Saúde

Transplante de coração: quanto tempo o órgão pode ficar fora do corpo?

Mais de 400 brasileiros aguardam na fila por um transplante de coração, enfrentando uma espera que pode superar oito meses em unidades de saúde de todo o

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29/09/2026 10:05 • Atualizado há 10 horas

Transplante de coração: quanto tempo o órgão pode ficar fora do corpo?

Mais de 400 brasileiros aguardam na fila por um transplante de coração, enfrentando uma espera que pode superar oito meses em unidades de saúde de todo o país. Quando um doador compatível finalmente surge, inicia-se uma corrida implacável contra o relógio. O tema ganha ainda mais relevância na data em que se celebra o Dia Mundial do Coração, chamando atenção para a importância da doação de órgãos.

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As informações detalhadas sobre o procedimento foram reunidas com a participação da médica Carolina Casadei, chefe da Seção de Insuficiência Cardíaca e Transplante Cardíaco do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia.

A especialista explica a dinâmica e a urgência do procedimento: "O coração está entre os órgãos que toleram menos tempo fora do organismo. Na preservação convencional, o intervalo entre a interrupção da circulação sanguínea no doador e o restabelecimento do fluxo no receptor deve ser o menor possível. Em geral, trabalha-se com uma janela de aproximadamente quatro horas".

Mitos e verdades sobre a cirurgia cardíaca

Ao contrário do que muitos pensam, o procedimento não envolve congelamento. Sobre o transporte e manuseio, Carolina Casadei esclarece: "O coração é retirado de forma controlada, recebe uma solução específica para sua preservação e é mantido resfriado durante o transporte. A baixa temperatura ajuda a diminuir o metabolismo das células e a preservar o órgão durante as poucas horas disponíveis até o transplante".

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Além disso, na técnica convencional, o órgão viaja parado e sem bater, retomando sua atividade elétrica natural apenas após ser implantado e conectado ao corpo do receptor.

A compatibilidade vai muito além do tipo sanguíneo, englobando fatores clínicos, gravidade do paciente e dimensões corporais como peso e altura. Conforme pontua a médica, "características como peso, altura e dimensões corporais entram na avaliação realizada pela equipe", embora o sexo do doador e do receptor não precise ser o mesmo.

A crença de que o receptor pode herdar gostos ou emoções do doador é tratada pela especialista como um mito sem respaldo científico: "Não há evidência científica de que memórias, sentimentos, personalidade ou preferências sejam transferidos junto com o órgão. Essas funções estão relacionadas ao cérebro".

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Da mesma forma, a ideia de que crianças transplantadas precisarão de uma nova cirurgia obrigatoriamente ao crescerem não procede, já que "o coração transplantado é um órgão vivo e pode acompanhar o crescimento do organismo".

Cuidados pós-operatórios e distribuição

O processo de distribuição dos órgãos segue critérios técnicos rígidos do sistema de transplantes, o que significa que a família do doador não escolhe quem será o receptor.

Mesmo após o sucesso da cirurgia, o acompanhamento médico contínuo é indispensável. A especialista alerta para a vigilância necessária: "O sistema imunológico reconhece o novo coração como algo diferente e pode tentar atacá-lo. É o que chamamos de rejeição. Para diminuir esse risco, o transplantado precisa utilizar medicamentos imunossupressores e manter acompanhamento médico periódico pelo resto da vida".

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A duração do órgão depende de fatores clínicos e da adesão ao tratamento, sem um prazo de validade fixo determinado.

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