9 em cada 10 publicações sobre saúde que viralizam na internet são falsas
Um estudo divulgado pela agência Lupa, intitulado "Raio-X da Desinformação na Saúde", revelou que quase 90% das publicações sobre saúde que viralizam na
Um estudo divulgado pela agência Lupa, intitulado "Raio-X da Desinformação na Saúde", revelou que quase 90% das publicações sobre saúde que viralizam na internet apresentam conteúdos enganosos ou completamente falsos. A análise monitorizou mais de 760 publicações com elevado alcance nas redes sociais desde 2017 e concluiu que, em cada dez conteúdos analisados, quase nove continham mentiras. Principais formatos e canais de disseminação Entre os exemplos recorrentes de boatos desmentidos estão receitas caseiras miraculosas — como a falsa alegação de que sumo de pepino com cenoura cura problemas de visão — e atribuições indevidas a médicos de renome, como o Dr. Drauzio Varella. O levantamento identificou que o WhatsApp continua a ser o principal canal para a circulação e replicação destas mensagens. De acordo com os investigadores, existem quatro táticas predominantes utilizadas para enganar o público: Uso de falsa autoridade: Invenção ou apropriação indevida do nome de médicos e cientistas para validar afirmações sem base. Discurso alarmista e medo: Exploração da vulnerabilidade emocional através de avisos catastróficos. Distorção de dados e estudos: Manipulação de relatórios técnicos e conclusões científicas. Promessas de soluções fáceis: Oferta de curas simples para patologias clínicas complexas. Riscos ao tratamento médico e denúncias Profissionais de saúde alertam para o impacto direto da desinformação na vida dos doentes, sublinhando que consultas individualizadas nunca devem ser substituídas por pesquisas online. É frequente a chegada aos hospitais de doentes em estado grave após terem suspendido medicamentos com eficácia comprovada por causa de conteúdos que viram na internet. A divulgação de curas milagrosas, condutas sem respaldo científico e a promoção de práticas que atentem contra a saúde pública podem ser formalmente denunciadas através dos portais dos respetivos Conselhos Regionais de Medicina (CRM).
