Saúde

Nova tecnologia no Brasil detecta risco de infarto antes dos sintomas

O sistema MAKOTO atua junto ao cateterismo cardíaco para mapear gordura nas artérias e identificar placas vulneráveis

2 min

16/09/2026 10:58 • Atualizado há 5 horas

Nova tecnologia no Brasil detecta risco de infarto antes dos sintomas

Uma inovação tecnológica já disponível no Brasil passa a auxiliar no diagnóstico precoce do infarto agudo do miocárdio, considerado uma das principais causas de morte no país. Segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil registra entre 300 mil e 400 mil casos de infarto por ano, com uma taxa de letalidade de um óbito a cada 5 a 7 ocorrências. A nova ferramenta, batizada de MAKOTO, permite avaliar a presença de gordura nas artérias coronárias e identificar lesões de maior risco antes do aparecimento de sintomas clínicos.

Continua depois da publicidade

Muitos pacientes descobrem problemas arteriais apenas no momento em que sofrem um evento cardíaco, já que o acúmulo de gordura nas paredes dos vasos pode evoluir silenciosamente ao longo de anos.

A tecnologia atua de forma complementar aos exames realizados durante o procedimento de cateterismo cardíaco.

Mapeamento químico e prevenção personalizada

Em poucos segundos, a ferramenta gera um mapa químico colorido, denominado chemogram, que indica com precisão os pontos de acúmulo de gordura.

Continua depois da publicidade

O sistema também calcula de forma automática o Índice de Carga Lipídica (LCBI, na sigla em inglês), parâmetro que orienta os médicos na elaboração do plano terapêutico.

A avaliação detalhada é relevante porque o infarto nem sempre está associado a grandes obstruções identificáveis nos exames convencionais.

Em diversos casos, eventos cardiovasculares graves ocorrem em lesões que não apresentavam bloqueios significativos previamente.

Continua depois da publicidade

“Quando identificamos uma placa vulnerável, conseguimos intensificar medidas preventivas, como o controle rigoroso do colesterol, da pressão arterial e do diabetes, além de mudanças no estilo de vida. Em alguns casos, também há ajuste de medicações para reduzir o risco cardiovascular”, explica o médico Hideo Kajita, pesquisador do Brazilian Clinical Research Institute (BCRI) e cardiologista intervencionista do Hospital São Paulo UNIFESP e do InCor – HC-FMUSP.

O uso da tecnologia é indicado para pacientes com suspeita ou diagnóstico de doença arterial coronariana, histórico familiar importante de infarto, múltiplos fatores de risco cardiovascular ou para aqueles que já sofreram eventos cardíacos e necessitam de acompanhamento minucioso.

Apesar do avanço nas ferramentas de diagnóstico, médicos reforçam a importância da atenção aos sinais de alerta, que incluem dor ou pressão no peito, desconforto irradiado para braço, costas ou mandíbula, falta de ar, suor frio, náusea e tontura.

Continua depois da publicidade

Em mulheres e pessoas com diabetes, as manifestações podem ser mais sutis.

“Tecnologias como essas representam um grande avanço porque ajudam a identificar precocemente os pacientes de maior risco. Mas vale reforçar que elas não substituem hábitos saudáveis nem o acompanhamento médico regular”, destaca Hideo Kajita.

Tópicos relacionados