El Niño e chuvas intensas reduzem safra de trigo no Sul do Brasil
A produção brasileira de trigo sofre os impactos do fenômeno climático El Niño na região Sul do País. A intensificação de temporais e o excesso de umidade

Agro+
A produção brasileira de trigo sofre os impactos do fenômeno climático El Niño na região Sul do País. A intensificação de temporais e o excesso de umidade afetam lavouras no Paraná e no Rio Grande do Sul, cenário que já leva a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) a estimar redução de 27,2% no volume total do grão para a safra 2026/2027, atingindo cerca de 5,73 milhões de toneladas.
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O El Niño atua sobre o Oceano Pacífico Equatorial e mantém temperaturas elevadas da água. Dados do Centro de Previsão Climática (CPC), vinculado à Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), apontam probabilidade de 83% de que o atual episódio supere, em força, eventos registrados desde 1950, prolongando os efeitos até o início de 2027.
Em setembro, estações do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) registraram volumes pluviométricos entre 60% e 135% acima da média histórica nos estados sulistas. Cidades como Dois Vizinhos (PR), Santana do Livramento (RS) e Santa Maria (RS) anotaram os desvios mais severos em relação ao padrão climatológico.
Para a triticultura, a umidade persistente atua como obstáculo direto nos estágios de floração, enchimento dos grãos e maturação. O encharcamento da terra prejudica a retenção de matéria seca nas espigas e compromete o peso hectolítrico (PH), índice que mede a densidade e define o valor comercial do trigo no mercado.
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Além da limitação física de radiação solar, a proliferação de fungos e doenças bacterianas avança pelas áreas cultivadas. No Noroeste gaúcho, agrônomos relatam aumento de casos de giberela, brusone e bacterioses, somados a episódios de quebra de espigas e tombamento de plantas após temporais com rajadas de vento e granizo.
O avanço das colheitadeiras ocorre de maneira desigual entre os estados da Região Sul devido ao calendário e ao clima local. No Paraná, os trabalhos no campo cobrem 70% da área cultivada, índice ligeiramente superior à média histórica de 65,2% para o período.
No Rio Grande do Sul, a realidade das máquinas é distinta. Segundo levantamento da Emater/RS-Ascar, apenas 9% dos 814.220 hectares semeados foram colhidos até a primeira quinzena de outubro, abaixo dos 15% habituais. O solo encharcado impede a entrada do maquinário pesado, provocando paralisações contínuas na colheita gaúcha.
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A produtividade média projetada pela Emater para o território gaúcho é de 2.701 quilos por hectare, mas áreas isoladas enfrentam perdas acentuadas. No município de Itaqui, o rendimento das primeiras áreas varia de 1.200 a 1.500 quilos por hectare, desempenho que reflete a gravidade do quadro climático trazido pelo El Niño.
