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Rodrigo Serapião explica por que libido baixa vai além da testosterona

A queda da libido costuma ser associada rapidamente à testosterona baixa, sobretudo entre homens que também percebem cansaço, redução da disposição ou

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15/09/2026 22:25 • Atualizado há 18 horas

Rodrigo Serapião explica por que libido baixa vai além da testosterona

A queda da libido costuma ser associada rapidamente à testosterona baixa, sobretudo entre homens que também percebem cansaço, redução da disposição ou mudanças no desempenho sexual. A relação, porém, não é automática. O desejo sexual pode ser influenciado por fatores físicos, emocionais e relacionais, e a investigação precisa considerar esse conjunto antes de qualquer tratamento.

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Para o urologista Rodrigo Serapião, especialista em sexualidade, um dos desafios atuais é justamente desfazer a ideia de que alterações na vida sexual sempre indicam um problema hormonal.

“Hoje, muitos pacientes chegam ao consultório convencidos de que a testosterona explica tudo. Esse discurso ganhou força nas redes sociais, mas a sexualidade é muito mais complexa. Problemas no relacionamento, preocupações familiares, dificuldades financeiras e questões emocionais podem interferir diretamente no desejo e no desempenho sexual.”

Na prática, a queixa de baixa libido precisa ser analisada dentro do contexto em que surgiu. Histórico clínico, sintomas, rotina, relacionamentos e aspectos emocionais ajudam a determinar se existe uma alteração orgânica ou se outros fatores estão participando do problema.

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Libido envolve corpo, emoções e relacionamento

Serapião explica a sexualidade masculina a partir de três dimensões: biológica, psicológica e relacional. Uma alteração em qualquer uma delas pode repercutir no desejo ou no desempenho sexual, sem que isso signifique necessariamente deficiência de testosterona.

Estresse, ansiedade, conflitos afetivos, preocupações financeiras e problemas familiares podem reduzir o interesse sexual. Ao mesmo tempo, condições clínicas e alterações hormonais também precisam ser investigadas quando os sintomas são persistentes.

Essa combinação torna a escuta especialmente importante. Em um dos atendimentos relatados pelo urologista, um paciente chegou ao consultório pedindo testosterona. Uma pergunta sobre o relacionamento, no entanto, mudou o rumo da consulta.

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“Quando perguntei como estava o casamento, ele começou a chorar. Aquilo mostrou que havia um sofrimento que ainda não tinha conseguido expressar. Muitas vezes, o homem procura uma resposta hormonal porque falar de testosterona é mais fácil do que reconhecer conflitos, inseguranças ou dificuldades emocionais.”

Para Serapião, esse comportamento está relacionado também à maneira como muitos homens aprenderam a lidar com vulnerabilidades. Queixas sexuais podem ser acompanhadas de vergonha, receio de falhar e dificuldade de dividir o problema até mesmo com a própria parceria.

Quando a testosterona realmente entra na investigação

A testosterona desempenha funções importantes no organismo masculino e alterações hormonais podem, de fato, repercutir na sexualidade. A existência de sintomas isolados, entretanto, não determina sozinha a necessidade de reposição hormonal.

Segundo Serapião, o diagnóstico deve combinar avaliação clínica e exames laboratoriais. Cansaço, redução do desejo ou mudança no desempenho não podem ser interpretados automaticamente como sinais de deficiência hormonal.

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“Quando existe uma deficiência hormonal verdadeira, ela precisa ser tratada dentro de critérios médicos. O problema começa quando a testosterona passa a ser vista como resposta para qualquer cansaço, insatisfação sexual ou queda de desempenho, sem que exista um diagnóstico que justifique essa conduta.”

O urologista também diferencia a reposição indicada por uma condição clínica do uso do hormônio com finalidade estética ou para tentar elevar artificialmente o desempenho.

Essa distinção é importante porque administrar testosterona acima das necessidades fisiológicas pode interferir no funcionamento do próprio organismo. Serapião cita entre as preocupações clínicas os possíveis efeitos cardiovasculares e as alterações no eixo hormonal, além da necessidade de avaliação urológica individualizada, especialmente à medida que o paciente envelhece.

“Não podemos tratar da mesma forma uma reposição indicada por deficiência hormonal e o uso de testosterona em níveis elevados apenas para buscar performance. São situações completamente diferentes, com riscos que precisam ser avaliados e discutidos com o paciente.”

Por isso, sintomas e resultados laboratoriais precisam ser interpretados em conjunto. A decisão sobre iniciar ou não uma terapia hormonal depende das características de cada paciente e não deve ser baseada apenas em expectativas de aumento de libido ou desempenho.

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Testosterona também pode repercutir na fertilidade

Entre homens mais jovens, existe outro ponto que precisa entrar nessa discussão: o desejo de ter filhos.

A testosterona administrada de forma externa pode interferir no eixo hormonal responsável pela produção natural do organismo e afetar a produção de espermatozoides. Dessa forma, o planejamento reprodutivo deve fazer parte da avaliação antes de qualquer tratamento.

“Quando o homem apresenta uma deficiência hormonal real, mas deseja preservar a fertilidade, isso precisa ser levado em consideração desde o início. Existem estratégias diferentes que podem ser avaliadas pelo médico, porque o tratamento não deve olhar apenas para o sintoma atual, mas também para os planos desse paciente para o futuro.”

O especialista também chama atenção para homens que começam a utilizar hormônios ainda jovens em busca de estética, disposição ou desempenho. Nesses casos, a ausência de avaliação médica pode fazer com que efeitos sobre a saúde reprodutiva sejam percebidos apenas posteriormente.

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A orientação, portanto, não é tratar a testosterona como vilã nem como solução universal. Trata-se de reconhecer que sua indicação exige diagnóstico e acompanhamento individualizado.

Pressão por desempenho pode confundir a percepção sobre a libido

A preocupação hormonal também aparece em um contexto de cobrança crescente sobre a sexualidade masculina. Para Serapião, redes sociais, pornografia e referências irreais de desempenho ajudam a criar parâmetros difíceis de reproduzir na vida cotidiana.

Entre as queixas que aparecem no consultório estão preocupações com duração da relação, rigidez da ereção, frequência sexual e tamanho do pênis. A comparação constante pode fazer com que variações naturais sejam percebidas como deficiência ou doença.

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Essa cobrança também pode contribuir para um ciclo de ansiedade, especialmente quando o homem passa a avaliar o próprio desempenho durante a relação em vez de se concentrar na experiência e na conexão com a parceria.

“O homem foi educado para não falhar, não demonstrar sentimentos e não expor inseguranças. Quando surge uma dificuldade sexual, muitos permanecem em silêncio por bastante tempo. Às vezes, o maior desafio não é encontrar um medicamento, mas criar espaço para que o paciente consiga falar com honestidade sobre o que está vivendo.”

A dificuldade de verbalizar o problema pode prolongar o sofrimento e favorecer tentativas de resolver a situação por conta própria. Por isso, mudanças persistentes na libido ou no desempenho sexual merecem investigação.

“Sexualidade não é apenas hormônio nem apenas desempenho. É preciso olhar para o corpo, para as emoções e para o relacionamento. Quando conseguimos compreender esse conjunto, fica mais claro o que realmente precisa ser tratado.”

Quem é Rodrigo Serapião

Carioca e criado em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, Rodrigo Serapião decidiu ainda na adolescência que seguiria a medicina. Filho de dois professores da rede pública, direcionou os estudos para ingressar em uma universidade pública e foi aprovado em Medicina na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, a Unirio.

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Depois da graduação, escolheu a cirurgia geral e, na sequência, fez residência em urologia no Hospital Federal Cardoso Fontes. A combinação entre atendimento clínico e prática cirúrgica foi determinante para a escolha da especialidade.

Com o avanço da carreira, a sexualidade masculina passou a ocupar espaço crescente em sua atuação. A área também dialoga com uma referência de sua própria formação pessoal: sua mãe é psicóloga e sexóloga, e o contato precoce com conversas sobre sexualidade contribuiu para despertar seu interesse por uma abordagem que não se limite aos aspectos físicos.

Atualmente, Serapião atua como urologista e cirurgião, com atenção especial à sexualidade masculina. No consultório, busca integrar a investigação médica à compreensão de fatores emocionais e relacionais, sobretudo em situações nas quais vergonha, medo de falhar ou dificuldade de comunicação impedem o paciente de falar abertamente sobre a própria saúde sexual.

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CRM: 5269256-5/RJ | RQE N.: 10844, 13194

Instagram: @dr.rodrigo.serapiao

Crédito: TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS

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