Saúde

Memória humana: por que lembrar não é como gravar fatos

Esquecer o nome de alguém, perder as chaves de casa ou sofrer o famoso “branco” no momento em que precisa de uma informação são situações comuns do cotidiano.

2 min

15/10/2026 08:48 • Atualizado há 9 horas

Memória humana: por que lembrar não é como gravar fatos

Memória humana: por que lembrar não é como gravar fatos

Magnific

Esquecer o nome de alguém, perder as chaves de casa ou sofrer o famoso “branco” no momento em que precisa de uma informação são situações comuns do cotidiano. No entanto, a memória humana esconde uma característica menos evidente: mesmo quando existe absoluta certeza sobre uma lembrança, ela opera de forma totalmente distinta de uma gravação exata dos acontecimentos.

Continua depois da publicidade

O ato de lembrar configura um processo ativo. Ao recuperar uma vivência passada, o cérebro reconstrói a informação utilizando diferentes elementos guardados, o que justifica o fato de duas pessoas vivenciarem o mesmo episódio e relatarem recordações divergentes posteriormente.

Para a juíza federal, mestranda em Psicologia Forense e pesquisadora em emoções e tomada de decisão, Alessandra Belfort, compreender essa dinâmica é fundamental tanto para a rotina quanto para a interpretação de depoimentos e a tomada de decisões.

“No meu trabalho, vejo com frequência como a memória é reconstrutiva. Pessoas sinceras podem lembrar de forma diferente o mesmo fato. Isso não é mentira, é o funcionamento normal da memória”, afirma.

Continua depois da publicidade

A experiência acumulada no âmbito do Judiciário demonstra que a sensação de segurança ao relatar uma lembrança e a precisão matemática sobre os fatos não caminham necessariamente juntas.

“Entender que lembrar é reconstruir, e não abrir um arquivo, muda a forma como avaliamos depoimentos e também a forma como confiamos nas nossas próprias lembranças”, complementa.

Estratégias para favorecer a recuperação de informações

Embora o cérebro não funcione como um arquivo estático, adotar técnicas simples no dia a dia pode auxiliar na recuperação de dados e combater o esquecimento momentâneo. Interromper os estímulos visuais ao fechar os olhos por alguns segundos reduz a competição por atenção, facilitando o resgate de imagens e situações específicas, conforme aponta a pesquisadora.

Continua depois da publicidade

Outra recomendação consiste em tentar resgatar a resposta por conta própria antes de recorrer a buscas na internet, exercitando o mecanismo mnemônico.

Falar em voz alta o que precisa ser lembrado acrescenta uma nova camada de registro, criando associações adicionais entre a ação e o conteúdo pretendido. Relacionar dados novos a conhecimentos prévios e fazer pausas estratégicas quando o estresse do “branco” se manifesta também otimizam o funcionamento cognitivo.

“A sensação de ‘está na ponta da língua’ mostra que a informação pode estar parcialmente acessível, mas ainda não conseguimos recuperá-la naquele momento. Continuar sob pressão nem sempre ajuda. Em determinadas situações, mudar de foco por alguns minutos permite retomar a tentativa com menos tensão”, explica Alessandra.

Tópicos relacionados