Como a tecnologia reduz os custos da produção leiteira
A produção de leite enfrenta um cenário desafiador no Brasil, marcado pela alta nas despesas operacionais e pela margem reduzida para quem atua na atividade.

A produção de leite enfrenta um cenário desafiador no Brasil, marcado pela alta nas despesas operacionais e pela margem reduzida para quem atua na atividade. Diante dessa realidade, a Embrapa Gado de Leite, sediada em Juiz de Fora (MG), comemora cinco décadas de existência com foco na modernização do setor e na recuperação da rentabilidade dos produtores rurais.
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A atividade leiteira permanece entre os pilares mais relevantes do agronegócio nacional. No entanto, pecuaristas de várias regiões relatam dificuldades para manter a sustentabilidade financeira dos negócios, além de lidarem com a escassez de mão de obra qualificada no meio rural.
Para o chefe-geral da Embrapa Gado de Leite, José Bellini, o investimento em ciência é o caminho para transformar essa realidade. O pesquisador ressalta que a instituição celebra seu Jubileu de Ouro com a missão renovada de entregar soluções concretas às demandas do campo.
"Nós vamos poder mostrar as tecnologias que temos desenvolvido ao longo desses anos e também esse compromisso que nós temos com a pecuária leiteira", afirma Bellini.
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O dirigente explica que a pecuária leiteira moderna opera cada vez mais integrada a ferramentas digitais. Entre os destaques estão a mecanização de processos e o avanço da internet das coisas — tecnologia baseada em sensores conectados que monitoram dados de ordenha, alimentação e bem-estar animal em tempo real.
Contudo, a tecnologia exige preparo. A falta de colaboradores no campo demanda um esforço contínuo de formação profissional, já que as propriedades rurais precisam de equipes aptas a manusear novos softwares e equipamentos automatizados.
Segundo Bellini, o trabalho científico da unidade concentra esforços em três eixos centrais. O primeiro consiste no desenvolvimento de alimentos mais ricos e nutritivos a menor custo, barateando a ração sem prejudicar o rebanho.
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O segundo ponto abrange o melhoramento genético, processo que seleciona animais para aumentar a produtividade e a adaptação ao clima. Já o terceiro pilar baseia-se no fortalecimento da assistência técnica pública e privada.
O cuidado com a sanidade animal e a qualidade do produto integram as pesquisas da estatal, que fornece subsídios técnicos para a criação de políticas públicas federais no setor.
A geração de conhecimento precisa ultrapassar os laboratórios e alcançar a rotina dos produtores. Essa conexão direta depende da extensão rural, serviço responsável por levar instruções práticas e assistência tecnológica às propriedades.
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Bellini pontua que a função da entidade vai além de criar novos métodos. "A Embrapa procura fazer um processo grande não só da pesquisa, não só do desenvolvimento da tecnologia, mas principalmente e também transferir essa tecnologia em parceria", destaca o chefe-geral.
Para assegurar que as inovações sejam adotadas, a instituição investe no treinamento de técnicos e produtores. "Se uma tecnologia fica apenas nos nossos laboratórios, ela não chega ao produtor. Para isso, nós temos que fazer com que ela seja adotada, e o mecanismo que usamos é o treinamento", explica Bellini.
Entre os projetos estratégicos para a disseminação do conhecimento está a Rede Aterleite. A iniciativa atua de maneira articulada em 12 Estados na transferência de inovações para cooperativas e pequenas propriedades.
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O trabalho conjunto encurta a distância entre a pesquisa e o produtor. "É através desse processo de parceria com as instituições de extensão pública e privada que nós levamos o conhecimento, levamos a tecnologia aos produtores", conclui Bellini.
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