Retinopatia diabética pode avançar sem sintomas, alerta Bruno Tadao Uehara
Oftalmologista explica por que o exame do fundo do olho deve fazer parte da rotina de quem tem diabetes.

TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS
O diabetes não afeta apenas órgãos como coração e rins. As alterações provocadas pela doença também podem atingir os vasos sanguíneos da retina, estrutura localizada na parte interna do olho e essencial para a visão.
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Um dos principais desafios da retinopatia diabética é justamente sua capacidade de evoluir sem provocar sintomas perceptíveis nas fases iniciais. O paciente pode continuar enxergando bem e, ainda assim, apresentar alterações que só serão identificadas durante uma avaliação oftalmológica.
Para o oftalmologista Bruno Tadao Uehara, que atua em São Paulo principalmente nas áreas de retina e catarata, essa aparente ausência de sintomas pode levar a uma falsa sensação de segurança.
“É muito comum o paciente se surpreender e perguntar por que precisa tratar os olhos se ainda está enxergando bem. Em alguns casos, quando avaliamos o fundo do olho, já encontramos alterações importantes. A visão preservada naquele momento não significa necessariamente que a retina esteja sem comprometimento.”
Esse comportamento silencioso reforça a importância de incluir os olhos nos cuidados de rotina de quem convive com diabetes, mesmo antes de qualquer dificuldade visual.
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Como o diabetes pode afetar a retina
A retina é formada por tecido nervoso especializado e possui uma rede de vasos sanguíneos que participa de sua nutrição. Como o diabetes pode comprometer os vasos do organismo, a circulação presente nos olhos também pode ser atingida.
Com a progressão da doença, podem surgir alterações vasculares capazes de provocar sangramentos ou inchaço na retina. Quando o inchaço atinge a mácula, região central responsável pela visão de detalhes, o quadro é chamado de edema macular diabético. Quando determinadas áreas responsáveis pela visão são comprometidas, o paciente pode perceber piora visual.
Uehara explica que a delicadeza dessa estrutura ajuda a compreender por que alterações vasculares merecem acompanhamento cuidadoso.
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“A retina é um tecido nervoso extremamente sensível. Ela também possui vasos, e o diabetes pode afetar justamente essa circulação. Quando surgem sangramentos ou inchaço, estamos diante de alterações que podem comprometer a função visual, dependendo da região e da intensidade do quadro.”
O problema é que esse processo nem sempre produz sinais logo no início. Segundo o oftalmologista, os sintomas costumam se tornar mais evidentes quando a retinopatia já alcançou estágios mais relevantes, o que torna a avaliação preventiva ainda mais importante.
Diabetes diagnosticado: quando procurar o oftalmologista?
A descoberta do diabetes não deve levar apenas ao controle da glicose. Para Uehara, esse também é o momento de avaliar a saúde ocular e estabelecer uma referência inicial sobre as condições da retina.
Isso se torna particularmente relevante porque nem todas as pessoas recebem o diagnóstico logo no início da doença. Algumas podem ter convivido com alterações metabólicas durante um período antes de descobri-las.
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“Quando o diabetes é diagnosticado, considero importante procurar também o oftalmologista. Pode ser que a retina esteja preservada e o paciente siga apenas em acompanhamento. Mas também existe a possibilidade de o diagnóstico ter acontecido mais tarde e já haver alguma alteração. O exame é que vai mostrar em qual cenário ele se encontra.”
Como referência geral, o médico cita a avaliação oftalmológica ao menos uma vez por ano para pessoas com diabetes, incluindo exame do fundo do olho. Quando já existe comprometimento da retina, os intervalos entre as avaliações podem ser menores e devem ser definidos individualmente.
Além das revisões oftalmológicas, o controle da própria doença permanece central. Pressão arterial elevada e alterações nos níveis de colesterol também entram nesse contexto e podem influenciar a saúde vascular.
Entre esses fatores, Uehara destaca especialmente a importância de evitar períodos prolongados de descontrole da glicemia.
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“Não conseguimos olhar a retina de forma isolada do restante da saúde. O controle do diabetes é fundamental, mas pressão arterial e colesterol também precisam receber atenção. Quando esses fatores estão descompensados, aumenta a preocupação com a progressão das alterações vasculares.”
A hemoglobina glicada ajuda a avaliar o controle da glicose nos últimos meses. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, a meta para a maioria dos adultos é manter o índice abaixo de 7%, mas o alvo é individualizado: pode ser mais flexível em idosos ou em pacientes com risco de hipoglicemia e deve ser definido pela equipe que acompanha cada pessoa.
Tratamento depende do estágio da retinopatia
Nem toda retinopatia diabética exige a mesma conduta. O tratamento varia conforme a gravidade das alterações, as áreas da retina comprometidas e as condições clínicas de cada pessoa.
Entre os recursos utilizados estão o laser e, em determinados casos, medicamentos aplicados no interior do olho por meio de injeções intravítreas.
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Nos quadros mais avançados, como sangramentos que não se resolvem ou descolamento de retina associado à doença, pode ser indicada a vitrectomia. Nesse procedimento, o cirurgião remove o vítreo, gel transparente que preenche a parte interna do olho, e trata diretamente a retina, retirando sangramentos e membranas e, quando necessário, aplicando laser durante a própria cirurgia.
Apesar do desenvolvimento de novas terapias, Uehara afirma que o laser continua tendo papel relevante em alguns quadros e pode ser associado a outras estratégias.
“Hoje temos medicamentos bastante úteis administrados por injeções intravítreas, mas isso não retirou a importância do laser. Dependendo das alterações encontradas, os tratamentos podem ser complementares. A decisão precisa considerar o que está acontecendo na retina de cada paciente.”
O monitoramento também não termina quando ocorre melhora inicial. Como o diabetes é uma doença crônica, novas alterações podem surgir ao longo do tempo, especialmente se o controle clínico não estiver adequado.
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Nesse contexto, interromper o seguimento porque a visão melhorou pode atrasar a identificação de novos sangramentos ou inchaços.
“O paciente pode melhorar e interpretar isso como se o problema estivesse definitivamente resolvido. Mas a doença pode continuar evoluindo de forma mais lenta e voltar a apresentar alterações. Quem já precisou tratar a retina deve continuar sendo acompanhado de acordo com a gravidade do caso.”
Prevenção pode preservar a visão
A possibilidade de recuperação visual depende, entre outros fatores, do grau de comprometimento da retina no momento em que a doença é identificada.
Em quadros iniciais, com monitoramento e controle adequado das condições clínicas, o prognóstico tende a ser mais favorável. Em situações mais avançadas, pode haver perda da função visual que não seja totalmente recuperada, mesmo após diferentes modalidades de tratamento.
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Por isso, o objetivo não é apenas tratar a visão quando ela já piorou, mas tentar identificar alterações antes que alcancem estágios mais difíceis de manejar.
“Nos casos mais avançados, existem pacientes que passam por laser, injeções ou cirurgia e, ainda assim, não recuperam toda a visão. É justamente por isso que o cuidado precisa começar antes da perda visual. Esperar enxergar pior para procurar avaliação pode significar chegar em uma fase muito mais complexa da doença.”
Para reduzir o risco de complicações, Uehara aponta três frentes principais: acompanhamento oftalmológico regular, controle adequado do diabetes e de condições associadas, como hipertensão e alterações nos níveis de colesterol, além da atenção à alimentação e à prática de atividade física.
Essas medidas não substituem a avaliação individual e devem integrar o acompanhamento clínico de cada paciente.
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O ponto central é compreender que a visão pode permanecer aparentemente normal enquanto a retina já apresenta sinais da doença. No caso da retinopatia diabética, prevenção e acompanhamento não começam quando o paciente deixa de enxergar bem, mas justamente antes disso.
Quem é Bruno Tadao Uehara
Bruno Tadao Uehara construiu sua formação médica em São Paulo, com trajetória ligada à Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Graduou-se em Medicina pela instituição e, posteriormente, fez residência médica em Oftalmologia na Santa Casa de São Paulo entre 2012 e 2015.
Na sequência, especializou-se em Retina e Vítreo, formação concluída em 2018 na mesma instituição. Depois desse período, permaneceu por algum tempo como assistente da área de retina da Santa Casa e manteve participação em atividades científicas relacionadas à Oftalmologia e à cirurgia de retina.
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Sua trajetória profissional passou a se concentrar especialmente no cuidado de doenças da retina e na cirurgia de catarata, reunindo atendimento clínico e atuação cirúrgica. Atualmente, atende em consultório próprio no Parque da Mooca, Zona Leste de São Paulo.
Com o amadurecimento profissional, Uehara afirma que a prática médica também modificou sua percepção sobre o cuidado. Para ele, tratar uma alteração ocular não se resume ao diagnóstico ou ao procedimento: envolve compreender como aquela condição interfere na autonomia, nos receios e na rotina de cada paciente.
Essa visão também orienta sua forma de atendimento. O oftalmologista afirma priorizar tempo para escutar, examinar e explicar cada etapa do diagnóstico, especialmente em situações que despertam insegurança sobre a possibilidade de perda visual.
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Dr. Bruno Tadao Uehara — Médico Oftalmologista — CRM-SP 152.225 — RQE nº 56.863
Instagram: @drbrunotadaoueharaSite: https://ueclinic-oftalmologia.vercel.app

