Insulina, anabolizantes e sal: entenda os riscos por trás do caso Ganley
Especialistas alertam para riscos de hipoglicemia, arritmias, trombose e até morte súbita associados ao uso de hormônios e estratégias agressivas de preparação

A morte do fisiculturista Gabriel Ganley, aos 22 anos, reacendeu um debate delicado dentro do universo fitness e do fisiculturismo: os riscos do uso de insulina, anabolizantes e protocolos extremos adotados na preparação para competições.
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Nos últimos dias, atletas e influenciadores que trabalharam com o mesmo preparador do jovem, o treinador Marcelo Cruz, relataram experiências envolvendo estratégias agressivas de manipulação hormonal e alimentar. Entre os relatos está o do influenciador Gabriel Morais, conhecido como “Camisa Roxa”, que afirmou ter recebido um protocolo prevendo o consumo de 75 gramas de sal em apenas três dias durante a fase final de preparação.
O DJ, cantor e atleta Davi Kneip também afirmou ter utilizado protocolos hormonais orientados pelo profissional e disse que a morte de Ganley o fez refletir sobre os riscos envolvidos no esporte.
Enquanto as circunstâncias envolvendo o caso seguem sob repercussão, especialistas alertam que o uso combinado de substâncias e estratégias extremas pode representar um risco grave para o organismo.
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Uso de anabolizantes pode causar alterações cardíacas e trombose
Segundo o médico nutrólogo e do esporte Carlos Alberto Werutsky, diretor do Departamento de Nutrologia Esportiva da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), o uso contínuo de esteroides anabolizantes em doses elevadas expõe atletas a riscos metabólicos e cardiovasculares importantes.
“Os fisiculturistas usuários de esteroides estão potencialmente com alto risco de alterações metabólicas e hormonais, com efeitos em vários órgãos e sistemas. Alguns são reversíveis e outros irreversíveis”, explica.
De acordo com o especialista, o abuso de doses suprafisiológicas — muito acima das usadas para reposição hormonal em pacientes com deficiência — pode aumentar significativamente o risco de trombose e arritmias graves.
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“Os riscos de episódios tromboembólicos e de arritmias cardíacas graves são eminentes”, afirma.
Estudos já associam o uso crônico dessas substâncias ao espessamento patológico do músculo cardíaco, fibrose e piora da função do coração.
Insulina fora do tratamento do diabetes pode provocar hipoglicemia grave
Outro ponto que voltou ao centro do debate é o uso de insulina para fins estéticos e de performance.
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Ganley havia relatado anteriormente um episódio de mal-estar após utilizar insulina no contexto da preparação esportiva. O hormônio, usado no tratamento do diabetes, também é empregado por alguns atletas devido ao seu efeito anabólico.
Segundo Werutsky, a substância é utilizada por alguns fisiculturistas porque estimula o crescimento muscular.
“A insulina é considerada um hormônio anabolizante ou anticatabolizante, estimulando o crescimento muscular”, explica.
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O problema é que o uso em pessoas saudáveis pode desencadear hipoglicemia — queda acentuada da glicose no sangue — com diferentes graus de gravidade.
Entre os sinais de alerta estão:
- tontura;
- suor excessivo;
- fraqueza;
- confusão mental;
- desmaios;
- perda de consciência.
Em quadros graves, a situação pode evoluir para coma hipoglicêmico e até lesão cerebral.
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“Tontura, desmaio e até coma hipoglicêmico com risco de lesão cerebral são possíveis consequências”, alerta o especialista.
O médico reforça que a insulina possui indicação restrita.
“A insulina só é indicada para diabéticos, sob supervisão médica”, afirma.
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Consumo elevado de sal pode causar convulsões e coma
Os relatos sobre protocolos envolvendo grandes quantidades de sal também levantaram preocupação entre especialistas.
Segundo Gabriel Morais, o “Camisa Roxa”, ele recebeu orientação para ingerir cerca de 75 gramas de sal em apenas três dias na reta final de preparação. A quantidade equivale a aproximadamente cinco vezes o consumo recomendado para o mesmo período.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), adultos devem consumir até cerca de 5 gramas de sal por dia.
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Para Werutsky, ingerir esse volume em curto espaço de tempo pode trazer riscos importantes.
“Esse excesso pode causar hipernatremia, que pode evoluir com crise hipertensiva e afetar o cérebro”, afirma.
Os sintomas incluem:
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- confusão mental;
- fraqueza;
- espasmos musculares;
- convulsões;
- coma.
Além do excesso de sódio, especialistas apontam que estratégias comuns no fisiculturismo envolvendo manipulação de água, carboidratos e desidratação podem agravar ainda mais o quadro.
Desidratação e “secagem” podem aumentar risco cardiovascular
Na fase final antes das competições, muitos atletas adotam protocolos para reduzir retenção hídrica e aumentar a definição muscular.
Segundo Werutsky, esse processo pode aumentar a viscosidade do sangue e elevar o risco de complicações.
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“A definição muscular para competição implica em desinchar e, com isso, a desidratação aumenta a viscosidade do sangue, precipitando episódios tromboembólicos”, explica.
O especialista alerta que a busca por resultados estéticos muitas vezes supera a preocupação com a própria saúde.
“A classificação numa competição está à frente da saúde do atleta, ignorando os riscos, embora todos conheçam os problemas dessas drogas para o funcionamento do organismo”, conclui.
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A morte de Ganley ampliou o debate sobre segurança, acompanhamento médico e limites dos protocolos adotados no fisiculturismo de alto rendimento, especialmente entre atletas jovens e influenciadores que compartilham rotinas e preparações nas redes sociais.
