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Obesidade infantil: sinais de alerta e o papel da família

A obesidade infantil exige um olhar que vá além da aparência ou de um número isolado na balança. Mudanças persistentes no peso, no padrão alimentar e na

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09/10/2026 15:56 • Atualizado há 4 horas

Obesidade infantil: sinais de alerta e o papel da família

TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS

A obesidade infantil exige um olhar que vá além da aparência ou de um número isolado na balança. Mudanças persistentes no peso, no padrão alimentar e na rotina da criança podem indicar a necessidade de uma avaliação mais cuidadosa, especialmente quando passam a acompanhar alterações em hábitos como sono e atividade física.

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Durante gerações, a imagem de uma criança mais gordinha foi associada à ideia de saúde. Para o médico Franklim Gonçalves, CRM-SP 261.069, desconstruir essa percepção é um dos primeiros passos para que os responsáveis consigam observar o desenvolvimento dos filhos com mais atenção e sem transformar o peso em motivo de culpa.

“A gente vem de uma cultura de achar que a criança gordinha é uma criança saudável. Mas, quando acompanhamos o crescimento, observamos peso, altura e a evolução dessas medidas. Se existe uma mudança nessa trajetória, é importante entender o que está acontecendo e investigar com mais cuidado.”

O acompanhamento não deve se limitar a uma única pesagem. A evolução ao longo do tempo e o contexto em que a criança está inserida ajudam a compreender se houve uma mudança relevante e quais fatores podem estar envolvidos.

A mudança de hábitos começa dentro de casa

Quando uma criança apresenta excesso de peso, atribuir a ela toda a responsabilidade pelo processo pode transformar o cuidado em cobrança. A alimentação disponível em casa, a rotina dos adultos, os horários das refeições e as oportunidades de movimento fazem parte do ambiente em que os hábitos são construídos.

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Esse contexto é especialmente importante porque crianças dependem dos adultos para grande parte das escolhas que integram o cotidiano. Para Franklim, pedir que elas mudem enquanto o restante da família mantém exatamente a mesma rotina tende a tornar o processo mais difícil.

“Não faz sentido dizer a uma criança de sete, oito ou dez anos que, a partir daquele momento, ela vai fazer dieta e exercício. É um processo de construção familiar. Os pais têm uma participação essencial, porque os hábitos que queremos desenvolver precisam ser possíveis de manter ao longo da vida.”

A proposta defendida pelo médico se distancia de medidas radicais. Em vez de períodos curtos de restrição, ele considera quatro aspectos recorrentes no acompanhamento de seus pacientes: alimentação, atividade física, sono e hidratação.

A forma como a família se relaciona com os alimentos também merece atenção. Segundo Franklim, o exemplo oferecido pelos adultos participa da construção do repertório alimentar da criança desde cedo.

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“Quanto mais cedo a criança tem contato com diferentes alimentos, sabores e texturas, maior é a oportunidade de construir uma alimentação variada. Quando ela já está maior e esse repertório é mais limitado, é preciso trabalhar essa adaptação aos poucos.”

A seletividade alimentar, porém, não deve ser explicada por uma única causa nem atribuída automaticamente aos responsáveis. Quando é intensa ou persistente, pode demandar uma análise individualizada. Franklim conta que, nos acompanhamentos realizados com sua equipe, a nutricionista participa dessa etapa quando há necessidade de um olhar mais específico sobre a alimentação.

Análise genética pode ampliar a compreensão sobre a obesidade

Além da avaliação de hábitos, rotina e condições clínicas, Franklim utiliza, em casos selecionados, a análise genética como ferramenta complementar para compreender características individuais relacionadas ao peso. A proposta é observar variantes associadas a mecanismos como fome, saciedade, metabolismo energético e armazenamento de gordura.

Entre os genes estudados nesse contexto estão aqueles relacionados aos circuitos cerebrais do apetite e à forma como o organismo responde aos sinais de fome e saciedade. Outros aparecem associados ao metabolismo e ao modo como o corpo utiliza ou armazena energia. O próprio material desenvolvido pelo médico reúne genes como FTO, MC4R, BDNF e NRXN3 entre os exemplos investigados pela literatura científica.

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“A medicina de precisão permite olhar além do comportamento alimentar. A análise genética pode mostrar características que ajudam a entender por que determinadas pessoas sentem mais fome, demoram mais para perceber a saciedade ou apresentam diferenças na forma como o organismo lida com a energia. Essa informação entra como mais uma peça na construção de uma estratégia individualizada.”

Na prática, o resultado não substitui a avaliação clínica nem significa que um gene, isoladamente, determine a obesidade ou o tratamento. A interpretação precisa ser feita em conjunto com alimentação, atividade física, sono, rotina, desenvolvimento e demais aspectos da saúde.

“O objetivo não é tratar um resultado de exame de forma isolada. Quando identificamos uma característica genética relevante, podemos compreender melhor aquele organismo e usar essa informação junto com os outros dados do paciente para ajustar o acompanhamento de maneira mais individualizada.”

Telas e sedentarismo também fazem parte dessa rotina

Celulares, tablets, televisores e outros dispositivos ocupam cada vez mais espaço no cotidiano infantil. Para Franklim, o ponto de atenção não está simplesmente na existência das telas, mas no que pode deixar de acontecer quando elas dominam grande parte do dia.

Brincadeiras, movimento e descanso podem perder espaço em uma rotina muito sedentária. Ao mesmo tempo, tratar o assunto apenas como uma falha dos responsáveis ignora a realidade de famílias que precisam conciliar trabalho, casa e cuidado com os filhos.

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“Vivemos uma rotina em que muitos pais precisam dar conta do trabalho, da casa e das crianças. O celular acaba sendo conveniente em determinados momentos. O importante é perceber quando a tela passa a ocupar espaço demais e a criança deixa de se movimentar, brincar ou ter uma rotina adequada de sono.”

O cuidado, portanto, passa mais pela organização do cotidiano do que por uma mudança isolada. É a combinação dos hábitos ao longo do tempo que Franklim considera relevante ao conversar com as famílias que o procuram.

Quando o peso também produz sofrimento

A discussão sobre obesidade infantil não termina nos aspectos físicos. O peso pode interferir na forma como a criança é tratada nos ambientes que frequenta e provocar situações de constrangimento, exclusão e bullying.

Esse componente aparece de maneira recorrente entre as famílias que chegam até Franklim. Algumas mães, segundo ele, identificam nos filhos experiências que elas próprias viveram quando crianças ou adolescentes.

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“Muitas mães me dizem: ‘Eu sofri sendo obesa, fui ridicularizada, sofri bullying e agora estou vendo isso acontecer com o meu filho’. Existe uma dor muito grande quando os pais reconhecem essa história se repetindo. Por isso, o cuidado com a criança não pode ser construído a partir de humilhação ou culpa.”

Em um dos casos relatados pelo médico, uma mãe precisou mudar a forma como o filho chegava à escola depois que ele passou a sofrer agressões de outros estudantes durante o trajeto. Para Franklim, experiências como essa mostram que o impacto da obesidade pode alcançar também a convivência social e a relação da criança com o próprio corpo.

Nesse contexto, comentários depreciativos, comparações e cobranças excessivas podem tornar um problema já delicado ainda mais difícil.

“Mandar uma criança simplesmente ‘fechar a boca e fazer exercício’ não resolve. Ela precisa de auxílio, e a família precisa compreender que também participa desse processo. A mudança não pode ser apresentada como uma punição.”

A abordagem ganha, assim, um componente de acolhimento. A preocupação com o peso não deve ser transformada em vigilância constante sobre o corpo infantil, mas inserida em um cuidado mais amplo com saúde e qualidade de vida.

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Quais mudanças devem chamar a atenção dos pais?

Entre os aspectos observados por Franklim estão alterações persistentes no padrão alimentar, mudanças importantes no peso e uma evolução corporal diferente daquela que vinha sendo acompanhada ao longo do crescimento.

O histórico de saúde também deve ser considerado. O médico lembra que crianças em tratamento para outras condições podem apresentar mudanças no apetite ou no peso durante esse período. Nesses casos, cabe aos profissionais responsáveis avaliar a situação e definir se alguma conduta precisa ser revista.

Não há, portanto, uma fórmula única aplicável a todas as famílias. Idade, desenvolvimento, rotina, hábitos e condições de saúde fazem com que a abordagem precise ser individualizada.

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“Nem todo mundo tem a mesma realidade. Cada pessoa tem um trabalho, um contexto familiar e uma rotina. Quanto mais acompanho pacientes com obesidade, mais percebo que a mudança precisa ser adaptada à realidade de quem está sendo cuidado.”

Para os pais, a atenção pode começar pela observação do cotidiano: como a criança se alimenta, quanto se movimenta, como dorme e se houve alguma mudança consistente em seu desenvolvimento ou comportamento.

Mais do que buscar uma transformação rápida na balança, a proposta é construir hábitos que possam acompanhar a criança enquanto ela cresce. E, nesse processo, a família deixa de ocupar o lugar de fiscal para assumir um papel mais importante: o de participante do cuidado.

Quem é Franklim Gonçalves

Natural de Grajaú, no interior do Maranhão, Franklim Santana Silva Gonçalves é médico e iniciou a carreira no atendimento de emergência e de pacientes em estado grave. Nesse período, acompanhou de perto os impactos que doenças crônicas podem provocar na saúde, na autonomia e na qualidade de vida dos pacientes.

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A aproximação com o cuidado da obesidade também passou por uma experiência pessoal. Depois de vivenciar o próprio processo de emagrecimento, direcionou parte de sua atuação ao acompanhamento de pessoas com obesidade. Atualmente, atende em São Paulo e em Grajaú, sua cidade natal, acompanhando adultos, crianças e famílias que buscam orientação diante do excesso de peso.

Com pós-graduação em medicina de emergência e medicina intensiva, atualmente cursa pós-graduação em endocrinologia, ampliando sua formação na área em que concentra parte de sua prática clínica. No atendimento, defende uma abordagem individualizada e integrada a outros profissionais, considerando rotina, contexto familiar, alimentação, atividade física e as dificuldades concretas de cada paciente.

Franklim Santana Silva Gonçalves - CRM-SP: Nº 261.069

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Instagram: @dr.franklimgoncalvesSite: www.drfranklimgoncalves.com.br

Crédito: Tv Notícias Assessoria de Imprensa / Brasil News