
Brasil registra mais de 13 mil novos casos de câncer de bexiga, todos os anos
Instituto Vencer o Câncer
Encontros científicos e congressos médicos são momentos fundamentais de troca de experiências, atualização e construção coletiva do conhecimento. É nesses espaços que especialistas compartilham resultados, discutem evidências e aprimoram estratégias que impactam diretamente o cuidado oferecido aos pacientes.
Foi nesse contexto que os dados foram apresentados durante o Congresso de Tumores Geniturinários da American Society of Clinical Oncology, realizado em San Francisco, no mês de fevereiro. O encontro reúne especialistas do mundo todo para discutir os principais avanços científicos nos cânceres de próstata, bexiga, rim e testículo, sendo reconhecido como um dos mais importantes fóruns internacionais dedicados à oncologia urológica.
Paralelamente, os avanços no câncer de bexiga chamaram ainda mais atenção pela magnitude dos resultados apresentados.
No cenário do câncer de bexiga localizado, um dos estudos mais relevantes avaliou pacientes elegíveis ao uso de cisplatina. A pesquisa comparou a quimioterapia tradicional, utilizada como padrão de tratamento, com uma estratégia mais moderna que combina imunoterapia com pembrolizumabe ao enfortumabe vedotina.
O enfortumabe vedotina é um anticorpo-droga conjugado, uma classe terapêutica inovadora que atua como um “míssil inteligente”. Esse tipo de medicamento reconhece especificamente a célula tumoral e entrega a droga diretamente a ela, potencializando a eficácia do tratamento e reduzindo danos às células saudáveis.
Os resultados foram expressivos. O estudo demonstrou uma redução de 47% no risco de recidiva e de 35% no risco de morte pela doença, números que representam um avanço significativo no tratamento do câncer de bexiga localizado e reforçam o impacto da incorporação de terapias-alvo e imunoterapia em estágios mais precoces da doença.
O conjunto das apresentações ao longo do dia evidenciou um momento de transformação na oncologia urológica. Os dados apresentados apontam para uma mudança de era no tratamento do câncer de bexiga, com estratégias mais eficazes, personalizadas e baseadas em mecanismos biológicos mais específicos.
A ciência segue avançando de forma consistente, e os resultados apresentados no congresso reforçam que esses progressos já começam a se traduzir em benefícios concretos para os pacientes.
Camilla Fogassa é médica oncologista no Centro Especializado de Oncologia de Florianópolis (CEOF) e integrante do Comitê Científico do Instituto Vencer o Câncer

