
Mercosul-UE: decisão deve ser anunciada nesta sexta-feira (8)
Marcos Oliveira/Agência Senado
Resumo
O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou que o país votará contra o acordo de livre-comércio entre União Europeia e Mercosul, justificando a decisão pela rejeição política interna e pela necessidade de proteger o setor agrícola diante de protestos de agricultores franceses.
Oposição francesa ao acordo concentra-se nas "cláusulas espelho", que exigem igualdade nas normas sanitárias e ambientais para produtos importados, enquanto o governo francês busca apoio de outros países europeus para formar uma minoria de bloqueio, contando até agora com Polônia, Hungria e Irlanda, enquanto Alemanha e Itália lideram o grupo favorável ao pacto.
Expectativa do agronegócio brasileiro é alta para a reunião decisiva, com a possibilidade de criação da maior área de livre-comércio do mundo e maior acesso de commodities brasileiras ao mercado europeu, dependendo da aprovação do tratado pela Comissão Europeia.
O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou nesta quinta-feira (08) que o país votará contra o acordo de livre-comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul. A decisão será formalizada na reunião agendada para esta sexta-feira (09), em Bruxelas, na Bélgica.
Em comunicado oficial, Macron justificou a posição francesa citando uma "rejeição política unânime" interna e a necessidade de proteger o setor agrícola local. O anúncio ocorre em meio a uma nova onda de protestos de agricultores franceses, que chegaram a Paris com tratores para pressionar o governo contra a ratificação do pacto.
Entenda as 'cláusulas espelho'
Um dos pontos centrais da resistência francesa envolve as chamadas "cláusulas espelho". Esse mecanismo exigiria que os produtos importados do Mercosul — como a carne brasileira e argentina — seguissem rigorosamente as mesmas normas sanitárias e ambientais impostas aos produtores europeus.
O cenário no bloco europeu
Apesar da negativa francesa, a aprovação do acordo ainda é possível. Para bloquear o tratado, a França precisaria formar uma "minoria de bloqueio", composta por pelo menos quatro países que representem mais de 35% da população da UE.
Por outro lado, a Alemanha lidera a frente favorável ao acordo e trabalha nos bastidores para garantir o voto da Itália. O governo alemão declarou estar "muito confiante" no apoio italiano, que seria decisivo para contrabalançar a oposição francesa e permitir a aprovação por maioria qualificada.
Expectativa do Brasil
Para o agronegócio brasileiro, a reunião desta sexta-feira é considerada um marco decisivo. A secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres, afirmou que o encontro trará a "clareza necessária" sobre o futuro do pacto, relembrando o compromisso anterior da Comissão Europeia de finalizar as negociações neste início de ano.
Caso aprovado pela Comissão, o tratado criaria a maior área de livre-comércio do mundo, facilitando a entrada de commodities brasileiras, como soja, milho e carnes, no mercado europeu.
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