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Milho: atraso no plantio da safrinha sustenta preços, aponta Itaú BBA

Dependência das chuvas em abril e maio aumenta o risco para lavouras, enquanto alta do petróleo e da soja impulsiona recuperação das cotações

Da redação
DA REDAÇÃO

01/04/2026 • 17:17 • Atualizado em 01/04/2026 • 17:17

Plantio da safrinha está atrasado por causa das chuvas

Plantio da safrinha está atrasado por causa das chuvas

Divulgação/Mapa

O atraso no plantio da segunda safra de milho no Brasil elevou a exposição da cultura a riscos climáticos e passou a sustentar o preço do grão no mercado nacional. Segundo análise do Itaú BBA, divulgada nesta quarta-feira (1), a produção agora depende severamente das chuvas nos meses de abril e maio, período considerado crítico para o enchimento de grãos, quando a planta mais precisa de água para garantir a produtividade.

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As perspectivas meteorológicas indicam uma maior irregularidade das precipitações ao longo do outono. Há uma tendência de redução gradual das chuvas, especialmente a partir de maio, o que amplia o risco de estresse hídrico — quando a planta sofre pela falta de umidade — em áreas semeadas fora da janela ideal.

Janela de plantio e riscos regionais

O acompanhamento da semeadura da safrinha, como é chamada a segunda safra brasileira, ficou abaixo da média histórica em parte de fevereiro. O movimento é um reflexo direto do atraso na colheita da soja em diversas regiões do Centro-Oeste, já que o milho é plantado logo após a retirada da oleaginosa do solo.

Em Goiás, a situação é mais sensível: estima-se que 70% da área seja plantada fora do período recomendado. No Mato Grosso do Sul e no Matopiba (região que compreende Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), a combinação de plantio tardio e encurtamento das chuvas também preocupa. Já no Mato Grosso, onde os produtores conseguiram acelerar os trabalhos, o risco é menor, embora a distribuição das chuvas ainda seja o fator determinante.

Cenário externo e recuperação em março

No mercado internacional, as cotações na Bolsa de Chicago (CBOT) chegaram a recuar 0,4% em fevereiro, fechando em US$ 4,29 por bushel. No entanto, o cenário mudou no início de março. O mercado global passou a incorporar os riscos da oferta na América do Sul e os preços voltaram a subir.

Essa reação foi impulsionada também por fatores externos, como a valorização do petróleo e da soja. Como o milho é utilizado na produção de biocombustíveis (etanol de milho), a alta na energia costuma puxar o preço do grão.

Impacto nos preços ao produtor brasileiro

No Brasil, o mês de fevereiro foi marcado por queda nos preços devido à maior oferta da safra de verão no Sul e Sudeste. Em Sorriso (MT), a saca chegou a cair 9%, cotada na média de R$ 46,60. Contudo, a parcial de março já mostra uma inversão de tendência.

Em Campinas (SP), praça de referência para o setor, a alta já atinge 3,5% no mês, com preços orbitando a casa dos R$ 70 por saca. Além do reflexo das bolsas internacionais, a incerteza do produtor sobre o volume final que será colhido na safrinha tem segurado as vendas e sustentado as cotações no mercado interno.