Sem sintomas, varicocele pode afetar fertilidade, diz Sander Tessaro
Urologista especialista em andrologia explica por que a condição pode ser descoberta durante a investigação reprodutiva

A infertilidade masculina pode estar relacionada a diferentes fatores, inclusive a condições que evoluem sem provocar sintomas perceptíveis. Entre elas está a varicocele, caracterizada pela dilatação das veias ao redor dos testículos e associada, em determinados casos, a alterações na produção e na qualidade dos espermatozoides.
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O quadro merece atenção justamente porque muitos homens mantêm libido, ereção e ejaculação normais mesmo diante de alterações relacionadas à fertilidade. Por isso, a investigação masculina também deve fazer parte da avaliação de casais que enfrentam dificuldade para engravidar.
Segundo o urologista Sander Tessaro, que atua em andrologia e infertilidade masculina, a varicocele pode alterar as condições necessárias para o funcionamento adequado dos testículos.
“A bolsa escrotal está localizada fora da cavidade abdominal porque os testículos precisam permanecer em uma temperatura inferior à dos órgãos internos. Quando essas veias ficam dilatadas, o retorno do sangue pode ocorrer de forma mais lenta, favorecendo um aumento da temperatura na região e criando um ambiente que pode prejudicar a produção dos espermatozoides.”
Por que a varicocele pode interferir na fertilidade
De forma simplificada, a varicocele pode ser comparada às varizes que surgem nas pernas, embora, nesse caso, as veias dilatadas estejam localizadas na região testicular.
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Além da alteração da temperatura, o retorno mais lento do sangue pode modificar o ambiente ao redor do testículo. Esse mecanismo ajuda a explicar por que a condição pode estar associada a mudanças observadas no espermograma.
A presença de varicocele, no entanto, não significa necessariamente infertilidade. Há homens que apresentam a alteração e conseguem ter filhos sem dificuldades.
“Nem toda varicocele impede o homem de ter filhos. O diagnóstico precisa ser analisado em conjunto com o exame físico, o espermograma e o histórico reprodutivo. A existência da condição, isoladamente, não determina que seja necessário tratar.”
Essa diferenciação é importante porque evita transformar um achado clínico em indicação automática de procedimento. A conduta deve considerar as características de cada paciente.
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Outro ponto relevante é que a varicocele pode passar despercebida por bastante tempo. Embora alguns homens apresentem desconforto ou dor, outros só descobrem a alteração durante a investigação de infertilidade.
Também não existe uma relação direta entre desempenho sexual e capacidade reprodutiva.
“Um homem pode ter libido preservada, ereções normais e uma vida sexual satisfatória e, ainda assim, apresentar alterações de fertilidade. Na maioria das vezes, esse tipo de problema não provoca um sinal evidente no cotidiano.”
A investigação deve considerar o casal
A dificuldade para engravidar ainda é, muitas vezes, associada inicialmente à mulher. Esse comportamento pode atrasar a identificação de fatores masculinos e prolongar o processo de investigação.
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Para Tessaro, avaliar os dois parceiros desde o início é especialmente importante quando o tempo reprodutivo precisa ser considerado.
“Quando existe dificuldade para engravidar, investigar o homem e a mulher em conjunto ajuda a evitar perda de tempo. Isso se torna ainda mais relevante quando a idade da parceira exige decisões mais ágeis ao longo da investigação.”
O momento adequado para procurar avaliação varia de acordo com a idade da mulher e com o histórico do casal. De acordo com Tessaro, em linhas gerais, casais em que a mulher tem menos de 35 anos podem aguardar até um ano de tentativas regulares. Entre 35 e 37 anos, esse período costuma ser reduzido para cerca de seis meses. Em idades mais avançadas, a investigação deve ser iniciada mais precocemente.
Esses períodos, no entanto, não substituem a avaliação individual. Histórico de doenças, alterações prévias, cirurgias, fatores hormonais e outros aspectos podem modificar a conduta.
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Quando a cirurgia pode ser considerada
Nem todo diagnóstico de varicocele exige tratamento cirúrgico. A correção costuma ser discutida quando a condição é identificada clinicamente e está associada a alterações no espermograma ou a outros fatores relevantes para a fertilidade.
Nos casos em que há indicação, uma das possibilidades é a correção microcirúrgica. A técnica utiliza magnificação de imagem para permitir uma visualização mais detalhada das estruturas presentes na região testicular.
“Com o microscópio, conseguimos identificar estruturas muito pequenas e diferenciar as veias que precisam ser tratadas das estruturas que devem ser preservadas. Isso é especialmente importante em relação às artérias testiculares, que precisam permanecer íntegras durante o procedimento.”
Durante a cirurgia, também pode ser utilizado o micro-Doppler, recurso que auxilia na identificação do fluxo arterial e oferece ao cirurgião uma referência adicional para a preservação dos vasos.
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A necessidade do procedimento e a escolha da técnica dependem do quadro clínico. A presença de varicocele, por si só, não é suficiente para definir uma indicação cirúrgica.
O resultado não é imediato
Quando a correção da varicocele é realizada com o objetivo de melhorar parâmetros relacionados à fertilidade, o espermograma não apresenta mudanças imediatas. Isso acontece porque a produção dos espermatozoides segue um ciclo biológico.
Tessaro explica que esse processo leva aproximadamente 74 dias, razão pela qual uma nova avaliação costuma ser feita após alguns meses.
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“É preciso respeitar o tempo de renovação da produção espermática. Aproximadamente 74 dias correspondem a um novo ciclo, então as primeiras mudanças podem começar a aparecer depois desse período. Ainda assim, a resposta é individual e pode continuar evoluindo ao longo dos meses.”
Segundo o urologista, a avaliação pode se estender por vários meses antes que seja possível observar de forma mais completa a resposta do organismo.
Mesmo quando há melhora no espermograma, isso não significa, necessariamente, que ocorrerá uma gravidez. A fertilidade depende de diferentes fatores masculinos e femininos, e o resultado deve ser interpretado dentro do contexto do casal.
Varicocele e fertilização in vitro
A varicocele também pode entrar na discussão de casais que já consideram técnicas de reprodução assistida, como a fertilização in vitro.
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Durante muito tempo, havia a tendência de seguir diretamente para a reprodução assistida em algumas situações. Hoje, segundo Tessaro, a presença de uma varicocele clínica associada a alterações espermáticas pode ser considerada dentro da estratégia do casal, inclusive antes de uma fertilização.
“Quando existe uma varicocele clínica acompanhada de alterações no espermograma, o tratamento pode ser discutido mesmo em casais que já pensam em fertilização in vitro. A decisão precisa considerar a idade da mulher, o quadro do homem, o tempo de infertilidade e o planejamento reprodutivo do casal como um todo.”
A decisão entre tratar a varicocele ou seguir diretamente para uma técnica de reprodução assistida não deve ser automática. O objetivo é definir a conduta mais adequada para cada situação, sem transformar uma possibilidade terapêutica em promessa de resultado.
Essa abordagem também ajuda a desfazer um dos tabus que ainda cercam a infertilidade: a ideia de que a dificuldade para engravidar está necessariamente ligada à mulher. Fatores masculinos podem estar presentes mesmo quando não há qualquer alteração perceptível na vida sexual.
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Para Tessaro, reconhecer essa participação masculina permite uma investigação mais equilibrada e reduz o peso emocional direcionado a apenas uma das partes do casal.
Quem é Sander Tessaro
Nascido em Florianópolis, Sander Tessaro iniciou sua formação médica em Santa Catarina, onde também realizou residência em Cirurgia Geral. A especialização em Urologia foi concluída no Hospital Santa Marcelina, em São Paulo, etapa que direcionou sua trajetória para a saúde masculina.
Ao longo da formação, aprofundou-se em reprodução assistida, infertilidade masculina, andrologia e cirurgia minimamente invasiva, além de ter passado por treinamento na Cleveland Clinic. Atualmente, sua atuação é voltada principalmente à fertilidade masculina, medicina sexual e ao acompanhamento de homens com alterações hormonais, reprodutivas e sexuais.
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A experiência no atendimento desses pacientes também modificou sua percepção sobre a prática médica. Para Tessaro, problemas relacionados à fertilidade, ereção e sexualidade exigem não apenas investigação clínica, mas tempo, escuta e acolhimento, especialmente porque muitos homens chegam ao consultório após longos períodos convivendo em silêncio com dúvidas, inseguranças ou constrangimentos.
CRM 16006 | RQE 13373
Instagram: @urologista.sandertessaro
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Site: https://sandertessaro.com.br/

Sem sintomas, varicocele pode afetar fertilidade, diz Sander Tessaro - Crédito: TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS
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