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Acordo entre a China e os Estados Unidos eleva preço global da soja

País asiático planeja investir US$ 17 bilhões anuais em produtos agrícolas norte-americanos; Brasil mantém forte demanda por prêmios competitivos

VIVIANE TAGUCHI

25/05/2026 • 11:09 • Atualizado em 25/05/2026 • 11:09

Novos acordos entre EUA e China impulsionam o mercado de soja; demanda por grãos brasileiros continua em alta

Novos acordos entre EUA e China impulsionam o mercado de soja; demanda por grãos brasileiros continua em alta

R.R Rufino/Embrapa

Os preços futuros da soja registram uma trajetória de recuperação na Bolsa de Chicago, motivados pelo avanço de novos acordos comerciais entre os governos dos Estados Unidos e da China. O país asiático, principal comprador mundial da oleaginosa, comprometeu-se a adquirir US$ 17 bilhões anuais em produtos do setor agrícola norte-americano.

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Além do aporte financeiro, o compromisso chinês prevê a importação de 25 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos por ano. O cenário de alta nos preços futuros também é sustentado pela desvalorização do dólar frente ao real, operando abaixo do patamar de R$ 5,00, o que aumenta a atratividade das exportações dos produtores norte-americanos.

No ano passado, a China havia encerrado todos os contratos de compra de soja norte-americana, e aumentou significativamente as compras de grãos produzidos no Brasil.

Competitividade da soja brasileira

Apesar do fortalecimento das cotações nos Estados Unidos, pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) avaliam que a soja brasileira deve manter sua posição de destaque. A expectativa é de que a demanda chinesa pelo grão do Brasil continue firme nos próximos meses.

De acordo com o Cepea, essa manutenção da procura é favorecida pelo menor "prêmio de exportação" praticado no Brasil. O prêmio de exportação é uma sobretaxa ou desconto aplicado sobre o preço de Chicago para ajustar o valor do grão à realidade logística e de oferta de cada região exportadora. Atualmente, esse indicador torna o produto nacional mais competitivo financeiramente.

A valorização doméstica da soja em grão observada na última semana está diretamente ligada à forte procura externa pela oleaginosa produzida no país. O mercado interno acompanha o ritmo dos embarques nos portos, que seguem em níveis elevados.

Dados recentes da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) confirmam o aquecimento do setor. A média diária de exportações de soja brasileira neste mês supera em 18,5% o volume registrado no mês anterior. O desempenho é notável, visto que o Brasil já havia atingido um recorde histórico de embarques da oleaginosa em abril.

A abundância da safra nacional e os custos operacionais competitivos garantem que, mesmo com a reação dos preços nos Estados Unidos, o Brasil continue como o fornecedor estratégico para a segurança alimentar chinesa. O fluxo constante de exportações contribui para o equilíbrio da balança comercial brasileira e sustenta a rentabilidade do produtor rural.

O mercado agora monitora o cumprimento das metas de compra da China junto aos produtores norte-americanos e as variações do câmbio, fatores que podem alterar a dinâmica de preços nas janelas de comercialização globais ao longo do segundo semestre.