecer de formas pouco conhecidas

A transição não acontece da mesma maneira para todas as mulheres. Algumas percebem primeiro mudanças no ciclo menstrual. Para outras, as alterações iniciais aparecem no sono, na memória ou na disposição.

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A chamada névoa mental é um exemplo. O termo é usado para descrever relatos de dificuldade de concentração, lapsos de memória ou momentos em que a pessoa perde o fio do raciocínio. Queda de cabelo e mudanças na qualidade dos fios também aparecem entre as queixas mencionadas pela ginecologista.

Esses sintomas, no entanto, não são exclusivos da perimenopausa. Por isso, Denise considera a escuta da paciente parte importante da investigação.

“É preciso conversar, conhecer a história e entender como esses sintomas surgiram e evoluíram. Nem sempre uma paciente que chega com alteração emocional ou insônia está diante exclusivamente de uma questão hormonal. O acompanhamento permite reunir as queixas, observar o contexto e avaliar se existem outros fatores que precisam ser investigados”, afirma.

Essa avaliação individualizada também ajuda a evitar dois extremos: ignorar sintomas por considerá-los consequência natural da idade ou atribuir qualquer mudança depois dos 40 anos aos hormônios.

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Perimenopausa e menopausa não são a mesma fase

A perimenopausa corresponde ao período de transição anterior à menopausa. Nessa etapa, a mulher continua menstruando e pode apresentar ciclos regulares ou mudanças progressivas no padrão menstrual.

Já a menopausa é estabelecida após 12 meses consecutivos sem menstruação.

A investigação pode incluir exames laboratoriais, dependendo do quadro, mas Denise ressalta que os resultados precisam ser analisados junto à história clínica. Um exame isolado não traduz necessariamente toda a experiência daquela paciente.

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“Os exames são complementares. Existem situações em que as alterações são sutis e, quando se observa apenas um resultado de forma isolada, ele pode não explicar aquilo que a mulher está sentindo. Por isso, sintomas, idade, ciclo menstrual, antecedentes e avaliação clínica precisam ser considerados em conjunto”, esclarece.

A diferenciação também é relevante quando a interrupção da menstruação acontece muito cedo. Segundo a ginecologista, quando a menopausa ocorre antes dos 40 anos, o quadro exige uma avaliação específica. Alterações importantes da função ovariana em mulheres mais jovens também precisam ser investigadas, em vez de serem tratadas como uma variação esperada dessa fase da vida.

Exercício e massa muscular ganham importância ao longo dos anos

Os cuidados com a saúde durante a transição para a menopausa não começam necessariamente quando surgem os primeiros sintomas.

Alimentação equilibrada, atividade física e hábitos de vida consistentes fazem parte das medidas que Denise considera importantes antes e durante essa etapa. Para ela, o exercício deve ser compreendido para além da estética.

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A preservação da massa muscular ganha relevância com o passar dos anos por sua relação com força, mobilidade e independência funcional. Durante a menopausa, a saúde óssea também passa a exigir atenção, especialmente diante da redução dos níveis de estrogênio.

“Quando falamos em músculo depois dos 40 anos, estamos falando também de longevidade. A expectativa de vida aumentou e a mulher pode passar uma parcela significativa da vida após a menopausa. Preservar força e massa muscular significa pensar na capacidade de se movimentar, manter independência e ter qualidade de vida no futuro”, destaca.

Não existe, portanto, uma medida única capaz de preparar a mulher para essa fase. A orientação da ginecologista é menos baseada em soluções rápidas e mais na manutenção de hábitos que possam ser sustentados ao longo do tempo.

Informação ajuda a romper tabus sobre a saúde da mulher

Sintomas relacionados à sexualidade, alterações urinárias ou mudanças emocionais ainda podem ser acompanhados de constrangimento. Mesmo desconfortos que interferem na rotina, no relacionamento ou na qualidade de vida nem sempre chegam espontaneamente ao consultório.

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Esse silêncio pode retardar a investigação de questões que merecem atenção.

“Muitas mulheres começam uma pergunta dizendo que talvez seja uma dúvida boba ou sentem vergonha de falar sobre determinadas queixas. Nenhuma pergunta é irrelevante quando se trata da própria saúde. Ter informação e conseguir falar sobre aquilo que mudou é parte do cuidado”, afirma Denise.

A mesma lógica vale para os tratamentos. A existência de sintomas não significa que todas as mulheres necessitam da mesma abordagem. A indicação depende da intensidade das queixas, dos antecedentes pessoais e familiares, das condições clínicas e das necessidades de cada paciente.

Reconhecer os sinais da perimenopausa, portanto, não significa transformar qualquer desconforto em uma alteração hormonal. Significa conhecer melhor uma etapa da saúde feminina que pode começar antes do fim da menstruação e que merece ser avaliada sem banalização, vergonha ou fórmulas universais.

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Quem é Denise Paulo

Denise de Sousa Paulo é médica formada pela Faculdade de Medicina do ABC, onde também realizou residência médica em Ginecologia e Obstetrícia e aprofundou a formação em Uroginecologia. Ao longo da trajetória acadêmica, buscou ampliar o olhar sobre diferentes dimensões da saúde feminina, com aprimoramento em Sexualidade pela Universidade Federal de São Paulo e pós-graduação em Medicina Esportiva.

Em 2012, realizou um período de observação em cirurgia ginecológica na Cleveland Clinic, em Ohio, nos Estados Unidos. A experiência aproximou a médica de uma estrutura de alta tecnologia e, segundo ela, também reforçou sua percepção sobre a importância da prevenção e da atenção primária no cuidado à saúde.

Sua trajetória inclui ainda atuação ligada à formação em Uroginecologia e Disfunções do Assoalho Pélvico na Faculdade de Medicina do ABC. Atualmente, dedica parte importante do atendimento às mulheres a partir dos 40 anos, especialmente durante a perimenopausa e a menopausa, conciliando aspectos ginecológicos, sexualidade, saúde do assoalho pélvico e qualidade de vida.

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Para Denise, essa assistência também passa pela escuta. Ao lidar com queixas que muitas mulheres ainda consideram constrangedoras ou pouco importantes, ela defende que o atendimento permita compreender não apenas um sintoma, mas as mudanças que ele provoca na rotina e no bem-estar da paciente.

CRM 142060 | RQE 65965

Instagram: @dra_denisepaulo

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