Saúde

Pediatras alertam para riscos de oferecer whey protein para crianças

Suplementos industrializados usados por influenciadores podem causar sobrecarga renal, puberdade precoce e resistência alimentar em bebês e crianças

2 min

04/05/2026 19:55 • Atualizado há 131 dias

Pediatras alertam para riscos de oferecer whey protein para crianças

Uma nova tendência disseminada por influenciadoras digitais nas redes sociais acende um alerta entre especialistas em saúde infantil: a oferta de suplementos proteicos, como whey protein e creatina, para crianças e até bebês.

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O produto, amplamente utilizado por adultos em ambientes de academia, consiste em um suplemento industrializado feito a partir da proteína extraída do soro do leite. No entanto, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) afirma que esses compostos não são indicados durante a infância e podem comprometer o desenvolvimento saudável dos menores.

A prática ganha visibilidade por meio de figuras públicas com grande alcance digital. Virgínia Fonseca, que possui 50 milhões de seguidores e comercializa suplementos, frequentemente publica vídeos oferecendo alimentos preparados com o produto, como panquecas de banana, para as filhas. Outra influenciadora do segmento fitness, Carol Borba, declarou em entrevista que adiciona whey protein e creatina na mamadeira que sua filha de 3 anos consome antes de dormir.

Riscos de sobrecarga e puberdade precoce

Especialistas ouvidos pelo Jornal da Band explicam que a suplementação não traz benefícios à saúde infantil e apresenta riscos severos. Anna Dominguez Bohn, pediatra da Sociedade Brasileira de Pediatria, ressalta que a carga proteica desses produtos é excessiva para organismos em formação. Segundo a médica, os rins, o fígado e o intestino da criança ainda estão aprendendo a processar nutrientes, e o consumo indevido pode levar a uma sobrecarga renal, formação de cálculos, pressão alta e até falência renal a longo prazo.

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Além dos danos aos órgãos internos, o excesso de proteína interfere no sistema endócrino. Anna Dominguez Bohn esclarece que essa sobrecarga altera o equilíbrio hormonal da criança, podendo causar o surgimento de acne, pelos corporais e sinais de puberdade precoce. Há também o risco de desenvolvimento de diabetes e níveis elevados de colesterol.

Impacto no comportamento alimentar

O uso de suplementos, que geralmente possuem sabor adocicado, pode gerar uma resistência alimentar. Ao preferir o paladar dos industrializados, a criança pode recusar alimentos naturais, o que gera carência de vitaminas, gorduras e outras proteínas essenciais. A orientação médica é clara: quanto mais variada e natural for a alimentação nesta fase, melhor.

Mauro Fisberg, presidente do departamento de nutrição da Sociedade de Pediatria de São Paulo, reforça que o whey protein não é proteína pura, mas um combinado que inclui adoçantes, corantes e saborizantes. Para o especialista, esses aditivos químicos interferem diretamente na manutenção de uma dieta saudável e equilibrada. Atualmente, a indicação técnica para o uso desses suplementos é restrita a pessoas com mais de 20 anos.

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