
El niño no segundo semestre pode comprometer a safrinha
Gerada por IA
A StoneX divulgou a 35ª edição de seu Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities nesta terça-feira (14), e projeta um cenário de instabilidade climática para o agronegócio brasileiro. O documento aponta um período de neutralidade climática entre o outono e o início do inverno, mas acende um alerta para o fortalecimento do fenômeno El Niño a partir da metade de 2026.
Essa transição deve impactar diretamente a safrinha de milho e culturas como café e cana-de-açúcar, devido à irregularidade das chuvas e temperaturas acima da média. De acordo com a analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Carolina Giraldo, a instabilidade exige decisões cautelosas no campo, pois os padrões clássicos já não explicam sozinhos o comportamento do clima atual.
Impactos na safrinha e colheita
A transição climática amplia as incertezas sobre a finalização da safrinha do milho na América do Sul. A safrinha refere-se à segunda safra de grãos plantada logo após a colheita da safra principal, aproveitando o restante do ciclo de chuvas. Contudo, a possível intensificação da corrente de jato subtropical pode reduzir a umidade no Sudeste e Centro-Oeste, antecipando o fim das chuvas em estados produtores como São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná.
Por outro lado, a umidade registrada nos meses anteriores favorece a supersafra de grãos 2025/2026 e a recuperação parcial do café e da cana-de-açúcar. No entanto, o excesso de chuva recente em Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais impôs restrições operacionais e atrasos na colheita.
Riscos para o segundo semestre
Para a segunda metade do ano, a preocupação central é a sinergia entre o possível El Niño e o Dipolo Positivo do Índico (+IOD). Se ambos se consolidarem a partir de julho, o risco de seca severa aumenta consideravelmente no Norte e Nordeste do Brasil.
“O agro está lidando com um clima mais errático. O mesmo sistema que traz benefício para uma região pode gerar perdas em outra”, avalia Carolina Giraldo. A analista conclui que o planejamento precisa considerar margens de segurança e uma gestão ativa de risco climático, dado o elevado grau de incerteza para o próximo ano.
O monitoramento aponta 60% de chance de neutralidade entre março e maio, subindo para 70% entre abril e junho. A partir do segundo semestre, os modelos indicam o aquecimento do Pacífico Equatorial, sinalizando a formação do fenômeno climático.
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