Venda de corpos em hospital de MG gera ação do MPF
Procuradoria pede R$ 13,5 milhões por comércio ilegal de cadáveres em manicômio de Minas Gerais nos anos 70

O Ministério Público Federal entrou na Justiça com uma ação civil pública para responsabilizar instituições públicas de Minas Gerais e a União pela compra e venda ilegal de corpos de pacientes do antigo Hospital Colônia, em Barbacena. Pelo menos 1.800 cadáveres de pessoas que morreram na unidade psiquiátrica foram comercializados para faculdades de medicina na década de 1970.
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A ação cobra uma indenização por danos morais coletivos no valor superior a R$ 13,5 milhões, além de reparação por violações de direitos humanos e um pedido formal de desculpas às vítimas e à sociedade.
Fundado em 1903, o Hospital Colônia funcionou por mais de 80 anos e se tornou o maior manicômio do país. A instituição pública abrigava pacientes internados compulsoriamente, que viviam em condições degradantes e sem assistência adequada.
Entre as entidades processadas pelo Ministério Público Federal está a Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. A instituição de ensino adquiriu 105 corpos de internos do Hospital Colônia entre os anos de 1971 e 1975. O órgão ministerial sustenta que as transações violaram a dignidade humana de pessoas vulneráveis sob a custódia do Estado.
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Em nota oficial, a Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais declara que desenvolve todas as suas atividades acadêmicas em conformidade com os marcos legais e éticos.
Diferentemente das práticas ilegais registradas no século passado, as instituições de ensino contam atualmente com programas oficiais de doação voluntária de corpos. O modelo legalizado e regulamentado contribui diretamente para a formação prática de novos médicos e o avanço da pesquisa científica.
Na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), cidadãos maiores de 18 anos podem se cadastrar espontaneamente no programa Vida Após a Vida. A coordenadora do programa, Pollyana Helena Policarpo, explica que o doador agenda uma entrevista e recebe orientações completas para repassar aos familiares responsáveis. Ela ressalta que a universidade custeia integralmente o translado e o transporte do corpo após a morte do voluntário.
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