Nova classificação de infarto: o que muda na forma de diagnosticar a doença
Sociedades de cardiologia simplificam tipos de ataque cardíaco e ajustam níveis da proteína troponina para evitar falhas
Novas diretrizes estabelecidas por sociedades de cardiologia da Europa e dos Estados Unidos mudaram a forma como o infarto é classificado globalmente.
Continua depois da publicidade
O modelo anterior, que dividia o evento em cinco subtipos, foi reduzido para três categorias principais baseadas na origem do problema:
- o primário, associado a alterações nas artérias coronárias e ligado a fatores como obesidade e tabagismo;
- o secundário, provocado quando a demanda de oxigênio do coração supera a capacidade do organismo, comum em quadros de diabetes ou asma
- o decorrente de procedimentos cardíacos realizados nos trinta dias anteriores.
A simplificação tem como objetivo padronizar a comunicação entre equipes médicas, hospitais e instituições internacionais, facilitando o mapeamento estatístico e a formulação de políticas públicas de saúde.
Análise da troponina em públicos femininos
Outra mudança de grande impacto clínico envolve a análise da troponina, proteína liberada na corrente sanguínea quando o tecido cardíaco sofre danos.
Continua depois da publicidade
Pela nova norma, o resultado elevado do exame de sangue não deve ser avaliado de forma isolada, mas obrigatoriamente associado a sintomas e quadros clínicos.
A atualização traz melhorias fundamentais para o público feminino. Os parâmetros de referência para os níveis de troponina passam a ser diferenciados entre homens e mulheres.
Historicamente, pacientes mulheres que apresentavam a proteína alterada, mas abaixo do antigo índice de corte universal, recebiam alta médica prematuramente sem a devida investigação, o que resultava em novos eventos cardíacos em ambiente doméstico.
Continua depois da publicidade
Sintomas mudam conforme o gênero
Especialistas reforçam que os sintomas de infarto também variam conforme o gênero. Enquanto homens tendem a manifestar sinais mais clássicos, como dor aguda no peito e formigamento no braço esquerdo, as mulheres frequentemente apresentam sintomas mais sutis e intermitentes, como dores confundidas com desconfortos abdominais, náuseas e dificuldades de raciocínio.
A Sociedade Brasileira de Cardiologia ressalta a importância de atenção redobrada aos sinais de alerta, especialmente durante a perimenopausia, período em que alterações hormonais influenciam o sistema cardiovascular.
