Fenômeno climático La Niña é confirmado para o verão 2025/2026
Veja como o clima pode se comportar no Brasil durante o verão

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou a configuração do fenômeno La Niña no Pacífico tropical e sua persistência nos próximos meses. De acordo com o órgão, a condição começou a se formar em setembro, quando as análises diárias feitas em algumas regiões do Pacífico mostraram águas com temperaturas mais amenas, que é a condição indicativa da ocorrência do fenômeno. O La Niña pode influenciar significativamente o regime de chuvas no Brasil.
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De acordo com o meteorologista Eugenio César De Marco Greghi, da FieldPro, entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025, houve o fraco La Niña e os últimos meses foram neutros. Durante esse intervalo, o Oceano Pacífico Equatorial apresentou temperaturas ligeiramente abaixo da média, mas sem atingir o limiar oficial de La Niña, o que ocorreu agora, conforme a notificação do NOAA. “Desde o final de julho de 2025, o Pacífico Equatorial vem passando por um novo processo de resfriamento, indicando a provável consolidação de uma La Niña de fraca intensidade e curta duração ao longo da primavera, no entanto, o fenômeno deve atuar até meados de fevereiro de 2026, influenciando boa parte do verão”, explica Greghi.
O que pode acontecer com o clima no Brasil com o fenômeno La Niña?
De acordo com o meterologista Guilherme Borges, com a ocorrência do La Niña a partir de dezembro, o clima no Brasil pode ser influenciado de formas diferentes:
- Na região Norte e parte da região Nordeste, podem ocorrer chuvas acima da média, a estação chuvosa deve começar no período nromal, sem atrasos, e até se prolongar em algumas áreas da região. Também alerta para a maior frequência de corredores de umidade estimulados pela ZCIT (Zona de Convergência Intertropical) e pela ZCAS (Zona de Convergência do Atlântico Sul). A ZCAS é um sistema meteorológico localizado sobre o Brasil, que se forma durante o verão austral e causa chuvas volumosas no Sudeste e Centro-Oeste do país, resultando do encontro entre umidade da Amazônia e frentes frias do sul, enquanto a ZCIT é uma faixa global de baixa pressão e alta umidade ao redor do equador, formada pela convergência dos ventos alísios, e é a principal responsável pelas chuvas no Norte e Nordeste do Brasil, com deslocamento sazonal.
- De acodo com Borges, na região Sul, a condição pode provocar irregularidades de chuvas na maior parte do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e região Centro-Sul do Paraná. Também podem ocorrer períodos de estiagem, sobretudo entre os meses de novembro e janeiro.
- Nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, o meterologista aponta uma influência menos significativa, mas com chuvas bem distribuídas e temperaturas próximas à média, maior nebulosidade e regularidade das chuvas, o que deve reduzir os longos períodos de calor intenso observados nos últimos dois anos e a formação mais frequente de corredores de umidade, alguns configurando ZCAS.“Ao contrário dos últimos verões, a estação chuvosa não deve atrasar, reduzindo riscos de estiagens prolongadas na Primavera. Além disso, a maior cobertura de nuvens e a regularidade das chuvas devem limitar a intensidade e a duração das ondas de calor, tornando-as menos frequentes, menos abrangentes e mais curtas”, diz Borges.
