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Saúde

Entenda o que é Febre do Nilo Ocidental e como ela tem afetado o mundo

A proliferação do vírus transmitido pelo pernilongo comum atinge novas regiões do planeta e motiva vigilância reforçada no território nacional

4 min

25/08/2026 11:40 • Atualizado há 60 dias

Entenda o que é Febre do Nilo Ocidental e como ela tem afetado o mundo

O aumento de notificações da Febre do Nilo Ocidental e a confirmação de novos diagnósticos humanos colocaram os órgãos de vigilância epidemiológica em alerta reforçado no Brasil e no exterior neste mês de agosto.

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Causada por um flavivírus transmitido pela picada do mosquito Culex, conhecido popularmente como pernilongo comum, a infecção tem como hospedeiros naturais e principais reservatórios as aves silvestres. Humanos e cavalos atuam apenas como hospedeiros acidentais no ciclo biológico do patógeno.

O vírus segue um padrão sazonal de transmissão no hemisfério norte durante o verão. Na Europa, mais de 600 casos humanos autóctones foram registrados até agosto, com maior concentração na Itália, Grécia e Espanha. Nos Estados Unidos, o número de diagnósticos ultrapassa 180 casos em mais de 30 estados.

Em entrevista ao programa Bora Brasil, da Band, o médico infectologista Jean Gorintchteyn explicou a dinâmica de contaminação do vetor na natureza.

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"É uma febre viral, a Febre do Nilo Ocidental. Ela é transmitida por um mosquito Culex, um mosquito pernilongo comum, mas que geralmente compromete algumas áreas do país, como por exemplo a região amazônica. Esse mosquitinho vai lá, chupa o sangue das aves e se contamina", afirmou o especialista.

Cenário epidemiológico e casos no Brasil

O Brasil soma quatro diagnósticos confirmados em humanos em 2026. O estado de São Paulo confirmou dois pacientes infectados, enquanto Santa Catarina registrou outros dois diagnósticos, incluindo a apuração da morte de uma idosa de 77 anos decorrente da infecção. Há ainda a notificação de um caso provável no Piauí.

As equipes técnicas realizam o rastreamento dos pacientes para mapear as prováveis áreas de transmissão. Segundo o médico infectologista, parte dos diagnosticados esteve recentemente em locais com histórico da doença.

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"Tanto os casos de São Paulo quanto os de Santa Catarina estão sendo investigados para entender de que forma essas pessoas foram contaminadas. O que se sabe é que algumas delas tiveram viagem para a região amazônica, onde a Febre do Nilo Ocidental é endêmica, ou seja, sabemos da possibilidade de existir o mosquitinho infectado naquelas regiões", ressaltou Gorintchteyn.

No plano internacional, o vírus segue o padrão sazonal típico do verão no hemisfério norte, período em que as altas temperaturas aceleram a reprodução dos mosquitos. A Europa já computa mais de 600 infecções autóctones até agosto, com concentração expressiva na Itália, Grécia e Espanha. No território espanhol, o volume supera o total acumulado do ano anterior. Nos Estados Unidos, o total ultrapassa 180 ocorrências distribuídas por mais de 30 estados.

Sintomas, grupos de risco e complicações

Cerca de 80% das pessoas que contraem o vírus não manifestam nenhum sintoma clínico perceptível ao longo da infecção.

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Apenas 20% dos infectados apresentam sinais como febre súbita, dor de cabeça, dores musculares generalizadas e manchas avermelhadas na pele. Nesses quadros leves, os médicos orientam tratamento sintomático com analgésicos e antitérmicos, diante da ausência de medicamentos antivirais específicos.

"A vantagem é que mesmo o homem não tem sintomas que na maioria das vezes são exuberantes. Pode dar um pouquinho de dor no corpo, um pouquinho de febre, e apenas 20% podem apresentar sintomas", pontuou o infectologista.

As complicações neurológicas graves atingem menos de 1% do total de infectados, mas o risco cresce substancialmente entre idosos e pessoas com imunidade comprometida. Nesses grupos, o micro-organismo pode provocar encefalite ou meningite.

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"O grande problema é que em algumas pessoas, principalmente aquelas que têm algum problema na sua imunidade ou pessoas com idade avançada, como foi o caso dessa senhora de 77 anos, esse vírus pode causar alterações maiores, inclusive meningite e encefalite, que é a inflamação do cérebro", advertiu Gorintchteyn.

Origem e expansão geográfica do vírus

Cientistas isolaram o patógeno pela primeira vez em 1937 no distrito de West Nile, em Uganda, na África, após examinarem uma mulher febril. Durante décadas, o vírus provocou apenas surtos esporádicos no continente africano, no Oriente Médio e na bacia do Mediterrâneo.

No fim da década de 1990, o agente infeccioso iniciou uma expressiva expansão territorial impulsionada pelas rotas migratórias das aves. A doença atingiu a América do Norte em 1999 e se espalhou pelo continente americano e por diversas nações europeias.

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Embora o volume global acumulado na Europa permaneça abaixo dos recordes históricos, a presença do mosquito transmissor avança para províncias e regiões onde a circulação viral autóctone não ocorria anteriormente.

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