
Ozempic
Reuters
As buscas pelo termo "semaglutida" dobraram no Brasil nesta terça-feira (26) após a Anvisa registrar o Ozivy, a primeira versão sintética nacional da molécula. O interesse massivo captado pelo Google Trends reflete o impacto do fim da patente do Ozempic e a expectativa por um tratamento que promete ser até 30% mais barato que os atuais líderes de mercado.
Fabricado pela EMS, o medicamento é, além de uma nova opção nas prateleiras, um marco técnico que coloca a indústria brasileira na fronteira da síntese química de alta complexidade.
Pico histórico no Google
O anúncio da aprovação do Ozivy gerou o maior volume de interesse pelo princípio ativo desde 20 de março, data em que expirou a patente da semaglutida biológica no país. Esse fenômeno de busca demonstra como o brasileiro tem monitorado a abertura desse mercado, que já movimenta cerca de R$ 10 bilhões por ano e deve chegar a 15 milhões de usuários até 2030.
O laboratório EMS projeta colocar as primeiras 350 mil unidades nas farmácias em no máximo 30 dias, dependendo apenas da definição do preço máximo pela CMED. O investimento de R$ 1,2 bilhão na planta de Hortolândia (SP) permitiu que o Brasil fosse um dos primeiros países do mundo a registrar uma versão puramente sintética dessa molécula, desafiando a complexidade técnica que até então era exclusividade de processos biotecnológicos estrangeiros.
Entenda a diferença
A principal dúvida dos consumidores é por que o Ozivy não é considerado um genérico do Ozempic. A resposta reside na origem da fabricação: enquanto o medicamento de referência é biológico (produzido a partir de organismos vivos, como leveduras), o Ozivy é um análogo sintético (obtido via síntese química em laboratório).
Como a regulação brasileira não prevê a categoria de "genérico" para produtos biológicos, o Ozivy foi registrado como um "medicamento novo". Na prática, a molécula sintética reproduz a estrutura da biológica com alta fidelidade, mas exige um rigoroso monitoramento de impurezas químicas e estabilidade para garantir a mesma eficácia e segurança do original.
As mudanças práticas no uso diário
Para o paciente, a mudança mais relevante entre o Ozivy e o Ozempic está na conservação. Diferente da versão biológica, que pode ficar em temperatura ambiente por até seis semanas após a abertura, a caneta brasileira exige refrigeração constante.
A ciência por trás do sucesso da semaglutida vai além da simples perda de peso. A molécula atua como um potente agonista do receptor de GLP-1, hormônio que regula a saciedade e retarda o esvaziamento do estômago. Um dos efeitos mais relatados por pacientes e estudados por médicos é a redução do chamado "food noise" (barulho mental por comida), silenciando pensamentos intrusivos e obsessivos sobre alimentação.
Oficialmente, a indicação da Anvisa para o Ozivy é o tratamento do diabetes tipo 2. No entanto, sua eficácia comprovada na redução de até 15% do peso corporal e em benefícios cardiovasculares e renais consolida a semaglutida como o pilar de uma nova era na medicina metabólica.

