Saúde
Jornal da Band

Uso excessivo do celular eleva risco de distúrbio alimentar em jovens

O uso precoce de smartphones por crianças e adolescentes eleva expressivamente as chances de desenvolvimento de transtornos alimentares e distorções de imagem

3 min

07/10/2026 06:30 • Atualizado há 1 hora

O uso precoce de smartphones por crianças e adolescentes eleva expressivamente as chances de desenvolvimento de transtornos alimentares e distorções de imagem corporal, segundo aponta um estudo publicado na revista científica JAMA Network Open.

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A pesquisa acompanhou 9 mil adolescentes nos Estados Unidos entre os 12 e os 14 anos. Os dados revelam que jovens com celulares têm um risco 67% maior de apresentar sintomas de compulsão alimentar e uma probabilidade 50% mais alta de adotar práticas inadequadas para evitar o ganho de peso, como pular refeições ou realizar exercícios físicos em excesso. Além disso, a chance de atrelar a própria autoestima ao peso corporal dobra entre os usuários frequentes.

Embora o acesso aos aparelhos não gere doenças como anorexia, bulimia e vigorexia isoladamente, a circulação constante de imagens editadas e filtros cria uma cobrança estética incessante sobre os jovens. A estudante Maria Fernanda, de 19 anos, enfrentou o problema aos 14, quando mudou de escola e passou a buscar grupos que promoviam dietas extremas em redes sociais após ganhar o primeiro aparelho aos 12 anos. Ela perdeu dez quilos em apenas dois meses.

"A gente tinha competição de quem comia menos, essas coisas assim. E foi aí que eu achei que precisava emagrecer para me enquadrar ao padrão de beleza que eu via nas redes sociais, nas séries que eu assistia, das cantoras que eu acompanhava", relata a estudante.

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Diagnósticos precoces desafiam hospitais

A exposição contínua a modelos inalcançáveis tem antecipado a procura por atendimento médico especializado, conforme avaliam especialistas da área da saúde mental.

Segundo o médico Wagner Gurgel, psiquiatra e coordenador do Programa de Transtornos Alimentares na Infância e Adolescência do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (IPq-HC), a idade média dos pacientes caiu consideravelmente nos últimos anos.

"A média era em torno de 15 anos do diagnóstico do transtorno alimentar no mundo inteiro. E a gente tá tendo essa mudança. Posso falar, no nosso serviço no Hospital das Clínicas, que é mais frequente internações de crianças de 10 anos com anorexia nervosa grave", afirma o médico.

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Especialista lista sinais de alerta para os pais

A pressão estética durante o crescimento também marcou a trajetória da nutricionista Sara Singer. Aos 13 anos, ela iniciou uma dieta restritiva para a festa de debutante e chegou a pesar 39 quilos. Atualmente especializada no tratamento dessas condições, a profissional reforça que os familiares precisam acompanhar atentamente as mudanças de comportamento à mesa.

De acordo com a nutricionista, pequenas alterações no cotidiano doméstico ajudam a identificar o sofrimento do jovem em estágio inicial. "A gente pode desconfiar quando esse jovem evita comer em casa, sempre diz que já comeu na rua. Quando sai da mesa e vai direto pro banheiro. A gente pode desconfiar quando ele foge do horário de comer com a família", adverte.