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Usina em São Paulo transforma resíduos orgânicos em energia e biometano

Nova planta laboratorial em São Paulo utiliza resíduos da cadeia alimentar para gerar eletricidade e fertilizantes, impulsionando a economia circular

Da redação
DA REDAÇÃO

01/07/2026 • 06:00 • Atualizado em 01/07/2026 • 06:00

Resíduos orgânicos podem ser transformados em fertilizantes e combustível verde

Resíduos orgânicos podem ser transformados em fertilizantes e combustível verde

Divulgação/Semil

O Estado de São Paulo deu um passo importante na transição energética nesta terça-feira (30), com a inauguração da Usina de Bioenergia e Biofertilizantes do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE/USP). O projeto-piloto, que conta com o apoio da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) e da Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás), transforma resíduos sólidos orgânicos em energia elétrica, biometano e biofertilizantes.

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A unidade atua como uma planta laboratorial em escala industrial e comercial, sendo um exemplo prático de economia circular. Com capacidade atual de processamento de 25 toneladas de resíduos orgânicos por dia — com potencial de expansão para 43,5 toneladas —, a usina converte materiais descartados pela cadeia alimentar em recursos estratégicos.

O processo de biodigestão é o motor da planta. Cada tonelada de resíduo orgânico gera entre 120 e 180 Nm³ de biogás, com um teor de metano que varia de 50% a 65%. Esse biogás é convertido em eletricidade, atendendo tanto a rede da própria USP quanto o Sistema Interligado Nacional (SIN).

Além da energia elétrica, a usina está finalizando uma unidade de refino para a produção de biometano. Esse combustível renovável tem alto valor para a descarbonização, podendo ser utilizado para o abastecimento de veículos movidos a Gás Natural Veicular (GNV) ou injetado diretamente na rede de distribuição. O projeto também se destaca pelo aproveitamento de cerca de 80% do material processado na forma de digestato, um biofertilizante que passa por testes de aplicação em culturas de cana-de-açúcar e hortaliças, em parceria com a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta).

Liderança paulista na transição energética

Para a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, a iniciativa é um modelo replicável. "Em São Paulo temos uma das matrizes energéticas mais limpas do Brasil. Estamos chegando a uma matriz renovável de quase 60%. O biometano é parte importante dessa estratégia e todo o avanço que temos alcançado se dá por projetos como este", afirmou.

O diretor do IEE-USP, Tercio Ambrizzi, reforçou o impacto ambiental da tecnologia. "É um projeto que prova que podemos diminuir efetivamente as emissões, principalmente de metano, convertendo o resíduo em benefício para a sociedade", disse.

A implantação da usina exigiu investimentos de aproximadamente R$ 10 milhões, com recursos do próprio IEE/USP e de instituições como FAPESP, CNPq e Aneel, além de aportes da iniciativa privada.

A iniciativa consolida a liderança paulista na cadeia do biometano. Atualmente, o estado abriga nove das 19 plantas do combustível em operação no país e projeta atingir, ainda em 2026, uma capacidade instalada de 1 milhão de metros cúbicos por dia — volume capaz de suprir o consumo de gás canalizado de 2,8 milhões de residências paulistas.

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