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La Niña perde força e NOAA prevê neutralidade climática até o outono

Dados de janeiro de 2026 indicam 75% de chance de transição no primeiro trimestre; produtor deve ficar atento a possível volta do El Niño no segundo semestre

Da redação
DA REDAÇÃO

08/01/2026 • 19:00 • Atualizado em 08/01/2026 • 19:00

Fenômeno climático perde força nos próximos meses

Fenômeno climático perde força nos próximos meses

Embrapa Milho e Sorgo

Resumo

Relatório da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) projeta que o fenômeno La Niña perderá força e dará lugar a uma fase de neutralidade climática entre janeiro e março de 2026, com 75% de probabilidade de transição e manutenção dessa condição até o fim do outono no Hemisfério Sul.

Medições do Oceano Pacífico equatorial mostram temperaturas abaixo da média em dezembro de 2025, com índice Niño-3.4 em -0,5°C, porém sinais de aquecimento subsuperficial indicam enfraquecimento do La Niña; efeitos residuais ainda mantêm ventos alísios reforçados e chuvas na Indonésia, podendo influenciar o início da primavera no Hemisfério Norte.

Modelos de previsão do Instituto Internacional de Pesquisa para Clima e Sociedade (IRI) apontam mais de 80% de chance de neutralidade entre fevereiro e abril, mas há aumento progressivo da probabilidade de retorno do El Niño a partir do inverno no Hemisfério Sul, ultrapassando 60% entre agosto e outubro de 2026, com grau de incerteza sobre intensidade devido à baixa precisão das previsões feitas na primavera.

O fenômeno La Niña, que tem influenciado o clima global nos últimos meses, deve perder intensidade e dar lugar a uma fase de neutralidade climática entre janeiro e março de 2026. A projeção é da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), divulgada nesta quinta-feira (8). Segundo o relatório, há 75% de probabilidade de que essa transição ocorra ainda no primeiro trimestre, mantendo-se a condição neutra pelo menos até o fim do outono no Hemisfério Sul.

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Fim do ciclo e aquecimento das águas

Em dezembro de 2025, o Oceano Pacífico equatorial ainda apresentava características típicas do La Niña, com temperaturas da superfície do mar abaixo da média. O índice Niño-3.4, um dos principais indicadores monitorados pelos meteorologistas, registrou -0,5°C. Outras regiões de monitoramento, como as áreas Niño-3 e Niño-1+2, mostraram-se ainda mais frias, com desvios de -0,8°C e -0,7°C, respectivamente.

No entanto, a NOAA alerta para sinais claros de mudança. Medições da temperatura subsuperficial (abaixo da superfície) do oceano já indicam um leve aquecimento. Isso ocorre devido à expansão de águas mais quentes vindas do Pacífico ocidental em direção ao centro-leste, um movimento que enfraquece a estrutura do La Niña.

Apesar dessa tendência térmica, a circulação atmosférica ainda reflete o fenômeno, com ventos alísios (ventos que sopram dos trópicos para o Equador) reforçados e maior atividade de chuvas sobre a Indonésia. Segundo a agência americana, esses efeitos residuais podem influenciar os padrões climáticos no início da primavera do Hemisfério Norte, mesmo após a neutralização das temperaturas do oceano.

A volta do El Niño?

Os modelos de previsão reunidos pelo Instituto Internacional de Pesquisa para Clima e Sociedade (IRI) reforçam o cenário de transição. As projeções apontam que a probabilidade de neutralidade climática — ou seja, a ausência de El Niño ou La Niña — ultrapassa 80% entre os meses de fevereiro e abril.

Para o produtor rural, o cenário exige atenção redobrada no planejamento da próxima safra. Isso porque, a partir do inverno no Hemisfério Sul, os modelos indicam um aumento progressivo das chances de retorno do El Niño.

De acordo com a NOAA, a probabilidade de o fenômeno de aquecimento das águas do Pacífico se instalar supera 60% no período entre agosto e outubro de 2026. Vale ressaltar que as previsões feitas durante a primavera (no Hemisfério Norte) costumam ter menor índice de acerto, o que mantém um grau de incerteza sobre a intensidade desse possível El Niño.

Entenda os fenômenos

O ENSO (El Niño Oscilação Sul) é um ciclo natural que envolve flutuações na temperatura da superfície do oceano no Pacífico equatorial e mudanças na circulação atmosférica. Ele alterna entre três fases:

La Niña: Resfriamento das águas, que no Brasil geralmente causa chuvas acima da média no Norte e Nordeste e risco de estiagem no Sul.

El Niño: Aquecimento das águas, historicamente associado a secas no Norte e Nordeste e excesso de chuvas no Sul.

Neutralidade: Período sem a atuação de nenhum dos dois fenômenos, onde outros fatores regionais passam a ter maior peso no clima.

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