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Tecnologia usa digitais de recém-nascidos para evitar trocas de bebês

Sistema desenvolvido em Curitiba é utilizado no Hospital do Trabalhador e já soma 320 mil coletas biométricas desde 2017.

5 min

28/10/2026 15:26 • Atualizado há 43 min

Tecnologia usa digitais de recém-nascidos para evitar trocas de bebês

Tecnologia desenvolvida pela startup Infant.ID, de Curitiba, permite registrar impressões digitais de bebês desde as primeiras horas de vida.

Foto: Divulgação

Uma tecnologia desenvolvida em Curitiba permite identificar bebês por meio das impressões digitais desde as primeiras horas de vida. Criado pela startup paranaense Infant.ID, o sistema já tem homologação em nove estados brasileiros e é utilizado no Hospital do Trabalhador, na capital paranaense. O objetivo é reforçar a segurança na identificação de recém-nascidos e reduzir riscos de trocas de bebês, fraudes de identidade e problemas nos registros de nascimento.

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A empresa contabiliza mais de 320 mil coletas biométricas realizadas desde 2017, no Brasil e no exterior. O número, porém, não representa 320 mil crianças diferentes. Parte dos registros corresponde a novas coletas feitas em uma mesma criança para acompanhar as mudanças das impressões digitais durante o crescimento.

"Por isso, falamos em 320 mil coletas, e não em 320 mil crianças distintas", explica Roberta Andrade, gerente de Negócios e Produto da Infant.ID.

A tecnologia utiliza um leitor desenvolvido especialmente para captar impressões digitais de crianças de 0 a 7 anos, faixa etária em que os equipamentos convencionais apresentam dificuldades para registrar os detalhes necessários à identificação.

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Hospital do Trabalhador utiliza tecnologia em Curitiba

O Hospital do Trabalhador, em Curitiba, é uma das instituições que utilizam o equipamento e participa do desenvolvimento e da aplicação da biometria neonatal.

Segundo Roberta Andrade, a experiência na unidade é uma referência para ampliar o projeto no Paraná.

"Nossa intenção é levar a solução a outras unidades de Curitiba e do Paraná, e já existem conversas e diálogos com o governo nesse sentido", afirma.

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A empresa ainda não divulgou um cronograma para a implantação dos equipamentos em novos hospitais e maternidades.

O sistema pode ser utilizado em diferentes etapas do atendimento hospitalar, incluindo a conferência da identidade da criança e do vínculo com a mãe antes da alta.

A identificação biométrica funciona como uma verificação adicional aos procedimentos de segurança já adotados pelas instituições de saúde.

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Tecnologia tem homologação em nove estados brasileiros

De acordo com a Infant.ID, nove estados brasileiros já homologaram a tecnologia: Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Goiás, Tocantins, Maranhão, Paraíba, Sergipe e Ceará.

A homologação permite o uso da tecnologia nos estados contemplados, mas sua adoção ainda não é universal.

"A homologação, porém, não significa que toda a rede daquele estado já esteja equipada: a implantação acontece por unidades e serviços", esclarece Roberta.

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A empresa também informou que avança em processos de validação no Acre, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Rio Grande do Sul.

No Rio de Janeiro, o sistema passa por testes na Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde é avaliada a integração da tecnologia ao processo de registro de nascimento.

A ausência de uma regulamentação federal consolidada para a tecnologia também exige que os processos de homologação sejam realizados separadamente em cada estado, segundo a empresa.

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Biometria já evitou alguma troca de bebês?

Apesar da proposta de aumentar a segurança dos recém-nascidos, a Infant.ID informou que ainda não possui registros documentados de casos em que a tecnologia tenha sido utilizada para esclarecer uma troca de bebês, localizar uma criança desaparecida ou identificar uma fraude.

"Felizmente, até o momento, não temos registro de um caso de troca de bebês, desaparecimento ou fraude em que tenha sido necessário recorrer à nossa tecnologia para esclarecer uma ocorrência", afirma Roberta Andrade.

Segundo a empresa, a principal finalidade do sistema é preventiva. A identificação biométrica pode acrescentar uma etapa de conferência da identidade da criança e de seu vínculo com a mãe ou responsável, principalmente em situações como a alta hospitalar.

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A identificação de recém-nascidos já é uma obrigação prevista na legislação brasileira. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em vigor desde 1990, estabelece procedimentos de identificação e registro que devem ser adotados pelos estabelecimentos de saúde.

Tecnologia é desenvolvida e fabricada no Paraná

A história da Infant.ID começou com pesquisas em biometria neonatal em 2012. Fundada em Curitiba, a startup trabalha atualmente em parceria com mais de 30 pesquisadores da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).

Segundo a empresa, o leitor desenvolvido para crianças possui resolução dez vezes superior à dos equipamentos biométricos convencionais, permitindo captar detalhes das impressões digitais desde as primeiras horas de vida. Essa comparação de desempenho foi informada pela fabricante.

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A produção dos equipamentos é realizada em uma fábrica própria localizada em Pato Branco, no Sudoeste do Paraná.

Além dos leitores biométricos, a startup desenvolveu uma plataforma para organizar os cadastros e integrar as informações coletadas a sistemas utilizados por hospitais, instituições de identificação e órgãos públicos.

Equipamento possui certificação técnica do FBI

A Infant.ID apresentou à reportagem um certificado de conformidade emitido pelo FBI, a polícia federal dos Estados Unidos, em 24 de janeiro de 2025. O documento atesta que o equipamento de captura de impressões digitais atende aos requisitos técnicos de qualidade de imagem estabelecidos pelo órgão, conforme o padrão internacional PIV (Personal Identity Verification), utilizado em sistemas de verificação de identidade.

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Como são protegidos os dados biométricos das crianças?

A coleta de impressões digitais de recém-nascidos envolve o tratamento de informações pessoais sensíveis, protegidas pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Segundo a Infant.ID, nos projetos desenvolvidos com o poder público, a responsabilidade pela guarda dos registros pertence aos órgãos estaduais. A empresa fornece a tecnologia de coleta e processamento, que pode ser integrada aos bancos de dados oficiais.

A startup afirma seguir práticas internacionais de segurança da informação, incluindo os princípios de proteção de dados desde a concepção dos sistemas, e declara possuir certificação ISO 27001.

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Empresa pretende ampliar atuação internacional

Além dos projetos brasileiros, a Infant.ID informou que seus equipamentos já foram apresentados em países da América Latina, da África e do Oriente Médio.

A expectativa é iniciar uma operação comercial internacional até o fim de 2026, em um país onde o processo de homologação estaria em estágio avançado.

No Brasil, a empresa pretende ampliar o uso da tecnologia em maternidades, hospitais e serviços de identificação.

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"Nosso trabalho é garantir que todas as crianças tenham acesso à cidadania e proteção, construindo um legado de segurança e esperança para o futuro", afirma Roberta Andrade.