Monique Braz explica quando a dor pode indicar endometriose
Ginecologista e obstetra fala de sintomas, investigação e o papel da técnica minimamente invasiva em casos selecionados

Tv Notícias Assessoria de Imprensa / Brasil News
“Aprender a conviver” com a dor ainda faz parte da experiência de muitas mulheres. Cólicas que interrompem compromissos, desconfortos recorrentes e sintomas que interferem na rotina podem ser minimizados durante anos antes de motivarem uma investigação. É justamente essa naturalização que chama a atenção da ginecologista e obstetra Monique Braz, que atua em São Paulo e tem em sua prática o acompanhamento clínico e cirúrgico de condições ginecológicas, com atuação também em endoscopia ginecológica e técnicas minimamente invasivas.
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Para ela, um dos primeiros movimentos de cuidado acontece antes de qualquer exame ou procedimento: perceber o próprio corpo e reconhecer quando um sintoma começa a ultrapassar os limites do cotidiano.
“A mulher precisa entender o próprio corpo e perceber quando um sintoma deixa de ser ocasional e começa a interferir na sua vida. A dor não deve ser normalizada apenas porque se repete há muito tempo. Investigar é uma forma de cuidado e também de respeito ao que o corpo está sinalizando.”
Entre as condições que podem estar associadas à dor pélvica está a endometriose, doença ginecológica que pode se manifestar de formas diferentes e exige avaliação individualizada.
Quando a dor merece investigação
A endometriose pode estar relacionada a manifestações como cólicas intensas e dor pélvica, mas os sintomas não são iguais para todas as pacientes. A frequência, a intensidade e, principalmente, o impacto provocado na rotina fazem parte da avaliação. Isso significa que uma mulher não deve tentar estabelecer sozinha um diagnóstico apenas pela presença de cólicas, já que diferentes condições ginecológicas podem apresentar sintomas semelhantes e a investigação depende da história clínica, da avaliação médica e, quando necessário, de exames complementares.
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O maior acesso à informação também mudou a maneira como muitas pacientes observam o próprio corpo. Hoje, termos relacionados à endometriose e a outras doenças ginecológicas circulam com maior facilidade, o que pode ajudar na identificação de sinais antes ignorados. Esse acesso, porém, precisa ser acompanhado de critério, especialmente para que a busca por informação não seja confundida com diagnóstico.
“Ter acesso à informação pode ajudar a mulher a perceber que existe uma mudança e levá-la a procurar orientação mais cedo. Mas existe uma diferença importante entre reconhecer um sinal e definir um diagnóstico. A informação pode despertar uma dúvida; a avaliação médica é o que permite compreender aquele quadro de forma individual.”
Quando o acolhimento interfere no diagnóstico
Falar sobre saúde ginecológica ainda envolve temas que podem causar vergonha, insegurança ou constrangimento. Dor durante a relação sexual, alterações menstruais e outros sintomas íntimos nem sempre aparecem espontaneamente em uma consulta, sobretudo quando a própria paciente passou muito tempo acreditando que deveria suportar determinado desconforto. Nesse contexto, a qualidade da escuta pode interferir diretamente na forma como a história clínica é construída.
Monique defende um atendimento no qual a mulher consiga falar sem receio de ser julgada e sem sentir que precisa minimizar aquilo que sente.
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“Existem mulheres que chegam ao consultório depois de anos convivendo com determinado desconforto porque aprenderam a acreditar que aquilo era normal. Quando a paciente se sente acolhida, ela consegue contar detalhes que talvez nunca tenha mencionado antes. Muitas vezes, é justamente nessa escuta cuidadosa que surgem informações essenciais para conduzir a investigação.”
A humanização, nesse contexto, não está separada da parte técnica. Ela pode ajudar a revelar informações importantes sobre frequência da dor, mudanças no ciclo, limitações na rotina e outros aspectos que contribuem para a avaliação médica. Conhecer o próprio padrão menstrual e conseguir perceber mudanças também pode facilitar esse diálogo e tornar a consulta mais completa.
Endometriose sempre precisa de cirurgia?
O diagnóstico de endometriose não significa, por si só, indicação cirúrgica. A conduta depende das características do quadro, dos sintomas, da avaliação clínica e das necessidades de cada paciente. O tratamento pode envolver diferentes estratégias: em alguns casos, a abordagem é clínica; em outros, depois de uma avaliação individual, pode haver indicação de procedimento cirúrgico.
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Monique atua tanto no acompanhamento clínico quanto na cirurgia ginecológica e considera que essas duas frentes precisam caminhar juntas na tomada de decisão.
“Eu gosto muito da cirurgia, mas também gosto muito da clínica. O procedimento não pode ser pensado de forma isolada. Primeiro é preciso compreender quem é aquela paciente, o que ela sente, como esses sintomas afetam sua vida e qual é o objetivo do tratamento. A partir daí, conseguimos discutir a conduta mais adequada para aquele momento.”
Essa individualização é especialmente importante porque a endometriose não se manifesta da mesma maneira em todas as mulheres. A existência de uma possibilidade cirúrgica não significa que ela seja necessária para todas as pacientes, assim como a intensidade de um único sintoma não determina, isoladamente, o tratamento.
O papel da cirurgia minimamente invasiva
Quando existe indicação cirúrgica, técnicas minimamente invasivas podem fazer parte da abordagem de determinadas condições ginecológicas. Na videolaparoscopia, o acesso à cavidade abdominal e pélvica é realizado por pequenas incisões, com auxílio de uma câmera. A técnica permite visualizar estruturas internas e realizar procedimentos sem a necessidade das incisões maiores utilizadas na cirurgia aberta convencional.
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A histeroscopia também pertence ao campo da endoscopia ginecológica, embora tenha finalidade e via de acesso diferentes. O equipamento é introduzido pelo canal vaginal e pelo colo do útero, permitindo a visualização da cavidade uterina. Em situações selecionadas, o método pode ser utilizado tanto na investigação quanto na realização de procedimentos dentro do útero. Cada técnica possui indicações específicas, e a definição depende do diagnóstico, da localização da alteração, da complexidade do caso e das condições clínicas da paciente.
Abordagens minimamente invasivas podem favorecer aspectos da recuperação pós-operatória em casos adequadamente selecionados, mas não devem ser apresentadas como solução universal. Segurança, planejamento e indicação correta permanecem centrais.
“A tecnologia ampliou muito as possibilidades dentro da ginecologia, mas ela precisa estar a serviço de uma indicação bem-feita. Não se trata de escolher o procedimento mais moderno simplesmente porque ele existe. O objetivo é entender qual abordagem faz sentido para aquela mulher, com segurança e respeito às particularidades do caso.”
A busca por atualização acompanha a trajetória profissional de Monique desde sua mudança da Bahia para São Paulo. O contato com diferentes estruturas assistenciais e recursos tecnológicos ampliou seu interesse pela cirurgia minimamente invasiva e pelos avanços que continuam surgindo na área, e entre os próximos passos profissionais está o interesse em aprofundar os estudos relacionados à cirurgia robótica.
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Para a ginecologista, atualização tecnológica e atenção à paciente não ocupam lados opostos do atendimento. Quanto mais recursos a Medicina oferece, maior também é a responsabilidade de saber quando utilizá-los.
“A Medicina muda constantemente, e acompanhar essa evolução faz parte da nossa responsabilidade. Mas nenhum recurso tecnológico substitui a capacidade de ouvir. A tecnologia pode ampliar aquilo que conseguimos fazer; é a história da paciente que nos ajuda a entender o que realmente precisa ser feito.”
Esse equilíbrio entre técnica e escuta aparece como parte da forma como Monique conduz o atendimento: investigar sem minimizar sintomas, mas também sem transformar qualquer queixa em indicação de procedimento. Para mulheres que convivem com dor recorrente, a orientação central é observar mudanças e procurar avaliação quando os sintomas passam a interferir no cotidiano. Nem toda dor significa endometriose, assim como nem toda endometriose exige cirurgia. O primeiro passo é compreender o que está acontecendo e, a partir disso, discutir de forma individualizada as possibilidades de acompanhamento e tratamento.
Quem é Monique Braz
Monique Brito Braz é médica formada pela Universidade Federal da Bahia e realizou residência em Ginecologia e Obstetrícia em São Paulo. A mudança para o estado marcou uma etapa importante de sua formação, ampliando o contato com diferentes estruturas assistenciais, recursos tecnológicos e novas possibilidades dentro da especialidade.
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Ao longo da trajetória, direcionou parte de seu aperfeiçoamento para a endoscopia ginecológica e a cirurgia minimamente invasiva. Hoje, sua atuação reúne ginecologia clínica, obstetrícia e cirurgia ginecológica, com atendimentos no estado de São Paulo, incluindo a capital e Guarulhos.
Natural da Bahia, Monique construiu em São Paulo uma prática voltada à atualização técnica sem abrir mão da escuta cuidadosa. No atendimento, busca criar um ambiente em que as pacientes possam falar com segurança sobre dor, medo, vergonha e sintomas que, muitas vezes, foram normalizados durante anos.
Para ela, compreender a paciente também faz parte do processo de compreender a doença e definir, de forma individualizada, qual caminho seguir.
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Monique Brito BrazCRM-SP 221130 | RQE 130250 — Ginecologia e Obstetrícia
Crédito: Tv Notícias Assessoria de Imprensa / Brasil News

