Vencer o Câncer

A Ciência e o potencial para transformar o tratamento do câncer no Brasil

Criada em 2021, a Rede Vencer o Câncer de Pesquisa Clínica impulsiona a implantação de centros de estudos em todo o país

Instituto Vencer o Câncer
INSTITUTO VENCER O CÂNCER

14/08/2025 • 11:49 • Atualizado em 14/08/2025 • 11:49

A pesquisa clínica ajuda a trazer novos remédios e tratamentos para quem precisa

A pesquisa clínica ajuda a trazer novos remédios e tratamentos para quem precisa

Kenneth Rodrigues/Pixabay

A pesquisa clínica ainda é, para muitos brasileiros, uma realidade distante, limitada aos grandes centros urbanos, aos hospitais privados e a um público específico com acesso privilegiado à informação e à inovação. O resultado disso é uma distorção grave: enquanto o Brasil ocupa um lugar estratégico no cenário global da pesquisa clínica, a maioria da população atendida pelo SUS ainda está à margem desse processo.

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Foi para transformar esse cenário que, em 2021, o Instituto Vencer o Câncer começou a estruturar a Rede Vencer o Câncer de Pesquisa Clínica para descentralizar, qualificar e ampliar o acesso à pesquisa oncológica, priorizando hospitais públicos e filantrópicos que atendem majoritariamente pacientes do SUS.

Hoje, a Rede reúne 20 centros distribuídos por todas as regiões do país, com destaque para o Norte, Nordeste e Centro-Oeste, e atua não apenas na habilitação técnica, mas também na construção de uma cultura de pesquisa dentro das instituições, do nível diretivo à assistência.

Por que isso importa?

Porque a pesquisa clínica é, também, uma via de acesso a tratamento de qualidade que, muitas vezes, não está disponível no SUS. O paciente pode receber um medicamento ainda em fase de desenvolvimento, ou um tratamento já aprovado em outros países, mas ainda inacessível na rede pública brasileira. Mesmo quando não se trata de uma inovação inédita, o estudo pode representar a única alternativa concreta para aquele paciente naquele momento. E isso faz toda a diferença.

Além do tratamento, os pacientes passam a ser acompanhados de forma contínua, com exames regulares, atendimento especializado e suporte médico atento à sua resposta e segurança. Tudo isso sem nenhum custo, em instituições públicas, por meio de um sistema ético, regulado e seguro.

Os hospitais também colhem benefícios importantes. Profissionais de saúde se capacitam continuamente, passam a atuar com protocolos internacionais e ganham reconhecimento como centros estratégicos de inovação. A estrutura institucional se fortalece, a gestão melhora, e a instituição se posiciona como protagonista na produção de conhecimento científico.

Além dos impactos clínicos e estruturais, a presença de estudos clínicos no SUS representa uma mudança profunda e concreta na forma como o sistema público é percebido e valorizado. Demonstrar que hospitais públicos e filantrópicos são capazes de conduzir ciência de excelência rompe estigmas, fortalece a confiança da população e atrai novos investimentos. Mostra que a inovação não está restrita a poucos, e que o Brasil tem, sim, capacidade técnica e humana para liderar pesquisas com impacto global — começando de dentro do SUS.

Juliana Mauri é gerente-executiva da Rede Vencer o Câncer de Pesquisa Clínica, do Instituto Vencer o Câncer

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