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Preços da carne bovina acumulam alta de 44% em dois anos no Brasil

Recorde real na série histórica do Cepea aponta valorização de 44,8% em dois anos para a carcaça casada em São Paulo

VIVIANE TAGUCHI

23/04/2026 • 10:41 • Atualizado em 23/04/2026 • 10:41

Com baixa disponibilidade de animais para o abate, preço da carne dispara

Com baixa disponibilidade de animais para o abate, preço da carne dispara

Divulgação/CNA

Os preços da carne bovina seguem a tendência de alta no Brasil em abril. Segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a combinação de oferta limitada de animais prontos para o abate com a demanda externa aquecida tem impulsionado os valores da proteína.

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A valorização reflete diretamente nas negociações realizadas no atacado da Grande São Paulo. Dados coletados pelo Cepea mostram que, na parcial de abril (até o dia 20), a carcaça casada bovina registra uma alta de 4%. O produto foi negociado a R$ 25,41 por quilo, à vista, na última segunda-feira (20).

A carcaça casada é o conjunto formado pelo traseiro, dianteiro e ponta de agulha do animal. Esse indicador é fundamental para medir a temperatura do mercado de carne antes de o produto chegar aos balcões dos açougues e supermercados.

Recorde histórico nos preços

Em termos reais — quando os valores são ajustados pela inflação (deflacionados pelo IGP-DI de março/26) —, a média da parcial deste mês é de R$ 25,05/kg. Este valor representa um recorde real em toda a série histórica do Cepea, iniciada em 2001.

Para se ter uma dimensão do avanço, o preço atual é 11% superior ao registrado em abril de 2025. Quando comparado a abril de 2024, a alta é ainda mais expressiva, atingindo 44,8%.

Entenda os fatores da alta

O cenário de preços elevados é sustentado por dois pilares principais: a oferta e a demanda. No campo, os pecuaristas enfrentam uma janela de baixa disponibilidade de animais no ponto ideal para o abate. Com menos bois chegando aos frigoríficos, o preço da carcaça sobe naturalmente.

Paralelamente, o mercado internacional continua comprando volumes significativos da carne brasileira. Esse apetite externo reduz a quantidade de produto disponível para o consumo doméstico, pressionando ainda mais as cotações internas.

O avanço nos preços do atacado costuma ser repassado, em diferentes proporções, para o consumidor final. Especialistas do setor acompanham se a demanda interna brasileira terá fôlego para absorver esses novos patamares de preço ou se haverá migração para proteínas alternativas, como frango e suínos.