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Agro

Exportações elevadas provocam disparada dos preços da carne bovina

Cortes de dianteiro e ponta de agulha foram os mais impactados; saiba qual deve ser o comportamento dos preços nos próximos meses

3 min

07/05/2026 11:14 • Atualizado há 169 dias

Exportações elevadas provocam disparada dos preços da carne bovina

As exportações em alta, motivadas principalmente pela voracidade do mercado chinês, elevou ainda mais os preços da carne bovina para o consumidor brasileiro. Em abril, o preço da carcaça casada de boi, que é uma unidade padrão de comercialização de carne bovina entre os frigoríficos, açougues e supermercados, registrou o maior valor dos últimos 25 anos.

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De acordo com dados deflacionados pelo IGP-DI, a média de preços, em abril, atingiu R$ 25,23 por quilo. O resultado representa um avanço expressivo de 3,74% em comparação a março e uma alta acumulada de 9,95% no primeiro quadrimestre deste ano.

A valorização reflete um desequilíbrio entre a oferta limitada de animais prontos para o abate e uma demanda externa que permanece aquecida desde o início de 2026. Pesquisadores do Centro de Estudos de Pesquisas Avançadas (Cepea/Usp) indicam que o repasse da alta do boi gordo para o valor da carne foi o principal motor desse movimento no mercado físico.

A análise mostra demonstra que o aumento não foi uniforme para todos os cortes, mas concentrou-se especialmente no dianteiro - acém, pescoço, peito, paleta, músculo e cupim - e na ponta de agulha, como costela e vazio. Em abril, o preço do dianteiro subiu 5%, atingindo a média de R$ 22,55/kg. Já a ponta de agulha teve uma valorização ainda maior, de 6,9%, fechando com média à vista de R$ 21,12/kg.

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Em contrapartida, os cortes do traseiro, as chamadas “carnes de primeira”, apresentaram uma elevação mais contida, na ordem de 3,8%. Essa variação distinta entre as partes da carcaça casada reforça como a demanda interna e externa influencia cada segmento da produção.

Perspectivas para a entressafra

Para os próximos meses, o mercado deve ser norteado pelo ritmo das exportações, com foco especial nas compras realizadas pela China, que está próxima de atingir, em julho, a cota de exportação de 1,1 milhão de toneladas. O Cepea ressalta que a evolução dos preços também dependerá diretamente das condições de oferta de animais terminados, que é o gado já pronto para ser comercializado, e da reposição dos rebanhos.

Esses fatores técnicos serão cruciais durante o ciclo da entressafra, período entre safras onde a disponibilidade de pastagens diminui e o custo de produção tende a subir. A tendência é que os patamares de preços se sustentem elevados, embora ajustes pontuais de curto prazo possam ocorrer conforme as oscilações da demanda internacional.

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A relação de troca, que mede o poder de compra do pecuarista frente aos seus custos, também será monitorada de perto. Especialistas avaliam que o cenário de oferta restrita deve manter a pressão de alta, consolidando abril como um marco histórico para a pecuária brasileira em termos de valorização real do produto.

Exportações elevadas provocam disparada dos preços da carne bovina