Agro

Falta de diesel ameaça plantio da safra no Rio Grande do Sul

Produtores rurais gaúchos relatam falta de óleo diesel na semana que antecede o início do plantio da safra de verão

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18/09/2026 14:42 • Atualizado há 16 min

Falta de diesel ameaça plantio da safra no Rio Grande do Sul

Produtores rurais do Rio Grande do Sul relataram, em várias regiões do estado, dificuldades para comprar óleo diesel. A escassez do produto ameaça o início do plantio da safra de verão 2026/2027, liberado nos últimos dias, já que as máquinas agrícolas que realizam o trabalho de semeadura utilizam o diesel.

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A escassez e os atrasos na distribuição do combustível está sendo mais frequente em regiões como a Metade Sul e o Vale do Rio Pardo, onde o uso de maquinário pesado é intensificado durante o período de semeadura. A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) emitiu um ofício formal para acionar órgãos reguladores federais.

No ofício assinado pelo presidente da Farsul, Domingos Velho Lopes, a entidade lembra que um cenário semelhante ocorreu entre março e abril deste ano, durante a colheita do arroz e da soja. Naquela ocasião, mesmo com a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap) operando normalmente e com estoques suficientes no estado, produtores, Transportadores-Revendedores-Retalhistas (TRRs), postos e municípios enfrentaram severas limitações de fornecimento, com registros de operações agrícolas interrompidas e preços do diesel comercializado chegando a alcançar até R$ 9,00 por litro. As dificuldades atingiram cerca de 170 municípios, afetando serviços públicos essenciais.

Estudos da Assessoria Econômica da Farsul apontam que a alta de 21,1% no preço do diesel S10 (que saltou de R$ 5,97 para R$ 7,23 por litro) poderia acrescentar R$ 612,2 milhões aos custos diretos das operações mecanizadas nas principais lavouras do estado. Em um cenário mais crítico, com o combustível a R$ 9,00 por litro, as perdas potenciais poderiam chegar a R$ 1,47 bilhão.

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Cobrança de fiscalização e transparência

A Farsul cobrou da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e do Ministério de Minas e Energia uma fiscalização rigorosa sobre as distribuidoras. O objetivo é assegurar a regularidade no abastecimento de insumos essenciais para as atividades agrícolas no estado.

Segundo a Farsul, o ofício enviado às autoridades exige transparência nos estoques atuais, apuração célere de eventuais irregularidades, esclarecimentos sobre os critérios de distribuição adotados pelas empresas e dados detalhados acerca do calendário de importações do combustível.

Impactos no mercado e divergência de posições

Analistas de mercado e representantes do setor apontam que a defasagem entre os preços praticados internamente e a paridade de importação desincentiva a atuação de importadores independentes. Essa dinâmica acaba concentrando a demanda de fornecimento na Petrobras e gerando gargalos operacionais na logística de entrega.

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Por outro lado, agentes reguladores e corporativos ponderam a gravidade da situação informada. A ANP declarou anteriormente que monitora de perto o mercado de combustíveis e que não havia detectado restrições generalizadas de abastecimento no território gaúcho. No mesmo sentido, a Petrobras informou que as operações de entrega ocorrem regularmente conforme o planejamento estipulado.

Até o momento, não há um levantamento oficial consolidado sobre o volume exato de hectares que registrassem atrasos definitivos em razão da falta pontual do insumo diesel.

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