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Manchas que voltam: Luis Albino fala dos desafios do tratamento do melasma

Dermatologista explica por que a pigmentação reaparece mesmo após o clareamento e quais cuidados mantem o resultados

7 min

05/11/2026 18:39 • Atualizado há 2 horas

Manchas que voltam: Luis Albino fala dos desafios do tratamento do melasma

Tv Notícias Assessoria de Imprensa / Brasil News

As manchas escuras que aparecem no rosto nem sempre representam apenas uma preocupação estética. Em muitos casos, estão associadas ao melasma, uma condição dermatológica crônica que pode comprometer a autoestima e exigir cuidados prolongados. Embora os tratamentos disponíveis permitam reduzir a pigmentação, a possibilidade de recorrência continua sendo um dos principais desafios para o controle da doença.

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O dermatologista Luis Antonio Queiroz Albino, que atua em Curitiba, no Paraná, explica que as alterações de pigmentação estão entre as queixas frequentes em seu consultório. As mais comuns incluem manchas decorrentes de processos inflamatórios, como picadas de insetos e queimaduras, melanoses solares, relacionadas à exposição acumulada ao sol, e melasma, especialmente desafiador pela persistência das lesões.

Apesar de apresentarem características semelhantes, essas alterações possuem causas distintas e nem sempre respondem aos mesmos tratamentos. O diagnóstico correto é, portanto, o primeiro passo para evitar intervenções inadequadas e preservar a saúde da pele.

Por que o melasma aparece e pode voltar mesmo após o tratamento?

Caracterizado por manchas acastanhadas, geralmente localizadas nas bochechas, na testa e acima do lábio superior, o melasma afeta principalmente mulheres adultas, embora também possa atingir homens. Seu desenvolvimento envolve predisposição genética, influência hormonal e exposição à radiação ultravioleta. A luz visível também pode contribuir para o escurecimento das áreas afetadas.

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Ao contrário do que se acreditava anteriormente, o problema não está exclusivamente relacionado à gravidez ou às alterações hormonais. A condição envolve mecanismos complexos de produção de melanina, pigmento responsável pela coloração da pele, além de processos inflamatórios que favorecem a manutenção das manchas.

Mesmo quando o tratamento proporciona um clareamento expressivo, a exposição solar pode estimular novamente a pigmentação. Por essa razão, o melasma é considerado uma condição controlável, mas sem cura definitiva reconhecida.

Para Albino, compreender essa característica é fundamental para evitar frustrações e expectativas incompatíveis com a evolução da doença.

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"Quando o paciente tem melasma, precisa compreender que o tratamento exige continuidade. As manchas podem clarear bastante, mas, se houver exposição excessiva ao sol, podem voltar a escurecer. É um desafio que exige acompanhamento", explica.

O impacto emocional também merece atenção. Por atingir principalmente o rosto, o melasma pode interferir na percepção da própria imagem, levando algumas pessoas a recorrerem a diferentes produtos e procedimentos na tentativa de eliminar rapidamente as manchas.

Clareadores e receitas caseiras: quando a tentativa de melhorar a pele provoca novos danos

A automedicação representa uma preocupação importante no tratamento das alterações de pigmentação. Entre as substâncias que exigem acompanhamento está a hidroquinona, utilizada em formulações despigmentantes e, em determinadas situações, associada a retinoides e corticosteroides tópicos.

Embora apresente eficácia reconhecida, seu uso prolongado ou inadequado pode provocar irritações e alterações na coloração da pele, incluindo complicações de difícil tratamento. A escolha da concentração, do período de aplicação e das associações medicamentosas deve considerar as características individuais do paciente.

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Albino relata que já recebeu pessoas que utilizaram clareadores durante anos sem acompanhamento, prolongando o tratamento na expectativa de obter resultados mais intensos. Em determinadas situações, a tentativa de remover uma alteração acaba provocando outras, inclusive áreas de perda de pigmentação.

Um episódio particularmente marcante envolveu uma paciente que, após sucessivas tentativas de controlar o melasma, recebeu a recomendação de aplicar limão na pele e se expor ao sol, acreditando que a combinação produziria um efeito semelhante ao de um peeling. O resultado foi uma queimadura importante, seguida pelo aparecimento de manchas claras e escuras.

O contato com substâncias presentes em frutas cítricas, associado à radiação solar, pode desencadear fitofotodermatite, reação inflamatória capaz de provocar queimaduras e alterações persistentes na pigmentação.

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A experiência ilustra uma preocupação que, segundo o dermatologista, ultrapassa os limites do consultório.

"Quando uma doença afeta a autoestima, a pessoa fica muito vulnerável a qualquer orientação. Uma orientação boa pode ajudá-la a seguir um caminho satisfatório, mas uma orientação errada pode causar consequências graves", observa.

O risco se torna ainda mais preocupante quando a dificuldade de acesso à assistência especializada leva pacientes a buscar soluções improvisadas. Para o médico, reconhecer essa vulnerabilidade é parte essencial de um atendimento que considere não apenas a manifestação cutânea, mas também o sofrimento de quem procura ajuda.

Albino também chama a atenção para o excesso de intervenções, especialmente quando o paciente busca resultados imediatos e recorre a diferentes procedimentos sem considerar os riscos envolvidos.

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"No tratamento do melasma, menos pode ser mais. É uma condição que podemos controlar, mas não curar definitivamente. Por isso, não devemos recorrer a tratamentos indiscriminados na tentativa de acelerar os resultados", orienta.

Quais tratamentos funcionam e como evitar novas manchas?

O tratamento do melasma pode envolver formulações despigmentantes e procedimentos dermatológicos. A estratégia depende da extensão das manchas, da sensibilidade da pele, das condições clínicas e dos resultados obtidos anteriormente.

Entre as opções tópicas estão substâncias como ácido azelaico, hidroquinona e combinações medicamentosas específicas, utilizadas conforme avaliação profissional. Em situações selecionadas, procedimentos como peelings químicos e microagulhamento podem complementar o tratamento. Tecnologias a laser também apresentam possibilidades terapêuticas, mas sua indicação requer cautela, uma vez que intervenções inadequadas podem intensificar a inflamação e agravar a pigmentação.

O dermatologista destaca a importância de considerar o histórico de cada paciente antes de definir a abordagem terapêutica, evitando soluções padronizadas para condições que podem apresentar características distintas.

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"Precisamos avaliar quando o melasma surgiu, há quanto tempo está presente e como a pele se apresenta. A partir dessas informações, definimos a abordagem mais adequada para cada paciente", explica.

Na avaliação de Albino, os recursos disponíveis devem ser escolhidos de acordo com sua segurança, eficácia e viabilidade financeira, sem associar necessariamente tratamentos mais caros a resultados superiores.

"Tenho que utilizar algo que seja acessível à população, que apresente resultados e tenha evidência clínica. Às vezes, o paciente paga por um tratamento caro e, ainda assim, o resultado não corresponde às suas expectativas", afirma.

Independentemente da abordagem escolhida, a fotoproteção permanece entre as medidas mais importantes para controlar o melasma. A recomendação inclui o uso diário de protetor solar de amplo espectro, com FPS 30 ou superior, conforme as necessidades individuais. Formulações com cor e pigmentos como óxidos de ferro podem oferecer proteção adicional contra a luz visível, que também contribui para o agravamento das manchas.

Durante atividades ao ar livre, recomenda-se reaplicar o protetor solar aproximadamente a cada duas horas, ou antes, após nadar, transpirar intensamente ou secar a pele com toalha. Chapéus de abas largas, roupas com proteção solar e a busca por sombra complementam os cuidados.

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A hidratação facial também contribui para preservar a barreira cutânea, especialmente durante tratamentos que podem provocar ressecamento e sensibilidade. Esses cuidados devem ser mantidos mesmo após a melhora das manchas, já que o melasma apresenta tendência à recorrência.

Além disso, nem toda alteração de cor é benigna. Pintas que crescem, mudam de formato ou apresentam diferentes tonalidades, assim como lesões que sangram espontaneamente ou não cicatrizam, exigem avaliação dermatológica para descartar outras condições, incluindo câncer de pele.

"Uma pinta que sempre esteve presente pode começar a coçar, mudar de cor ou apresentar sangramento. São alterações que inspiram cuidado e precisam ser investigadas", alerta o especialista.

Quem é Luis Antonio Queiroz Albino?

O interesse de Luis Antonio Queiroz Albino pela medicina surgiu ainda na infância, influenciado por uma educação familiar que valorizava o conhecimento e pelo incentivo de sua avó, presença marcante em sua formação. A vocação ganhou contornos definitivos com a escolha pela dermatologia, especialidade que despertou seu interesse pela possibilidade de conciliar investigação clínica, procedimentos cirúrgicos e uma relação próxima com os pacientes.

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Sua trajetória acadêmica inclui residência médica em dermatologia na Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp) e mestrado na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), com pesquisa dedicada às dermatofitoses, infecções fúngicas que atingem a pele. O interesse pelo ensino também marcou sua carreira: durante aproximadamente dez anos, atuou como professor em Maringá, no Paraná, participando da formação de médicos e da organização de atendimentos à população com o apoio de profissionais voluntários.

A busca por novas experiências profissionais o levou à Europa, onde, conforme relata, obteve equivalência do diploma médico em Portugal e também exerceu a profissão na França. Ao retornar ao Brasil, integrou serviços públicos de saúde em São Paulo, incluindo o Hospital do Servidor Público Estadual e um ambulatório dedicado ao atendimento de pessoas com HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis.

Atualmente, exerce a medicina em Curitiba, no Paraná, com consultório no bairro Batel e atuação em dermatologia clínica, doenças da pele, alterações capilares e procedimentos dermatológicos. Embora também realize tratamentos estéticos, demonstra especial identificação com a investigação de doenças e com o cuidado de pacientes que enfrentam sofrimento físico ou emocional.

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A experiência em diferentes contextos de assistência contribuiu para consolidar uma postura pautada pela escuta e pelo respeito às particularidades de cada pessoa, especialmente diante de condições dermatológicas associadas a preconceitos e tabus.

"Faça pelo outro aquilo que você faria por si mesmo. Ofereça o cuidado que gostaria de receber", afirma, ao sintetizar o princípio que procura preservar em sua prática profissional.

Luis Antonio Queiroz Albino | Médico dermatologista | CRM-PR 15105 | RQE-PR 6263.

Instagram: @drluis.albino

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Crédito: Tv Notícias Assessoria de Imprensa / Brasil News