Falta de diesel ameaça plantio da safra no Rio Grande do Sul
Produtores rurais gaúchos relatam falta de óleo diesel na semana que antecede o início do plantio da safra de verão

Produtores rurais do Rio Grande do Sul relataram, em várias regiões do estado, dificuldades para comprar óleo diesel. A escassez do produto ameaça o início do plantio da safra de verão 2026/2027, liberado nos últimos dias, já que as máquinas agrícolas que realizam o trabalho de semeadura utilizam o diesel.
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A escassez e os atrasos na distribuição do combustível está sendo mais frequente em regiões como a Metade Sul e o Vale do Rio Pardo, onde o uso de maquinário pesado é intensificado durante o período de semeadura. A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) emitiu um ofício formal para acionar órgãos reguladores federais.
No ofício assinado pelo presidente da Farsul, Domingos Velho Lopes, a entidade lembra que um cenário semelhante ocorreu entre março e abril deste ano, durante a colheita do arroz e da soja. Naquela ocasião, mesmo com a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap) operando normalmente e com estoques suficientes no estado, produtores, Transportadores-Revendedores-Retalhistas (TRRs), postos e municípios enfrentaram severas limitações de fornecimento, com registros de operações agrícolas interrompidas e preços do diesel comercializado chegando a alcançar até R$ 9,00 por litro. As dificuldades atingiram cerca de 170 municípios, afetando serviços públicos essenciais.
Estudos da Assessoria Econômica da Farsul apontam que a alta de 21,1% no preço do diesel S10 (que saltou de R$ 5,97 para R$ 7,23 por litro) poderia acrescentar R$ 612,2 milhões aos custos diretos das operações mecanizadas nas principais lavouras do estado. Em um cenário mais crítico, com o combustível a R$ 9,00 por litro, as perdas potenciais poderiam chegar a R$ 1,47 bilhão.
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Cobrança de fiscalização e transparência
A Farsul cobrou da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e do Ministério de Minas e Energia uma fiscalização rigorosa sobre as distribuidoras. O objetivo é assegurar a regularidade no abastecimento de insumos essenciais para as atividades agrícolas no estado.
Segundo a Farsul, o ofício enviado às autoridades exige transparência nos estoques atuais, apuração célere de eventuais irregularidades, esclarecimentos sobre os critérios de distribuição adotados pelas empresas e dados detalhados acerca do calendário de importações do combustível.
Impactos no mercado e divergência de posições
Analistas de mercado e representantes do setor apontam que a defasagem entre os preços praticados internamente e a paridade de importação desincentiva a atuação de importadores independentes. Essa dinâmica acaba concentrando a demanda de fornecimento na Petrobras e gerando gargalos operacionais na logística de entrega.
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Por outro lado, agentes reguladores e corporativos ponderam a gravidade da situação informada. A ANP declarou anteriormente que monitora de perto o mercado de combustíveis e que não havia detectado restrições generalizadas de abastecimento no território gaúcho. No mesmo sentido, a Petrobras informou que as operações de entrega ocorrem regularmente conforme o planejamento estipulado.
Até o momento, não há um levantamento oficial consolidado sobre o volume exato de hectares que registrassem atrasos definitivos em razão da falta pontual do insumo diesel.
