
Reposição hormonal deve sempre ser feita sob orientação médica
Tumisu/Pixabay
A reposição hormonal masculina desperta cada vez mais interesse - e também muitas dúvidas. Entre elas, uma das mais frequentes é: testosterona pode causar câncer de testículo? A questão faz sentido, já que o hormônio está ligado a várias funções do corpo masculino e seu uso é cercado de polêmicas.
“A primeira coisa importante de destacar é que o câncer de testículo tem origem em células germinativas, que são as responsáveis por produzir os espermatozoides”, explica a médica oncologista Camilla Fogassa, do Centro Especializado de Oncologia de Florianópolis e integrante do Comitê Científico do Instituto Vencer o Câncer. “É diferente do câncer de próstata, que pode ser sensível à testosterona. No caso do testículo, não há relação comprovada entre os níveis desse hormônio e o aparecimento do tumor.”
O que precisa de atenção e cuidado
Embora não exista evidência científica de que a reposição de testosterona induza o câncer de testículo, há alertas importantes. Segundo a médica, o uso de esteroides anabolizantes e outras formas de testosterona em excesso podem levar à atrofia testicular e infertilidade. “A interrupção abrupta do hormônio pode gerar efeito rebote e prejudicar a saúde hormonal como um todo.”
A reposição deve sempre ser feita sob orientação médica, respeitando as indicações e acompanhamentos necessários.
E quem já teve câncer de testículo?
Outra dúvida comum é se um homem que já passou por um diagnóstico pode fazer reposição de testosterona. “Em alguns casos, sim”, afirma Camilla Fogassa. “Mas é fundamental que seja uma decisão compartilhada com o médico, avaliando riscos e benefícios para cada paciente.”
Isso porque a reposição pode ser necessária para manter qualidade de vida, mas deve ser ajustada à realidade clínica de cada indivíduo.
Atenção aos sinais
Apesar de ser considerado raro, o câncer de testículo preocupa pela faixa etária em que é mais frequente: homens jovens, entre 15 e 50 anos, em plena fase produtiva. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o tumor de testículo representa 5% do total de casos de câncer entre os homens. Quando detectado precocemente, tem altas chances de cura e baixo índice de mortalidade. Isso mostra que, mesmo sendo incomum, trata-se de uma doença que merece atenção redobrada justamente por atingir uma população jovem.
Muitas vezes esse tumor pode ser confundido ou até mascarado por inflamações, como a orquiepididimite - geralmente ligada a infecções sexualmente transmissíveis.
Entre os principais sinais de alerta estão:
- Nódulo ou aumento do testículo.
- Sensação de peso na bolsa escrotal.
- Dor ou desconforto na região.
“Qualquer alteração percebida deve ser investigada rapidamente. O diagnóstico precoce é determinante para a cura”, reforça a oncologista.
Mais importante do que temer a testosterona é manter o cuidado com a saúde testicular: conhecer os sinais de alerta, buscar atendimento médico diante de qualquer suspeita e realizar acompanhamento regular.

