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Rússia e China suspendem exportações de fertilizantes e pressionam o agro

Brasil depende de importações de fertilizantes e suspensões temporárias devem impactar o custo de produção e preço de alimentos no país

VIVIANE TAGUCHI

24/03/2026 • 10:48 • Atualizado em 24/03/2026 • 10:48

A Rússia anunciou, nesta terça-feira (24), que vai suspender temporariamente (assim como já anunciou a China, na semana passada) suas exportações fertilizantes. De acodo com as autoridades russas, as vendas externas de nitrato de amônio estão suspensas até pelo menos o dia 21 de abril. A medida foi tomada para proteger a agricultura local diante da ameaça de escassez de fertilizantes produzidos no Oriente Médio. A Rússia responde por 40% das exportações globais do produto.

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A suspensão ocorre em um momento de crise energética global e instabilidade geopolítica no Oriente Médio. A falta de insumos no mercado internacional elevou drasticamente os custos de produção em todo o mundo. Como o Brasil importa 85% dos fertilizantes que utiliza, a dependência externa torna o agro brasileiro vulnerável . O aumento dos preços de insumos como os fertilizantes impacta diretamente o planejamento das safras de soja, milho e cana-de-açúcar, a produtividade das lavouras, e o custo de produção, tornando produtos finais - como a carne, por exemplo - mais caros para o consumidor final.

O impacto dos preços das medidas anunciadas deve ser sentido mais fortemente nos custos da próxima safra de grãos brasileira, que tem início em meados de setembro de 2026 em regiões como o Centro-Oeste, Sul e Sudeste, e nos preços de alimentos em 2027.

O nitrato de amônio é uma das fontes de nitrogênio mais ricas para o solo. O nitrogênio é essencial para o crescimento das plantas e a produção de clorofila. No manejo das lavouras brasileiras, este produto é utilizado no início das safras. O nitrato de amônio é preferido em certas culturas porque fornece nitrogênio em duas formas: o amônio (que a planta absorve gradualmente) e o nitrato (que é absorvido imediatamente). A Rússia é a principal fornecedora do produto ao Brasil.

Na semana passada, devido aos conflitos no Oriente Medio, a China anunciou a suspensão de suas exportações de fertilizantes fosfatados, como o MAP e DAP, essenciais para solos como os do Cerrado brasileiro, por exemplo. Estes produtos auxiliam as plantas a fortalecer suas raízes e no enchimento de grãos.