
Tabagismo ainda é o principal fator de risco para o câncer de pulmão
Martin Büdenbender/Pixabay
Agosto Branco é o mês dedicado à conscientização sobre o câncer de pulmão, uma doença que, apesar de ser fortemente associada ao tabagismo, também pode afetar pessoas que nunca fumaram.
Além do cigarro, alterações genéticas podem estar por trás do desenvolvimento do câncer de pulmão, especialmente em pacientes sem histórico de tabagismo. Essas mutações, quando identificadas, possibilitam o uso de novas drogas inovadoras, como as terapias-alvo. São, na maioria das vezes, medicamentos orais, que agem de forma mais precisa nas células doentes, com menos efeitos colaterais e melhores resultados clínicos. Esse tipo de abordagem pode oferecer mais qualidade de vida aos pacientes e, em muitos casos, ampliar a sobrevida.
Por isso, é fundamental que sintomas como falta de ar, tosse persistente, dor no peito ou chiado no pulmão não sejam negligenciados, mesmo em pessoas que nunca fumaram. A avaliação médica oportuna pode fazer toda a diferença, especialmente quando o diagnóstico é feito em fases iniciais da doença.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de pulmão segue como um dos principais causadores de morte por câncer no país. São estimados cerca de 32 mil novos casos da doença em 2025 aqui no país, com aproximadamente 29 mil mortes a cada ano. Uma das principais razões para essa alta mortalidade é a detecção tardia, quando as chances de sucesso no tratamento são menores.
A prevenção continua sendo um dos pilares mais importantes no enfrentamento da doença, e o controle do tabagismo permanece no centro dessa estratégia. No entanto, ampliar o olhar para além do cigarro é indispensável. A conscientização sobre outros fatores de risco, como a exposição a poluentes, e o acesso a tecnologias diagnósticas e terapias modernas são passos essenciais para transformar essa realidade.
O Agosto Branco reforça essa mensagem: o câncer de pulmão não pode ser silencioso. Informação, prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado são as estratégias mais eficazes para reduzir o impacto dessa doença no Brasil e no mundo.
Daniel Vargas é oncologista clínico da Oncoclínicas em Brasília (DF) e integrante do Comitê Científico do Instituto Vencer o Câncer

