El Niño forte ameaça safras de soja, milho e café no Brasil
O fenômeno El Niño forte traz alertas climáticos severos para a produção agrícola brasileira no quarto trimestre de 2026. Um relatório divulgado pela

Alertas do El Niño: Embrapa divulga recomendações para produtores rurais
Reprodução
O fenômeno El Niño forte traz alertas climáticos severos para a produção agrícola brasileira no quarto trimestre de 2026. Um relatório divulgado pela consultoria StoneX aponta que o evento, somado ao aquecimento do Atlântico tropical e ao Dipolo do Oceano Índico (IOD), eleva os riscos para as lavouras de soja, milho e café.
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Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), o fenômeno climático já está plenamente ativo e apresenta quase 100% de probabilidade de durar até fevereiro de 2027. O cenário aumenta a ocorrência de episódios meteorológicos extremos, como secas regionais, estiagens severas e tempestades concentradas.
A analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Carolina Giraldo, explica que o comportamento do clima foge dos padrões habituais. Conforme a especialista, os efeitos reais sobre as lavouras dependem diretamente da distribuição das chuvas ao longo do ciclo produtivo de cada cultura.
“O mercado costuma associar automaticamente o El Niño a determinados padrões climáticos, mas os impactos reais dependem da interação entre diversos fatores oceânicos e atmosféricos. Neste ano, o Dipolo do Oceano Índico e o Atlântico tropical mais aquecido também podem alterar significativamente a forma como a chuva e a temperatura se distribuem sobre as principais regiões produtoras”, afirma Carolina.
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Diferenças regionais acendem alerta no campo
As projeções climáticas para o território nacional mostram quadros divergentes entre as áreas produtoras. A diversidade geográfica brasileira exigirá cuidados específicos de manejo e logística por parte dos agricultores.
Na Região Sul, o excesso de chuvas previsto pode beneficiar o início do plantio. Por outro lado, o volume elevado de precipitações tende a atrapalhar a circulação de maquinários e o trabalho de semeadura nas propriedades.
Já no Cerrado e na região do Matopiba — área que abrange terras de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia —, a previsão de calor intenso e chuvas reduzidas em novembro e dezembro preocupa os produtores de soja e milho. O estresse hídrico, caracterizado pela falta de água nas plantas durante períodos de crescimento, pode comprometer o rendimento das plantas em fases decisivas.
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O Sudeste também requer atenção, especialmente nos cafezais. Embora não haja previsão de seca generalizada, as altas temperaturas no fim do ano aumentam o desgaste térmico dos cafeeiros. Em contrapartida, os canaviais do Centro-Sul contam com um cenário favorável, desde que não ocorra umidade excessiva nas lavouras.
“O maior risco para os produtores não é apenas a quantidade de chuva prevista para a estação. A preocupação está na ocorrência de períodos prolongados de calor acompanhados por deficiência hídrica, especialmente nas regiões produtoras do Cerrado e do Matopiba, onde a demanda por água pelas plantas aumenta consideravelmente”, explica.
Inversão climática recente e concorrência global
O histórico recente confirma a instabilidade atmosférica sobre a América do Sul. Em julho e agosto, o Rio Grande do Sul registrou acumulados de chuva muito superiores à média histórica.
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Em setembro, no entanto, ocorreu uma mudança incomum: o Estado de São Paulo teve chuvas 273% acima do padrão nos primeiros 23 dias do mês, enquanto o Paraná registrou volume 181% superior ao habitual. No mesmo intervalo, lavouras do Uruguai enfrentaram uma estiagem severa.
No mercado internacional, países concorrentes do agronegócio brasileiro também lidam com ameaças. No Paraguai e no Uruguai, o excesso de chuva repete os entraves operacionais vistos no Sul do Brasil.
Produtores de milho no sul da África enfrentam seca e calor no bimestre final de 2026. Ao mesmo tempo, lavouras de cacau na Costa do Marfim e em Gana, plantações de trigo na Argentina, Índia e Austrália, além do cultivo de café na América Central e na Ásia, passam por monitoramento constante de umidade do solo.
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“O quarto trimestre exigirá acompanhamento constante das condições meteorológicas. Mais do que observar médias trimestrais, será fundamental monitorar mês a mês a evolução das chuvas, das temperaturas e da umidade do solo, porque os impactos para as commodities dependerão diretamente da fase de desenvolvimento ou colheita de cada cultura”, conclui a analista.
