Guerra no Oriente Médio encarece fertilizantes e preocupa o agro brasileiro
A dependência externa de insumos, que chega a 80% nas lavouras do país, acende alerta para produtores e consumidores após conflitos no Irã

A guerra no Oriente Médio, além de impactar o mercado de petróleo, atingiu severamente o setor de fertilizantes, gerando insegurança para o agronegócio brasileiro. Mais de 80% dos insumos utilizados nas lavouras nacionais vêm de regiões atualmente em conflito, o que já resultou em um aumento de 50% nos preços desde o início das hostilidades. A situação é crítica para o Brasil, um dos maiores produtores de grãos do mundo, que importou mais de 40 milhões de toneladas de adubos no último ano.
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Impacto na safra e no bolso
O conflito no Irã atingiu o produtor rural em um momento estratégico: o pico da colheita da soja e o plantio do milho safrinha (segunda safra anual). Adubos essenciais como ureia e cloreto de potássio tiveram altas expressivas. Mesmo com parte do milho já plantado, a fase de adubação de cobertura — realizada um ou dois meses após o plantio — ainda depende de nitrogenados que vêm majoritariamente do Oriente Médio.
O cenário agravou-se com a decisão da China de suspender exportações de insumos. Valteno de Oliveira ressalta que essa ineficiência nacional em reduzir a dependência externa recai sobre o produtor rural, que já enfrenta o maior nível de endividamento da história. Além disso, o custo elevado pode chegar à mesa do consumidor urbano através do aumento no preço dos alimentos.
Planos para reduzir dependência externa
Apesar de possuir subsolo rico em fósforo e potássio, o Brasil produz menos de 15% dos minerais necessários para suas lavouras. Projetos estratégicos, como o Plano Nacional de Fertilizantes, seguem sem sair do papel. Especialistas defendem que o país não precisa ser totalmente autossuficiente, mas necessita de uma garantia mínima de estoques para enfrentar crises internacionais.
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Uma das alternativas em pauta é a aprovação do Profert (Programa Nacional de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes). O projeto prevê isenções tributárias e estímulos à produção nacional, com o objetivo de elevar a participação brasileira no mercado interno dos atuais 13% para até 30%. Enquanto as medidas não avançam, especialistas recomendam que produtores que ainda não adquiriram insumos para a próxima safra aguardem e monitorem os próximos passos do conflito.
