
Especialista dá dicas para evitar IST no carnaval
Gov.br
O Carnaval é sinônimo de festa, mas o aumento do consumo de álcool e a multiplicidade de parcerias sexuais costumam levar ao descuido com a saúde. De acordo com o médico Celso Granato, infectologista e diretor Clínico do Grupo Fleury, as Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) exigem atenção redobrada não apenas nos blocos, mas em todos os momentos de intimidade. Confira as principais recomendações para curtir a folia com responsabilidade e segurança:
1. Preservativo: barreira essencial
A camisinha segue como um dos métodos mais eficazes. Ela protege contra HIV, sífilis, gonorreia e hepatites.
Atenção ao uso: Verifique sempre a data de validade e siga as instruções para evitar rompimentos ou vazamentos.
Variedade: Existem opções de uso interno e externo. Escolha a que melhor se adapta a você.
Outros cuidados: Não compartilhe seringas ou objetos cortantes. Em estúdios de tatuagem ou manicures, certifique-se de que os materiais sejam descartáveis ou esterilizados para evitar hepatites B e C.
2. Entenda as principais ISTs e seus riscos
HIV
O vírus é transmitido pelo contato sexual e pelo sangue.
Mito vs. Verdade: Não se transmite HIV por copos, talheres ou vasos sanitários.
Indetectável = Intransmissível: Pessoas sob tratamento adequado, com carga viral indetectável, não transmitem o vírus sexualmente. O risco reside no desconhecimento do diagnóstico ou na falta de tratamento.
Sífilis
Causada pela bactéria Treponema pallidum, pode se manifestar semanas após o contágio ou ser assintomática.
Transmissão: Ocorre pelo contato entre mucosas, mesmo sem penetração ou ejaculação.
Alerta: Pode ser transmitida até pelo beijo, caso haja uma lesão ativa na boca.
HPV (Vírus do Papiloma Humano)
Manifesta-se através de verrugas (condilomas) ou lesões invisíveis a olho nu.
Prevenção: A camisinha é importante, mas não protege 100%, pois o vírus pode estar em áreas não cobertas (como vulva ou escroto).
Vacina: É a forma mais eficaz de proteção.
Diagnóstico: Exames de PCR podem detectar o vírus e identificar o risco de câncer de colo de útero ou anal.
Clamídia e gonorreia
Bactérias que causam inflamações (uretrites e vaginites) e podem levar à infertilidade se não tratadas.
Sintomas em mulheres: Corrimento amarelado, dor e sangramento no sexo ou ao urinar.
Sintomas em homens: Ardor ao urinar e corrimento com pus.
3. Prevenção combinada: estratégia moderna
Atualmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde brasileiro defendem a Prevenção Combinada. Ela vai além do preservativo e inclui:
Informação de qualidade;
Testagem regular;
Vacinação (como para HPV e Hepatite B);
Medicamentos preventivos (como PrEP e PEP);
Tratamento imediato dos infectados.
"Essa estratégia permite que cada indivíduo tenha autonomia para escolher o método que melhor se adapta à sua realidade, aumentando a eficiência da proteção", afirma o Celso Granato.

