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Preço do arroz no RS oscila com impasse entre produtores e indústria

Mercado gaúcho vive expectativa por leilões do governo federal enquanto colheita avança entre instabilidades climáticas no estado

Da redação
DA REDAÇÃO

23/04/2026 • 10:26 • Atualizado em 23/04/2026 • 10:26

Produtores de arroz aguardam o anúncio dos leilões da Conab

Produtores de arroz aguardam o anúncio dos leilões da Conab

Paulo Rossi/Fedearroz

O mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul atravessa um período de indefinição, oscilando entre a reposição de estoques e a dificuldade de repasse de preços. Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a comercialização está travada pela cautela de compradores que não conseguem transferir os custos ao setor varejista.

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Enquanto a indústria tenta equilibrar as contas, o setor produtivo aguarda a divulgação dos editais para os leilões de apoio à comercialização, como o Prêmio Escoamento de Produto (PEP) e o Prêmio de Escoamento de Produto (Pepro). Esses instrumentos são fundamentais para garantir a rentabilidade mínima ao produtor em momentos de preços baixos ou excesso de oferta.

Divisão entre compradores e vendedores marca a semana

De acordo com o Cepea, o cenário atual é de fragmentação nas estratégias de negociação. Do lado da demanda, parte dos compradores elevou as ofertas para tentar atrair vendedores e garantir o abastecimento de suas unidades de beneficiamento. Outra parcela, contudo, prefere aguardar as definições do governo federal antes de fechar novos contratos.

Entre os rizicultores, a postura também não é uniforme. Produtores com maior necessidade de fluxo de caixa estão aproveitando o mercado spot — modalidade de venda com entrega e pagamento imediatos — para capitalizar as propriedades. Por outro lado, a maioria segue retraída, demonstrando insatisfação com os valores atuais e focando exclusivamente nos trabalhos de campo.

Chuvas afetam a reta final da colheita no Rio Grande do Sul

Os trabalhos de colheita nas lavouras gaúchas foram parcialmente prejudicados por instabilidades climáticas em diversas microrregiões. As chuvas localizadas dificultaram não apenas a retirada do arroz, mas também o avanço da soja, que muitas vezes é cultivada em rotação com o cereal em áreas de várzea.

Essa lentidão no campo contribui para o clima de incerteza no mercado, uma vez que a disponibilidade total da safra ainda depende da conclusão dessas atividades. O excesso de umidade pode comprometer a qualidade do grão e elevar os custos de secagem, pressionando ainda mais a margem de lucro do agricultor.

Custos de produção e pressão na rentabilidade

Além das questões logísticas e climáticas, o aumento dos custos de produção continua sendo uma preocupação central. Insumos, combustível e manutenção de maquinário seguem elevados, o que reduz a capacidade de investimento para a próxima safra.

A expectativa do setor é que os mecanismos de apoio governamental tragam um fôlego extra. O PEP e o Pepro funcionam como um subsídio: no PEP, o governo paga um valor para que a indústria compre o produto pelo preço mínimo; no Pepro, o valor é pago diretamente ao produtor ou cooperativa para que vendam o produto em regiões com déficit de abastecimento. Sem essas garantias, a rentabilidade do arroz gaúcho permanece sob forte pressão.