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Outubro Rosa reforça importância da prevenção e do apoio durante tratamento

Mastologista explica fatores de risco e sinais de alerta; Andreia Dutra compartilha desafios e transformação após a cura

6 min

02/10/2026 16:14 • Atualizado há 1 hora

Outubro Rosa reforça importância da prevenção e do apoio durante tratamento

Andreia e os seus filhos, Vitor Dutra e Giovana Dutra

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O Outubro Rosa, campanha dedicada à conscientização sobre o câncer de mama, reforça a importância da informação, do acompanhamento médico e do diagnóstico precoce. Embora não seja possível evitar todos os casos da doença, hábitos saudáveis e o acompanhamento adequado podem contribuir para reduzir riscos e identificar alterações em fases iniciais. Para quem recebe o diagnóstico, porém, a jornada vai muito além dos exames e tratamentos: envolve medo, mudanças na rotina, apoio familiar e a reconstrução da vida depois da doença.

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Informação e prevenção

De acordo com o mastologista Fábio Bagnoli, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia – Regional São Paulo, o câncer de mama é uma doença multifatorial. Por isso, não existe uma medida capaz de impedir completamente o desenvolvimento.

Ainda assim, alguns hábitos podem contribuir para reduzir o risco. A prática regular de atividade física, a manutenção do peso adequado, uma alimentação equilibrada e a redução ou eliminação do consumo de bebidas alcoólicas estão entre as principais medidas citadas pelo especialista.

O que realmente importa é o conjunto dos hábitos mantidos ao longo da vida, explica Bagnoli.

O médico também destaca que fatores como idade, características hormonais e genética podem influenciar o desenvolvimento da doença. Ter histórico familiar aumenta o risco, mas a ausência de casos na família não significa que uma mulher esteja livre da possibilidade de desenvolver câncer de mama. Segundo o especialista, apenas cerca de 5% a 10% dos casos são hereditários.

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O consumo de álcool também merece atenção. Segundo Bagnoli, o risco tende a aumentar conforme cresce o consumo. Já o sedentarismo e o excesso de peso, especialmente após a menopausa, também estão associados a um risco maior.

Atenção aos sinais

Um dos sinais mais conhecidos do câncer de mama é o aparecimento de um nódulo ou endurecimento. Porém, outras alterações também podem exigir avaliação médica, como mudanças persistentes no formato ou tamanho da mama, retração do mamilo, alterações na pele, vermelhidão, espessamento, aspecto semelhante à casca de laranja, secreção espontânea pelo mamilo, especialmente com sangue, e nódulos na região da axila.

Nem todo nódulo significa câncer. Cistos, fibroadenomas e outras condições benignas também podem provocar alterações nas mamas. Mesmo assim, diante de uma mudança nova ou persistente, a recomendação é procurar atendimento médico.

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O Instituto Nacional de Câncer (INCA) reforça que o diagnóstico precoce depende da identificação de sinais suspeitos e do acesso oportuno aos serviços de saúde. A instituição também esclarece que o autoexame, isoladamente, não substitui o acompanhamento médico ou os exames indicados.

Uma alteração nova ou persistente deve motivar avaliação médica, independentemente da data da última mamografia ou de quando seria realizado o próximo exame de rotina, afirma Bagnoli.

Sobre a mamografia, a Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda, para mulheres de risco habitual, o rastreamento anual dos 40 aos 74 anos, com individualização da continuidade a partir dos 75. Já o INCA recomenda, no âmbito do rastreamento populacional, mamografia para mulheres de 50 a 74 anos a cada dois anos. Mulheres com sintomas ou fatores de risco específicos podem ter indicação diferente, definida individualmente pelo profissional de saúde.

Uma descoberta durante o acompanhamento

A Andreia de Cássia Telarolli Dutra, de 55 anos, autônoma, moradora de Campinas (SP), compartilhou com Portal Band Multi toda sua luta contra o câncer e como alguns fatores foram essenciais para a cura.

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Ela já acompanhava, havia quase dez anos, um nódulo na mama direita. Após mudar de convênio médico, passou a ser atendida por uma nova mastologista, que solicitou a repetição dos exames em seis meses para observar o comportamento do nódulo.

Foi durante esse novo acompanhamento que surgiu uma descoberta inesperada: um nódulo na mama esquerda foi diagnosticado como câncer.

O diagnóstico provocou um turbilhão de sentimentos. Entre o medo pela própria saúde e a preocupação com a reação da família, a primeira pergunta que veio imediatamente à cabeça da Andreia foi:

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Vou ficar careca?

A partir dali, começou uma nova rotina, marcada por consultas, tratamentos e efeitos colaterais.

Os dias difíceis do tratamento

Segundo ela, um dos períodos mais difíceis foram os dias posteriores às sessões de quimioterapia. Os enjoos e outros efeitos colaterais provocavam angústia e tornavam a rotina mais difícil.

Para atravessar essa fase, ela passou a encarar o tratamento como um ciclo: quimioterapia, dias ruins, dias bons e, novamente, quimioterapia.

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Nos dias em que se sentia melhor, procurava aproveitar momentos ao lado de amigos e familiares, fazer passeios, comer alimentos de que gostava e rir. A estratégia ajudava a lembrar que os períodos difíceis também passariam.

Eu precisava estar bem para superá-los, focada que eles passariam e que os dias bons voltariam, conta.

O fim do tratamento também trouxe desafios. Depois de meses vivendo como uma pessoa em tratamento, veio a necessidade de descobrir quem seria a partir daquele momento. Para ela, a terapia foi importante nesse processo de reconstrução e de reavaliação da própria vida.

Quando cuidar também significa se deixar cuidar

Durante a doença, a presença da família teve um papel fundamental. A paciente lembra que chegou a depender de outras pessoas até para atividades básicas, como tomar banho.

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Se permitir ser cuidada é o mais importante, afirma.

Os gestos de carinho ficaram marcados na memória: a tia que ajudava durante o banho, a sobrinha que segurava seus drenos, os pudins preparados pela cunhada, a filha que abriu mão da própria rotina para acompanhá-la e a mãe e a irmã que passavam horas na sala de espera durante as quimioterapias.

Também vieram mensagens, flores, visitas, orações e até uma camiseta com a frase “estamos com você”, entregue por colegas de trabalho e amigos.

Para ela, cada gesto teve um significado especial durante o período de maior vulnerabilidade.

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Depois da cura, uma nova maneira de enxergar a vida

Receber a notícia de que estava curada trouxe alegria, mas também um sentimento difícil de explicar. Ela compara a experiência à preparação de um grande evento: depois de passar muito tempo organizando tudo, quando o momento termina, surge a pergunta sobre o que fazer a seguir.

É um sentimento de gratidão e de poder que é difícil explicar. Quem venceu a morte olha para a vida com muito mais urgência, relata.

A experiência também mudou sua relação com as próprias escolhas. Hoje, Andreia diz valorizar mais a presença de pessoas que lhe fazem bem e procurar viver de acordo com aquilo que considera importante.

Sua principal mensagem para outras mulheres é direta: câncer não deve ser encarado como uma sentença. Ela também defende que pacientes se permitam receber ajuda, aproveitem os momentos bons, sigam as orientações da equipe médica e procurem tornar o período do tratamento o mais leve possível.

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Outubro Rosa

A campanha do Outubro Rosa amplia, todos os anos, o espaço para falar sobre prevenção, sinais de alerta e diagnóstico precoce. Para o INCA, a informação sobre o câncer de mama pode ajudar a reconhecer alterações e estimular a procura por atendimento médico.

A história da paciente também reforça que o cuidado não se resume ao momento do diagnóstico. Envolve prevenção, acompanhamento, tratamento, saúde emocional e uma rede de apoio capaz de estar presente nos dias mais difíceis.

No fim, a mensagem que fica é justamente a que ela gostaria de transmitir a outras mulheres: “Câncer não é sentença. Se permita ser cuidada.”